segurança pública

Deputados de oposição dominam as discussões

A violência dos últimos dias no Ceará motivou os mais longos discursos no plenário da AL, na sessão de ontem

Na sessão de ontem, oposicionistas se revezaram na tribuna do Plenário 13 de Maio quase vazio, em pronunciamentos para poucos deputados ( Foto: José Leomar )
01:00 · 28.03.2018

A onda de violência, em Fortaleza e outros pontos do Estado, nos últimos dias, dominou os debates, ontem, no plenário da Assembleia Legislativa. Deputados da oposição criticaram a "fragilidade" do Executivo cearense diante do aumento no número de homicídios e outras práticas criminosas, ressaltando a importância de mais investimento num serviço de inteligência eficiente na área da Segurança. A liderança do governo, por seu turno, defendeu o combate à violência através da força policial e criticou o "discurso fácil, para ganhar o voto da população".

Para o deputado Heitor Férrer (SD), a situação de violência agravada no Estado com os últimos atentados ocorridos na Capital, supostamente, a mando de organizações criminosas, demonstra um Estado "desorganizado, fragilizado e incompetente para dar uma resposta à sociedade". O parlamentar lembrou que é "função primordial do Estado dar segurança pública ao ir e vir" da população.

"O Estado está se desmontando, se derretendo, porque nós não temos segurança pública, o Estado perdeu o equilíbrio e faz pena a figura do governador. Como um governante lambido, fraco, que não tem tido respostas e nem dado respostas à sociedade, o povo tá ávido por soluções e eu tenho dito que não é só polícia que resolve, não adianta o governador achar que vai resolver a violência só com Polícia, se junto com essa repressão não existir políticas públicas sociais", apontou.

Segundo Férrer, a população está com "síndrome do pânico" de andar nas ruas de Fortaleza, porque a política de combate à violência tem sido uma "vergonha, sem qualquer êxito". Ele cobrou a atuação preventiva do setor de Inteligência no Ceará. "Para não acontecer o crime, para detectar onde vai acontecer a barbárie, para que se possa evitar a tragédia das famílias, a destruição de regionais no Estado, a queima de carros, do patrimônio do povo", alertou.

Fortalecer

O deputado Ely Aguiar (PSDC) foi outro que reclamou também sobre os resultados alcançados pela Inteligência e pôs em xeque a atuação do secretário de Segurança Pública, André Costa, sugerindo que a cúpula da segurança mude as estratégias adotadas e não foque apenas no aumento das viaturas. "Carro não pensa, governador. Quem pensa é a Inteligência da Polícia, é ela que precisamos fortalecer. O Ceará Pacífico se transformou em utopia, porque, literalmente, em termos de segurança, a vaca foi pro brejo", enfatizou.

O deputado Capitão Wagner (PROS) também criticou o "silêncio ensurdecedor" do Governo estadual, após os últimos crimes ocorridos na Capital, e cobrou do Estado o cumprimento de determinação judicial para instalação de bloqueadores de sinal de celular em presídios cearenses. Wagner usou a tribuna, ainda, para denunciar suposto envolvimento de integrante do Governo com o crime organizado, mas sem citar nomes, o que, segundo ele, teria sido o real motivo para a Assembleia ter arquivado o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigasse o narcotráfico no Estado.

"Eu tenho plena convicção de que a CPI do narcotráfico foi arquivada por receio da Inteligência com os deputados descobrirem o envolvimento de membros do Governo com o crime organizado, porque tem secretário do governo Camilo que é casado com a ex-primeira dama do PCC do Estado, (é) informação da Polícia cearense", disse, sem citar nome de alguém.

O deputado Evandro Leitão (PDT), líder do Governo na Assembleia, pediu que o parlamentar apresentasse os nomes, dizendo que ele faltou com a "responsabilidade" ao fazer denúncias "vazias e politiqueiras", que não contribuem "em nada com o debate". Evandro fez questão de enfatizar que o governador Camilo Santana (PT) tem "coragem" para enfrentar o desafio da Segurança.

"Camilo, com sua equipe, fez planejamento. É desafiante, mas são mais de 9 mil os homens contratados para a Polícia, a estrutura física dos órgãos de segurança, armamento que se está comprando para combater a violência e criminalidade. Se combate a violência com repressão, com força policial, contratando policiais militares e civis, aquisição de novas viaturas. Usam de discurso fácil para ganhar o voto da população", apontou o líder, insistindo na falta de responsabilidade da acusação sem nomes.

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