dragagem e beira-mar

Deputado defende a compatibilidade das duas obras

Para Roberto Mesquita, o entendimento entre os dois agentes públicos renderá benefícios pelo menor custo

01:00 · 20.06.2018
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Deputado Roberto Mesquita defende que a areia retirada de parte do Porto do Mucuripe seja utilizada nas obras da Avenida Beira-Mar ( FOTO: JOSÉ LEOMAR )

O deputado Roberto Mesquita (PROS) defende o compartilhamento das obras de dragagem de parte do Porto do Mucuripe com as da Avenida Beira-Mar, para reduzir as despesas da Prefeitura de Fortaleza em aproximadamente R$ 11 milhões com a utilização da areia a ser retirada do fundo do mar na área do Terminal Marítimo para o projeto de ampliação da faixa de praia da Beira-Mar.

O deputado Dedé Teixeira (PT), no entanto, criticou a fala de Mesquita, dizendo que a ideia de aproveitar a areia retirada do Terminal Marítimo para a Beira-Mar não é tão "simplória". "Essa técnica é inviável, até encarece mais o projeto. Isso se trata de uma obra mais complexa, mexe com o estuário marinho. A corrente marítima não é tão simplória assim. O convencimento aí passa é longe", opinou.

Segundo Mesquita, uma das primeiras etapas do projeto de requalificação e urbanização da avenida Beira-Mar será o aumento da faixa de areia, conhecido como 'engorda', para uma extensão aproximada de 1.150 metros da praia. A ampliação ocorrerá em dois trechos da orla da Capital: entre os espigões da Rua João Cordeiro e da avenida Rui Barbosa e deste local até o espigão da avenida Desembargador Moreira.

Para o deputado, cerca de R$ 11 milhões serão desembolsados somente com a mobilização e desmobilização do equipamento de draga, responsável por retirar a areia do fundo do mar e utilizá-la para 'engordar' a praia. Bem perto dali, diz o parlamentar, no Terminal Marítimo de Passageiros do Porto de Fortaleza, o mesmo equipamento foi alugado para também retirar areia do mar.

Para ele, esse material poderia ser levado para a Beira-Mar, economizando, assim, dinheiro público. Segundo Mesquita, a areia que será retirada do Terminal Marítimo, para aumentar a profundidade e permitir que navios maiores ancorem no local, deverá ser levada para uma distância de até nove quilômetros dali e ficará sem serventia. Ele relembra que o mesmo fato aconteceu em 2010, quando da criação do atual aterro da Praia de Iracema.

Ambiental

Na época, Mesquita, então vereador de Fortaleza, diz ter pedido que a areia dragada do Porto do Mucuripe fosse aproveitada na requalificação da Beira-Mar. Segundo ele, dos 6 milhões de metros cúbicos de material que foram retirados do mar, a maior parte era "limpo" o suficiente para ser colocado na praia.

"Uma parte desse material era dito sujo pela presença de óleo e outras sujeiras e pela licença ambiental ele tinha que ser isolado e essa quantidade de material que deveria ficar isolado era cerca de 1,5 milhão de metros cúbicos. Ora, nós estamos falando de 6 milhões, sobrariam 4,5 milhões de material bom".

Na época, segundo Mesquita, os gestores públicos alegaram que cada órgão tinha convênio com secretarias diferentes no Governo Federal, nesse caso, a Prefeitura de Fortaleza havia celebrado uma parceria com o Ministério da Integração Nacional e, por isso, a sugestão dele não poderia ser acatada. Desta vez, no entanto, o deputado disse que entrou em contato com o presidente da Companhia Docas do Ceará, administradora do Terminal de Passageiros do Porto de Fortaleza, César Pinheiro, que concordou com a ideia de levar a areia dragada para a Beira-Mar, mas disse que não fazia esse procedimento porque ninguém "nunca" pediu.

Para o deputado, é "inadmissível nós não chamarmos esses entes públicos para sentar e dizermos: somos brasileiros. A Docas é do Brasil, a Prefeitura é do povo, por isso defendemos o compartilhamento das obras em benefício da comunidade".

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