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Paulo César Norões: consequências incertas

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Paulo Cesar Norões

Colunista de Política • pcnoroes@diariodonordeste.com.br

01:00 · 08.09.2018

Os efeitos do atentado a Jair Bolsonaro na sucessão presidencial só deverão ser sentidos no decorrer da campanha. Não há como cravar se o nefasto episódio impulsionará, ou não, a intenção de votos no candidato do PSL, que já vinha liderando as pesquisas após o veto à candidatura de Lula, mas com problema de rejeição alta e cenário desfavorável em eventuais disputas de segundo turno contra três dos principais adversários - Ciro, Marina e Alckmin -, ganhando apenas de Haddad - na verdade, um empate técnico, já que a diferença seria de apenas um ponto. O atentado pode gerar comoção e solidariedade a Bolsonaro e, com isso, mais votos. Mas pode, também, despertar em parte dos eleitores um sentimento de aversão aos discursos mais radicais. E aí Bolsonaro e o PT, que polarizam os antagonismos, poderiam ser os mais prejudicados.

Complexo

Mas, o caso não é tão simples de se resolver. Não há, até o momento, um candidato de centro-direita ou centro-esquerda que tenha conquistado esse eleitor mais moderado. Cada um a seu modo, tem algum tipo de restrição. Ciro, pelo temperamento considerado instável; Marina pela aparente fragilidade; Alckmin, pelo peso das denúncias contra o PSDB; e Álvaro e Amoêdo, pela falta de visibilidade.

Ajustes

O fato é que todos os candidatos devem estudar o momento e definir ajustes em suas campanhas e discursos. É deles a responsabilidade de definir se teremos mais acirramento de ânimos e um clima de guerra, ou se o processo eleitoral reencontrará seu caminho natural de ambiente propício para discussão de ideias que visem solucionar os graves problemas do País.

Exposição

Violência e suas consequências físicas à parte, o atentado gerou dividendos políticos imediatos para Bolsonaro. O candidato, que não tem mais do que alguns segundos na propaganda eleitoral, de repente se viu alçado a protagonista de toda a mídia impressa, digital e eletrônica por mais de 24 horas. E não há dúvida de que o episódio estará presente em toda a campanha.

Tráfico...

Um dos gargalos estaduais é a segurança pública. Entre 1980 e 2016, cerca de 910 mil pessoas foram mortas com o uso de armas de fogo no Brasil, segundo o Atlas da Violência 2018. E não adiantaria só fechar as fronteiras porque levantamento das autoridades constituídas mostra que 80% das armas apreendidas são de fabricação nacional.

...De armas

Em segundo lugar aparecem as armas oriundas dos EUA, mas com apenas 2,5%. Preocupado com a situação, o deputado estadual Renato Roseno (PSOL) acaba de apresentar projeto de lei que dá prerrogativa ao Executivo a prevenir, combater e erradicar o tráfico ilícito de armas de fogo, suas peças e munições. Um tema que merece ser dissecado.

"Mesmo com o crescimento do Ciro e a posição da Marina, acredito que o Haddad crescerá mais".

José Guimarães, deputado federal e coordenador da campanha presidencial do PT, no Ceará, sobre a pesquisa do Ibope divulgada na última quarta-feira

Tem mais...

Errata Por um lapso, coluna antecipou em uma semana a homenagem que a Universidade Federal do Ceará prestará ao médico Pedro Henrique Saraiva Leão. Entrega do título de Professor Emérito será na verdade na próxima quinta (13), às 19h, no Auditório da Reitoria.

Mensagem Dentre as inúmeras manifestações de políticos sobre o ataque a Bolsonaro, destaque para a do vereador e candidato a deputado estadual Evaldo Lima: Violência não dialoga com a democracia. E arrematou com uma frase de Mahatma Gandhi: "Olho por olho o mundo acabará cego!"

Mega Zezinho Albuquerque cuidou para que o comício de ontem, na sua Massapê, fosse um megaevento. Para tanto, levou caravanas da Ibiapaba, Sobral e municípios vizinhos. Cerca de 30 mil pessoas para aplaudir Ciro, Cid e Camilo.

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