Compra de votos

Deputado denuncia caso na cidade de Juazeiro

O parlamentar não disse nomes de prováveis infratores, mas citou o vice-prefeito da cidade como uma testemunha

01:00 · 10.08.2018
 Manoel Santana
O deputado petista Manoel Santana voltou a denunciar, ontem, no plenário da Assembleia, a compra e venda de votos no Interior do Estado ( Foto: José Leomar )

O deputado estadual Manoel Santana (PT), ontem, voltou a denunciar a compra e venda de votos nas eleições deste ano, citando o Município de Juazeiro do Norte, onde exerce a sua principal atuação política. Ele disse que o processo eleitoral está "inteiramente viciado". Em Juazeiro, afirmou o parlamentar, a compra de votos é feita por candidatos que "nunca prestaram serviço à Região". Ele não citou nome ou nomes dos que estariam praticando a ilicitude.

Segundo Santana, o vice-prefeito de Juazeiro do Norte, Giovanni Sampaio (PSD), gravou um vídeo, na última quarta-feira, reclamando sobre a "invasão de candidatos paraquedistas" no Município, que "nunca prestaram serviço à Região". O deputado afirmou, sem citar nomes, que esses postulantes estão "pagando lideranças e utilizando-se da pobreza extrema de algumas pessoas para tirarem proveito eleitoral". Santana disse que estava relatando o fato na tribuna da Casa, após ter sido autorizado pelo vice-prefeito.

"Determinado candidato que tem muito dinheiro, que presta uma série de serviços públicos em várias prefeituras do Estado, já anda negociando valores com lideranças do Município de Juazeiro. Ele (o vice-prefeito) citou nomes e disse que está à disposição para dizer onde for convocado. (São) Valores absurdos: R$ 100 mil, R$ 120 mil para que as lideranças transfiram votos para uma pessoa que não tem absolutamente nenhum serviço prestado naquela Região".

Ainda segundo Santana, candidatos estariam abusando do poder econômico para captar votos. "Chama os funcionários das empresas com que ele tem relação e oferece dinheiro da seguinte forma: 'traga cinco títulos de eleitor e você vai ganhar cesta básica e vai concorrer a um sorteio de três motos'".

Consciente

Para o petista, que em outras oportunidades tratou dessa mesma questão relacionada à compra de votos, na Assembleia, inclusive chegando a ser chamado a prestar depoimento ao procurador regional Eleitora, Anastácio Nóbrega Tahim Júnior, sem declinar nomes, a compra de voto se tornou uma prática "corriqueira e aceitável". Outros deputados também denunciam a compra de votos no Interior e já foram ao Ministério Público.

Ele disse que, desde o golpe militar, a disputa eleitoral sempre foi favorável "àqueles que se apropriaram do poder do Estado" e, por isso, o processo está "inteiramente viciado". Prosseguindo, frisou que tudo "começa nos municípios. Não é raro quando você vai discutir com autênticas e verdadeiras lideranças, chamando-as para participarem da disputa eleitoral, elas dizerem que não têm dinheiro para gastar na campanha. É esse tipo de relação que permite a manutenção daquelas pessoas que dão sustentação a esse modelo opressor nas casas legislativas".

Para o deputado, o eleitorado tem neste ano uma grande oportunidade de iniciar uma mudança, "E essa mudança não deve ser feita nem com o voto branco nem com o voto nulo", defendeu. Ele acredita que as irregularidades na campanha eleitoral serão combatidas, efetivamente, a partir do voto consciente da população.

"Não será nem a Polícia Federal, nem o Ministério Público, mas, sim, o próprio povo consciente. Se não for assim, eles (os infratores) vão continuar sendo eleitos, comprando votos. E quando estiverem no poder vão retirar o que investiram e vão votar contra os trabalhadores".

Prejudicando

O deputado Carlos Felipe (PCdoB), ao apartear a fala do colega, também ressaltou o papel do eleitor para mudar a forma de se fazer política. "Eu acredito mesmo na educação. É muito comum a gente ouvir das pessoas: 'ah os políticos são assim, são assados', mas são as pessoas que elegem os políticos, são elas que votam. Quem troca o voto por dinheiro está prejudicando a maior parte da população".

"Eu acho que, infelizmente, ainda existe muita gente, sobretudo nas regiões do Interior, onde você monitora facilmente a quantidade de votos que vai tirar, em que o poder econômico se liga ao cabo eleitoral e uma pessoa que nunca prestou serviço àquela área, tem votação expressiva", acrescentou.

Para Felipe, a Justiça Eleitoral, apesar de tentar solucionar a questão da corrupção durante o pleito, não possui estrutura para realizar o controle e o eleitor é peça fundamental nessa questão. A deputada Silvana Oliveira (PR) disse que há regiões do Estado em que nada mudou, mesmo com tudo o que aconteceu no País nos últimos anos. "Não vejo mudança na prática de como o eleitor escolhe seu candidato. O cenário que temos nunca foi culpa do político, mas de como pensa a população".

A republicana afirmou que vai continuar focando no voto do eleitorado conservador, pois disse não querer "ninguém votando comigo insatisfeito". Além do eleitor que vende o voto, ela criticou uma possível "perseguição" que candidaturas ligadas às igrejas estariam sofrendo, em especial por órgãos de fiscalização, sob a alegação de estarem infringindo a lei. "Eles querem evitar candidatos cristãos que representem as igrejas", apontou.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.