Partido próprio

Disputa pelo comando do PHS ameaça a base

O deputado estadual Tin Gomes não aceita o que Cabo Sabino está fazendo para ingressar no PHS que ele comanda

Tin Gomes ameaça esvaziar a estrutura do partido se o deputado Cabo Sabino conseguir o que quer da direção nacional do PHS ( Foto: José Leomar )
01:00 · 07.12.2017

O deputado federal Cabo Sabino, determinado em deixar o PR, está negociando o seu ingresso no Partido Humanista da Solidariedade (PHS), após não conseguir emplacar adesão ao Podemos, por conta da disputa presidencial. Ele quer votar no deputado federal Jair Bolsonaro e o Podemos tem compromisso com o senador Álvaro Dias. O seu primeiro contato com o PHS no Ceará restou frustrado. Ele tenta negociar com a direção nacional do PHS, mas Tin Gomes, presidente deste partido no Ceará, ameaça esvaziar a legenda se Cabo Sabino conseguir espaço para entrar na agremiação.

Sabino está saindo do PR pelo fato de o seu projeto de reeleição colidir com o do deputado estadual Capitão Wagner (PR), que também pretende disputar uma das 22 vagas da bancada cearense. Antes, foi até noticiado que Sabino disputaria vaga na Assembleia Legislativa, mas ele logo contestou. Wagner e Sabino já não mais são vistos juntos há algum tempo.

Minimizando o racha, Wagner diz que após a disputa do próximo ano eles podem se recompor. O deputado estadual tem todo o apoio da direção estadual do PR, motivando, também, uma certa preocupação à deputada federal Gorete Pereira, com filiação ao partido bem mais antiga que os dois militares. A tentativa de ingresso de Sabino no PHS foi revelada pelo presidente do partido no Ceará, o deputado estadual Tin Gomes.

De acordo com Tin, uma conversa inicial com o deputado federal foi estabelecida, mas não houve avanço e Sabino teria ido tentar diálogo com a executiva nacional, o que não agradou ao deputado estadual. Caso seja realizada a transferência de Sabino para o PHS, Tin admite deixar os quadros do partido e levar consigo suas lideranças para uma outra legenda.

Sabino tentou ingresso no Podemos, mas houve empecilho quanto ao apoio que deve ser dado aos candidatos a presidente da República. Isso porque a legenda indicou o senador Álvaro Dias (PODE-PR) como pré-candidato. Já o cearense tem reiterado que votará no deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

Viabilizando

Em nota, recentemente, Cabo Sabino disse que fechou questão junto à direção nacional do Podemos quanto à sua não filiação à legenda, visto que, nas eleições de 2018, apoiará Jair Bolsonaro. O candidato da agremiação, por outro lado, é Álvaro Dias. Ainda de acordo com ele, a permanência ou não de seu aliado, Paulo Neto, na direção estadual do partido, também aguardava decisão da nacional do Podemos.

Na manhã de ontem, informações davam conta de que Paulo Neto não era mais presidente do partido, e que Toinho do Chapéu voltara a ser o dirigente da legenda em âmbito estadual. Neto, porém, disse que até a manhã (de ontem) ainda era o presidente da sigla, mas que não saberia dizer com certeza.

Já Capitão Wagner afirmou que, não se viabilizando sua candidatura majoritária, ele deverá concorrer a deputado federal, ainda que Sabino também esteja em busca de partidos para tentar reeleição. Segundo o republicano, a ideia é que haja um fortalecimento dos partidos de oposição, e o interesse do aliado em busca de novas legendas seria, justamente, para tentar fortalecer a bancada.

Mas nem todos os membros do PR acreditam nessa possibilidade. A deputada Fernanda Pessoa, por exemplo, recentemente afirmou que tanto a deputada federal Gorete Pereira quanto Cabo Sabino estavam se aproximando muito do Governo do Estado, e não estariam atuando como opositores. No entanto, Capitão Wagner reitera que as incursões feitas por Sabino têm seu consentimento, afirmando ainda que o aliado tentou diálogo com outros partidos, mas devido ao apoio externado a Bolsonaro as conversas não avançaram.

Traumática

"Ele procura entrar nesse partido (PHS), mas não sei se vai conseguir. No entanto, ele é deputado federal, e pode conseguir, porque os partidos têm mais interesse em federal do que estadual, que é o caso do Tin Gomes", disse Capitão Wagner. O republicano disse que ainda não decidiu em quem votará para presidente, mas ressaltou ser "muito difícil" apoiar uma eventual candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência.

"Se formos os dois, logicamente, cada um vai buscar seus votos, porque não tenho como pedir voto para ele, se eu for candidato a deputado federal. Espero costurar isso da forma menos traumática possível, porque o trauma vai existir. Espero que o racha não seja tão traumático e os dois possam recompor o grupo depois", disse.

A intenção de Wagner, conforme afirmou, é ampliar o grupo para ter mais poder de decisão na oposição, e para isso, além da disputa federal, pensa em apoiar nomes para a disputa estadual. "O Sabino já tem um grupo consolidado, ele já havia sido candidato em 2006. Temos condições de, sem criar muitos atritos, viabilizar as duas candidaturas".

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