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Paulo César Norões: fim do protagonismo?

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Paulo Cesar Norões

Colunista de Política • pcnoroes@diariodonordeste.com.br

01:00 · 16.04.2018

PT e PSDB vêm dominando o cenário eleitoral brasileiro desde 1994. Todas as eleições presidenciais nesse período foram disputadas por candidatos dos dois partidos. A Lava-Jato e seus desdobramentos tendem a mudar esse cenário. O PT apostou e aposta todas as fichas em sua principal liderança, o ex-presidente Lula. O problema é que ele está preso. E, ainda que seja solto, está inelegível. E enquanto mantém o foco em Lula, o PT impede o amadurecimento de um novo nome, como bem demonstram os pífios índices de Fernando Haddad e Jaques Wagner nas pesquisas. O PSDB, por seu turno, tem Geraldo Alckmin bem avaliado como governador de São Paulo, cuja candidatura, porém, não decola no resto do Brasil. Pior. Perde intenção de voto onde tradicionalmente tucanos são bem votados, como nos estados do Sul.

No Tesouro

Henrique Meirelles deixou o governo, mas continua dando as cartas no Ministério da Fazenda. Depois de indicar o sucessor, Eduardo Guardia, Meirelles emplacou Mansueto Almeida para a Secretaria de Acompanhamento Fiscal pelo Tesouro Nacional. O economista cearense era a indicação de Meirelles para o Ministério do Planejamento, mas setores do governo não queriam o ex-ministro com o domínio total da economia.

Potencial

PSB comemorou os números de Joaquim Barbosa na pesquisa Datafolha divulgada ontem. Nem tanto pelos números em si, mas pelo que eles representam em termos potenciais. "Candidatura dele tem potencial muito grande. Inclusive, muito maior se considerarmos que a população ainda não está bem informada sobre candidatura", avalia Carlos Siqueira, presidente do PSB.

Potencial 2

De fato, para quem está chegando - ainda nem confirmou se será candidato mesmo - o ex-ministro leva vantagem sobre quem está há mais tempo na estrada. E, embora se coloque como um candidato de centro-esquerda e tenha se filiado a um partido com ideário socialista, por ser um outsider Barbosa tende a atrair simpatia dos descrentes com a política e tirar votos até de Bolsonaro.

Não transfere

Curioso atestar como a ainda grande popularidade de Lula é inversamente proporcional à sua capacidade de transferir votos. Não só pelos baixos índices de Haddad e Jaques Wagner, seus mais prováveis substitutos dentro do PT, mas também pelas mais baixas, ainda, intenções de voto em Manuela D'Ávila (PCdoB) e Gulherme Boulos (Psol), apresentados por ele mesmo como seus herdeiros.

Herdeiros

Pela pesquisa, Marina Silva teria 20% dos votos de eleitores de Lula impedidos de votar no ex-presidente, enquanto Ciro Gomes ficaria com 15%. São hoje, disparados, os dois mais bem situados para herdar o espólio lulista. Mas há um outro grande desafio: tentar reverter a intenção de parte considerável dos eleitores de Lula - 32%, de acordo com a pesquisa - de votar em branco ou anular o voto.

"A oposição está em construção sobre a liderança do senador Tasso Jereissati. Já a situação está desmoronando, pois já não se junta nem para tirar uma selfie"

Danilo Forte
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