Em busca da reeleição

Deputados otimistas com apoio de prefeitos

Antes céticos em relação à transferência de votos, parlamentares acreditam que gestores terão influência positiva

Pautas municipalizadas também têm motivado debates e pronunciamentos na tribuna do Plenário 13 de Maio, na Assembleia Legislativa ( Foto: José Leomar )
01:00 · 18.04.2018

Os prefeitos cearenses, para correligionários que buscarão reeleição à Assembleia Legislativa neste ano, estão agora melhor avaliados. Recentemente, a observação dos próprios deputados estaduais era que os gestores municipais não os ajudariam pelas rejeições sofridas em seus municípios em razão da falta de obras e de avanços nas administrações. Agora, com recursos das emendas parlamentares e de convênios com o Estado e a União, as prefeituras estão em melhores condições de ajudar, eleitoralmente, os parlamentares que conseguiram os recursos que hoje os gestores gastam.

Em alguns municípios cearenses, toda a máquina pública está à disposição de parentes dos prefeitos e dos seus correligionários. Alguns deputados, reservadamente, já reclamam desse envolvimento por sentirem o peso da concorrência quando estão em determinadas localidades em busca de votos.

Outros que tentarão reeleição em outubro próximo, porém, estão se aproximando cada vez mais dos prefeitos em busca de apoio. Com a situação financeira das prefeituras em melhor condição, os gestores municipais, segundo parlamentares, serão decisivos na tarefa de convencer o eleitorado neste ano.

O presidente da Assembleia, deputado Zezinho Albuquerque (PDT), afirma que os prefeitos terão grande responsabilidade no pleito de 2018, principalmente aqueles que estão bem avaliados pela população. No entanto, o pedetista diz não estar preocupado com a transferência de votos por parte dos gestores municipais, uma vez que ele, segundo disse, já é conhecido da população, visto as incursões que faz pelo Interior do Estado.

Municipalista, o deputado Sérgio Aguiar (PDT) destaca que, ao chegar o mês de maio, há um declínio das receitas municipais e, sem recursos extras, os prefeitos ficam sem condições de terem orçamento próprio. Por conta disso, é preciso que novos recursos surjam para que a máquina siga produzindo.

Avaliação das gestões

Na avaliação de Sérgio Aguiar, no momento atual há, em geral, uma boa administração das contas públicas por parte dos prefeitos, e isso deve ser revertido em bons dividendos eleitorais para seus candidatos. No entanto, ele ressaltou que, na maioria dos casos, as oposições municipais, quando unidas, têm condições de dar respostas melhores junto ao eleitorado. "Não se pode um partido que deseja participar de coligação pensar somente em quem está à frente das prefeituras, até porque há uma negação da política e o resultado eleitoral das oposições pode ser melhor", opina o parlamentar.

Com nove prefeitos aliados e sendo apoiado por vereadores e ex-prefeitos em outros 22 municípios, Sérgio Aguiar acredita que entende a força de um grupo que está no poder, sabe de suas deficiências e os discursos que podem ser utilizados no pleito pela oposição.

Já a deputada Rachel Marques (PT) relata que boa parte das prefeituras do Ceará está com baixa aceitação junto ao eleitorado, por conta de dificuldades financeiras nos últimos anos, principalmente por conta de redução de repasses federais.

Segundo ela, deficiências estruturais nos municípios acabam levando a população a se sentir insatisfeita com os prefeitos, que estão mais próximos do eleitorado. Apoiada pela Prefeitura de Quixadá, a petista diz que, mesmo diante das dificuldades, a gestão atual tem tido a aprovação da população.

De acordo com o deputado Danniel Oliveira (MDB), como "porta-voz" dos trabalhos do parlamentar nos municípios, o prefeito é responsável por boa parte dos votos dos candidatos a deputado estadual. "Os prefeitos dos municípios onde sou votado receberam diversos recursos financeiros levados por mim, o que faz com que a administração se fortaleça", ressalta.

Recursos

O emedebista lembra que a liberação recente de R$ 2 bilhões pelo Governo Federal, sendo R$ 188 milhões para o Ceará, amenizou a situação de algumas prefeituras no Estado, dando fôlego para que os gestores municipais pudessem atuar com menos dificuldades. "Isso aliviou muito a pressão que caía sobre os prefeitos. Nas prefeituras em que os prefeitos me apoiam, poucos deles têm dificuldades politicas. Eles têm dificuldades financeiras, mas na grande maioria têm feito bom trabalho por causa de nosso auxilio".

Leonardo Araújo (MDB), por sua vez, afirma ter apoio das prefeituras de Pacatuba, Carnaubal, Palmácia, Uruburetama, Ibaretama, General Sampaio, Icapuí e Potiretama. Segundo ele, há um vínculo forte entre as atividades dos executivos municipais, Assembleia e Câmara Federal. "Através dos recursos oriundos do Senado, houve melhoria da visibilidade dos parlamentares. Essa melhoria na distribuição de recursos vai ajudar os prefeitos no apoio que vão dar aos parlamentares", frisa.

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