oposição atônita

Está difícil encontrar o candidato a governador

Não surtiram efeitos os encontros realizados neste ano e, finalmente, só após o Carnaval pode se conhecer o nome

Diferentemente de 2016, quando Capitão Wagner foi o candidato da oposição na Capital, Eunício não mais deve compor palanque do grupo em 2018 ( Foto: Kid Júnior )
01:00 · 30.12.2017 por Edison Silva - Editor de Política

A oposição cearense, a exceção do PSOL, ainda não encontrou o nome para representá-la na disputa pelo Governo do Estado do Ceará, embora alguns dos seus integrantes tenham feito esforços para tal, nos últimos meses deste ano findo. Ainda há tempo, porém, para PSDB, PR, SD, PSD e outros acertarem uma unidade contra a pretendida reeleição do governador Camilo Santana, embora encontrando um pouco mais de dificuldade de tornar o seu nome competitivo, dadas as limitações da Legislação Eleitoral e o trabalho desenvolvido por Camilo, e seus principais aliados, no Interior e na Capital cearenses. Nesta, as perspectivas indicam que um nome do grupo oposicionista pode obter uma certa vantagem.

Os adversários do governo estadual ficaram totalmente dependentes dos movimentos organizados pelo senador Eunício Oliveira, ao longo dos últimos tempos, na certeza de ele ser novamente candidato a governador. A guinada do senador para aliar-se a Camilo deixou a todos os seus companheiros de campanha de 2014, e dos encontros regionais que ele comandou até os meses iniciais deste ano, órfãos. A dependência era grande demais.

Nenhum deles percebeu, sequer, os primeiros sinais de distanciamento de Eunício da oposição, quando ele deixou de falar em ser candidato a governador, como prometia desde o fim da última disputa ao Governo, para se lançar candidato à reeleição, desde que o senador Tasso Jereissati fosse, pela quarta vez, postulante à chefia do Executivo do Estado.

Sem Eunício, representantes das siglas já citadas, ficaram atônitos. E assim continuam, pois só muito recentemente convenceram-se de não mais contar com a participação do principal líder do MDB estadual no meio deles. Só para o mês de março, provavelmente, passadas as festas mominas em fevereiro, vai ser possível conhecermos um candidato para realmente enfrentar Camilo, com todo o merecido respeito ao PSOL e seu representante Ailton Lopes, já escolhido para disputar o cargo político mais expressivo do Estado, também como oposição.

Encantos

O governador Camilo Santana leva vantagem na disputa. A sua administração está bem avaliada, e visivelmente é grande o seu volume de campanha. Sua gestão, guardadas as restrições feitas aos segmentos da Saúde e da Segurança, esta um problemão mesmo, baldados todos os esforços desenvolvidos para reduzir a alarmante criminalidade em todo o Estado.

Isto, porém, não significa dizer que possa ter uma reeleição fácil. Não há eleição ganha antes dos votos depositados nas urnas. A oposição tem seus encantos. Uma boa parte do eleitorado está a seu lado, principalmente se ela apresenta um candidato de fácil comunicação, sem máculas e conhecedor dos problemas mais tormentosos de responsabilidade do Poder Público.

A exiguidade do tempo, reconheça-se, dificultará mais ainda aos oposicionistas a perscrutarem o tal novo na política para permitir que ele seja capaz de ampliar o eleitorado defensor de mudanças. É relativamente curta a duração da campanha, inclusive nos meios de comunicação, para um total desconhecido do eleitorado.

A última reforma feita na Legislação Eleitoral privilegiou os veteranos e aos atuais militantes ou detentores de mandatos. Portanto, é mesmo dos quadros hoje existentes que haverá de sair o concorrente de Camilo, e os demais integrantes da chapa majoritária, vice-governador, senadores e suplentes.

A apreensão no ambiente oposicionista não parece ser menor que a do próprio senador Eunício Oliveira, quanto à sua participação na chapa majoritária de Camilo. O governador tem interesse em tê-lo ao lado. São inequívocas as sinalizações dadas.

Enfraquecer

Essa aproximação deles, desde o início do segundo semestre de 2017, já rendeu frutos para a própria gestão pelo fluxo de recursos liberados do erário federal para o estadual, através de Eunício, e por desarranjar e enfraquecer a oposição. Mas não depende apenas de Camilo que o senador seja candidato à reeleição compondo a sua chapa. Os parceiros de Camilo, a partir dos irmãos Cid e Ciro Gomes, representantes do PDT que patrocina a postulação dele, podem criar dificuldades.

Óbices, não para inviabilizarem a aliança, pois para eles ela também é interessante, mas para estabelecerem algumas condições, como a de ele não poder defender, no palanque do governador, a candidatura do ex-presidente Lula, se acontecer. A postulação de Ciro Gomes à Presidência da República é, no sentir dos pedetistas, a prioridade dos patrocinadores de Camilo. Eunício tem o apoio de Lula para fazer parte da aliança com o PT do Ceará, por isso tem sido enfático que nele votará para presidente da República. O senador deve conhecer esse obstáculo.

Palanques

Mas não será apenas o palanque de Camilo que terá dificuldade de guardar os interesses dos participantes da sua coligação divididos quanto à disputa presidencial. Sendo Lula candidato, todas as atenções dos apoiadores do governador estarão voltadas para o seu comportamento, em razão dos seus vínculos políticos e da "gratidão" que ressalta ter a Ciro pelo seu comprometimento na vitória conquistada em 2014. Os petistas o querem pedindo votos para Lula.

Na oposição, o principal partido, o PSDB, liderado pelo senador Tasso Jereissati, vai pedir votos para o atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, enquanto outros integrantes do grupo defenderão outros nomes, dentre os quais Jair Bolsonaro, sem prejuízo de outras candidaturas porventura oficializadas até o meio do ano vindouro.

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