Cenário político

Deputado questiona democracia brasileira

Em discurso de cerca de 20 minutos, Lucílvio Girão (PP) criticou a classe política e a falta de políticas públicas

O parlamentar do PP chegou a dizer que não é a favor de uma ditadura truculenta, mas sustentou que os governantes da época tiveram méritos ( Foto: José Leomar )
00:00 · 17.02.2017

A democracia existente no País não é a que o povo queria. A declaração envolta a polêmicas partiu do deputado estadual Lucílvio Girão (PP) em discurso, ontem, na Assembleia Legislativa. Durante pronunciamento de cerca de 20 minutos, o parlamentar lançou vários questionamentos sobre o atual cenário político. "Uma democracia cheia de corrupção, em que o cidadão de bem não tem mais o direito de ir e vir, pois pode ser assaltado", disparou. Ele disse lembrar que, ainda jovem, ouvia muitos dos que hoje estão no poder falar em democracia e criticar os generais e coronéis. "Como eles criticavam! Agora esse povo está no poder e, muitos, estão citados na Lava-Jato", apontou.

Lucílvio ressaltou que não é a favor de uma ditadura truculenta que tirou vidas, mas sustentou que os que estiveram no poder, na época, tinham seus méritos. "Alguns até foram truculentos e tiraram da vida pública grandes homens, como meu amigo que passou por esta Casa, historiador e escritor deputado Barros Pinho, que foi preso naquela época". Ele citou também o jornalista de sua família e ex-deputado, Blanchard Girão. "Mas eram grandes homens que morreram pobres", afirmou.

"Na época de hoje, há uma democracia que não aceito, de corrupção, de roubo, onde o cidadão não pode mais sair de casa. O comerciante vive com grades nas portas. Que democracia é esta?", questionou o parlamentar. "Na década de 70 e 80, os pais de famílias em Fortaleza e no Interior sentavam à noite na calçada com os vizinhos; hoje se acabou isso, porque é assaltado. Não se pode nem estar na parada de ônibus que levam o celular e até matam", relatou.

Tráfico

Ainda lamentando a epidemia de violência nos dias atuais, Girão afirmou que os traficantes de drogas tomam conta de bairros da Capital e do Interior. "Se entrar em bairros de carro com vidro escuro pode levar um tiro. Que democracia é esta? Cadê o direito de ir e vir das pessoas? Os jovens são mortos por causa das drogas. Os traficantes estimulam que entrem nas drogas e depois, já sem dinheiro, esses meninos vão roubar perto de casa, e os traficantes matam esses jovens para dizer que a Polícia não pode ir lá. Que País é esse?".

Para Lucílvio Girão, a Educação pública no Ceará "até que melhorou", mas, no Brasil, classificou como "porcaria", diferente do que se tinha no passado. "Eu, que estudei no colégio público a vida toda, me orgulhava de estudar no Figueiras Lima, onde tinha que fazer prova de admissão, se preparar para passar. Tínhamos bons professores", destacou ele. "No Liceu (quem ensinava), eram professores da universidade. Iam dar aulas de paletó. Quantas pessoas hoje são médicos, escritores, jornalistas, profissionais liberais que passaram pelo Liceu do Ceará?".

Uma das maiores dificuldades dos gestores estaduais e municipais na atualidade é a Saúde pública. O problema também foi levantado pelo deputado. "Acabaram com ela nos últimos 30 anos, no Brasil. O grande Adib Jatene, cirurgião vascular que hoje não se encontra mais entre nós, introduziu a CPMF. Na época fui a favor, pois confiava naquele homem de bem que queria o imposto para a saúde. Ele foi ao Senado e convenceu os senadores, depois os deputados, até que foi aprovada. Com três meses, com essa democracia fajuta, desviaram o dinheiro da saúde".

Eleições

"A Saúde hoje é de uma dificuldade imensa. As pessoas estão morrendo. Camilo (Santana) não tem culpa, porque é coisa que vem de 20 anos. Fui ao Hospital Geral de Fortaleza e faz é vergonha. O diretor (da unidade) não tem culpa, me atendeu divinamente bem, mas as filas são enormes. Hospitais estão fechando. Que democracia é esta? O povo está sofrendo".

O pepista afirmou, ainda, que nas eleições presidenciais de 2018, caso não haja entre os candidatos um cearense, votará no deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). "Sou bairrista e gosto de minha terra, mas se não tiver ninguém do Ceará, vou com esse Bolsonaro porque ele é contra o aborto e também sou. Diz que bandido é para estar na cadeia, e deve mesmo. É a favor do pessoal andar armado e eu também sou, principalmente nas suas residências, fazenda ou casa de praia. Tem algum roubo contra ele? Foi citado na Lava- Jato? Até agora, nada. Mas atitude ele tem", declarou Lucílvio Girão.

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