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Paulo Cesar Norões: Dura derrota política

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Paulo Cesar Norões

Colunista de Política • pcnoroes@diariodonordeste.com.br

01:00 · 25.01.2018

Foi duríssima a derrota política do ex-presidente Lula com a rejeição do recurso, no TRF-4, contra a condenação imposta ao petista pelo juiz Sérgio Moro, no caso do tríplex do Guarujá. Decisão, aliás, esperada dentro do PT e fora dele. Não se sabia se por 2 a 1 ou 3 a 0. A uniformidade dos votos dos desembargadores, que gerou a unanimidade contra Lula, complicou muito a defesa do petista, que ainda tem um recurso no próprio TRF-4. Depois, ao STJ. A decisão de hoje deixou Lula mais longe da candidatura à Presidência da República e mais próximo da prisão - a pena foi elevada para 12 anos. A decisão, como comentamos neste espaço anteriormente, deve provocar um reagrupamento de forças no campo das esquerdas com vistas às eleições de outubro. Dentro do próprio PT, já se fala em 'plano B' para a disputa.

Sobrevivência

Lula é a maior - e única - liderança petista com densidade eleitoral em todo o território nacional. Durante toda a sua existência, o partido girou em torno de Lula. Inicialmente, na saga para chegar à Presidência. Depois, para o exercício do mandato. E agora, na defesa dele contra as acusações. O resultado do julgamento é lição para o partido a pensar em fortalecer novos líderes, por sobrevivência.

Fora do páreo

Não são verdadeiras as declarações recentes de opositores de Lula, quando dizem querer o petista disputando a eleição. Todos os que estão na corrida ao Planalto o querem fora do páreo. Para estes, a decisão de ontem ainda não é tranquilizadora, pois a inelegibilidade só será julgada em momento posterior. Agora, porém, já há um direcionamento.

Paradoxo

Por mais paradoxal que seja, o PT precisa construir nova liderança com capilaridade nacional, na mesma medida que precisa de Lula, mais do que nunca, para manter no Congresso Nacional uma grande bancada - hoje, tem a segunda maior na Câmara, com 57 deputados - e assim ter forças para manter a estrutura e fazer as reformulações.

Sem prejuízo

O ex-governador Cid Gomes foi absolvido em ação proposta contra ele e mais 10 pessoas pelo Ministério Público Federal em relação a um empréstimo concedido no valor de R$ 1,3 milhão pelo Banco do Nordeste, em 2014. O juiz federal Sérgio de Norões Milfont Júnior considerou que não houve prejuízo ao banco por conta do uso de imóvel de maior valor como garantia.

Na normalidade

Ao submeter a decisão sobre a posse de Cristiane Brasil no Ministério do Trabalho, a presidente do STF, Cármen Lúcia, evita se indispor com a opinião pública. Esta é a avaliação do governo Temer sobre o andamento do caso no STF. A opinião pública resiste à ocupação do cargo por uma pessoa condenada na Justiça do Trabalho. Mas o governo segue achando normal.

"Em relação ao ex-presidente, o governo não tem que opinar. É uma questão da Justiça"

Carlos Marun, secretário de Governo de Temer, ao seguir a orientação do presidente de que os ministros não devem se manifestar sobre o caso.

Tem mais...

Sobre amizade: Luiz Inácio Lula da Silva, condenado, ontem, em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro, experimenta agora o momento mais difícil de sua trajetória política. A última vez que o entrevistei, em meio a um batalhão de outros repórteres, foi em junho de 2010, quando ainda era presidente da República, com aprovação popular superior a 80%. Lula e o PT haviam decidido que Dilma Rousseff seria a candidata à sucessão. Ele esteve em Fortaleza para lançar um banco de sangue de cordão umbilical, mas obviamente, a pauta toda era política. Lula já havia encerrado a coletiva, quando eu questionei a ausência de Ciro Gomes, seu aliado, na visita - à época Ciro queria ser candidato indicado pelo governo, mas não teve sucesso. O ex-presidente retornou e disse: "ele deve está fazendo coisa melhor, no Rio de Janeiro, que é estar com a namorada. Mas asseguro que minha amizade com Ciro é eterna".

Inácio Aguiar, redator interino.

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