Sucessão em fortaleza

Especialistas divergem sobre o pleito de 2012

01:08 · 22.01.2012
Na avaliação da cientista política Patrícia Teixeira, há um excesso de candidatos na Capital, mas nenhum deles representaria a sociedade
Na avaliação da cientista política Patrícia Teixeira, há um excesso de candidatos na Capital, mas nenhum deles representaria a sociedade ( Kiko Silva )
A definição de todos os nomes que disputarão a eleição só deverá acontecer durante as convenções de junho

Apesar da discussão sobre a eleição deste ano já ter iniciado há algum tempo, por enquanto, tudo ainda não passa de conjecturas. Os partidos ainda ensaiam alianças e possíveis nomes que entrarão nessa disputada para garantir o maior cargo público da Capital cearense. Cientistas políticos analisaram o cenário atual divergindo sobre a intensidade do embate.

Para o cientista político e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Uribam Xavier, não existe um cenário que indique que essa eleição municipal será mais competitiva do que as outras. Ele aponta que o PT está confortável, primeiro porque está no poder, segundo porque tem melhorado sua avaliação e, por último, porque não existe uma oposição sistemática.

Apesar de os partidos de oposição à atual administração estarem se articulando para definir qual será o melhor modo de se apresentarem no pleito, Uribam Xavier observa que nenhum dos nomes postos até agora tem força suficiente para encarar um embate diante de uma aliança entre PT e PSB.

No seu entendimento, dos nomes que estão sendo apontados pelas legendas de oposição para disputar a Prefeitura de Fortaleza, apenas o de Renato Roseno (PSOL) está realmente preparado para fazer um debate com o candidato do PT e questionar as ações do partido durante os oito anos de administração de Luizianne Lins.

Quanto a entrada do PSDB na disputa, a seu ver, não significará um maior embate. Na sua avaliação, o que realmente causaria um "rebuliço" nesse pleito, atesta, seria a entrada do ex-senador Tasso Jereissati (PSDB) na disputa, o único, a seu ver, que tem força suficiente para competir igualmente com um candidato lançado pela aliança puxada por PT e PSB. "O jogo mudaria", afirma avaliando que o tucano tem peso político suficiente para movimentar uma boa disputa.

Imaginário

O fato de o eleitorado do PSDB estar historicamente mais concentrado no Interior do Ceará, de acordo com o professor Uribam, está perdendo força. Ele lembra que, em 2010, Tasso Jereissati teve grande número de votos na Capital, apostando que a força política do tucano continua muito presente no imaginário popular.

Quanto à indefinição que ainda perdura sobre quem será o candidato de Luizianne Lins, Uribam Xavier aponta que é compreensível. Ele analisa que a prefeita tem vontade de fazer seu sucessor, mas desde que seja de seu grupo, por isso, a indicação do secretário de articulação da Prefeitura de Fortaleza, Waldemir Catanho, que é uma pessoa de sua confiança.

"Mas parece que ela não combinou isso com o Catanho. A impressão é de que ele não sabia dessa pretensão da prefeita de indicá-lo, muito embora ele seja uma pessoa de dentro do gabinete da Prefeita", pontua.

Medo

Para o cientista político, há nomes qualificados no PT para disputar a Prefeitura, o detalhe, ressalta, é que esses nomes não estão no grupo da prefeita. Conforme Uribam Xavier, a preocupação de Luizianne Lins em colocar alguém de sua corrente, é o medo de enfraquecer dentro do partido, após deixar o cargo de prefeita da cidade.

A cientista política Patrícia Teixeira diz haver um excesso de nomes que pretendem disputar a eleição, mas nenhum que represente de fato a sociedade. Ao contrário de Uriban Xavier, a estudiosa aposta em uma disputa ferrenha, até mesmo pela participação do PSDB que já deixou claro ter candidato próprio neste pleito municipal.

Segundo ela, o embate deverá ficar mais concentrado entre PT, PSDB e PDT, outra legenda que também vem anunciado pretensão em lançar um nome para a eleição municipal. A tendência dos sete partidos que vêm se reunindo (PSDB, PR, PTC, PDT, PP, PPS e DEM) para construírem estratégias para a eleição, aponta Patrícia Teixeira, deverá ser por alianças entre si, com o intuito de se fortalecerem em um embate com PT, PSB e PMDB.

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