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Paulo Cesar Norões: Pacto por sobrevivência?

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Paulo Cesar Norões

Colunista de Política • pcnoroes@diariodonordeste.com.br

01:00 · 29.01.2018

Ao sinalizar que deve chamar aliados de esquerda para conversar sobre alianças eleitorais neste ano, o Partido dos Trabalhadores (PT) dá o primeiro sinal de mea-culpa em relação às decisões pragmáticas que tomou ao longo do tempo, sobretudo na aproximação com o MDB, antigo PMDB. A reaproximação com a esquerda demorou, avaliam aliados. Só veio agora, um momento em que o partido está vendo se esgotarem possibilidades de Lula vir a ser candidato à Presidência. Até então, partidos como PDT e PCdoB, fiéis aos governos petistas, foram tratados como aliados de segunda categoria em âmbito nacional. Líderes destes partidos chegaram a fazer críticas à postura petista, mas ao longo do tempo, nada mudou. A não ser agora, por uma razão muito simples: sem Lula, o pacto com as esquerdas se torna sobrevivência ao PT.

A conferir

Um dos procurados pelos petistas será Ciro Gomes, pré-candidato à Presidência da República pelo PDT. Em ocasiões eleitorais no passado, Ciro acabou sendo preterido por Lula e pelo PT. Afastado de eventos públicos por conta de um cirurgia, Ciro só deve retomar as andanças no fim desta semana. Pela assessoria, diz que Carlos Lupi, presidente do partido, é que tratará de alianças neste momento.

Controle

A chacina ocorrida no bairro Cajazeiras no último sábado escancarou o controle que as facções criminosas têm na periferia da Capital cearense. Um verdadeiro estado paralelo, financiado com a venda de drogas, com pesado armamento e regras claras, tendo a morte como punição capital. Um horror ao qual está submetida a população mais vulnerável.

Descontrole

Tem surtido pouco efeito o pesado investimento que o Estado tem feito em Segurança - a julgar pelas estatísticas. A hora é de rever conceitos, repensar a estratégia e somar forças para tentar superar uma problemática gravíssima que preocupa a toda a sociedade cearense. O governador Camilo, ao reunir diversos órgãos, em força-tarefa, parece dar o primeiro passo.

Incompreensível

É difícil compreender como um Estado que negocia parceria com o Porto de Roterdam e uma refinaria de petróleo com chineses, atrai um hub aeroportuário conectando Fortaleza às principais cidades da Europa não consegue dar uma resposta à altura do desafio que a bandidagem tem feito ao Poder Público e às autoridades constituídas.o jogo precisa virar.

Medidas

Camilo anunciou, ontem, a formação de um grupo especializado da Polícia Federal para combater o crime organizado e dar mais forças ao combate ao tráfico de drogas. Será criado ainda um colegiado do Tribunal de Justiça específico para o julgamento de casos que envolva o crime organizado. Ações emergenciais que podem ajudar a melhorar a situação.

"O controle é do Estado. Sempre foi e sempre será do Estado"

Camilo Santana, sobre a onda de violência que culminou na chacina com a morte de 14 pessoas no bairro Cajazeiras.

Tem mais...

Crise de insegurança A campanha eleitoral de 2006 já teve como assunto principal o tema da segurança pública, dada a alta preocupação da sociedade com essa temática e com o crescimento da violência na Capital e no Interior. Então candidato de oposição, Cid Gomes lançou uma proposta a qual seria o centro da discussão entre os candidatos ao governo do Estado à época. Era a criação de um batalhão de polícia comunitária, o Ronda do Quarteirão. A ideia era criar um grupamento identificado com a população dos bairros, aumentar a presença da PM e causar uma redução nos índices de violência. Na campanha, a pergunta era: é possível? A população acreditou que sim. Cid foi eleito e cumpriu a promessa. No início da implantação, o projeto melhorou a sensação de insegurança. Mas isso não demorou muito. Hoje, segue a crise de insegurança.

*Inácio Aguiar, redator interino.

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