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Paulo Cesar Norões: A posição do MDB no jogo

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Paulo Cesar Norões

Colunista de Política • pcnoroes@diariodonordeste.com.br

01:00 · 17.01.2018

O ano eleitoral de 2018 começa com o primeiro e, talvez, o principal impasse a ser resolvido na formação das chapas que disputarão o governo do Estado: a posição do MDB, partido do presidente do Senado, Eunício Oliveira. Aliados dele dão como certa a reaproximação com o governador Camilo Santana e, por consequência, com grupo liderado pelo ex-governador Cid Gomes, que já consente a aliança, conforme já abordado neste espaço no início da semana. Eunício tem dito que, com apoio de 70 prefeitos (número que tem repetido em conversas), pode figurar tanto na base governista quanto na oposição. O que estaria em jogo, dizem aliados, é a ocupação de cargos como a Presidência da Assembleia e a antecipação do debate de 2020 (sucessão de Roberto Cláudio) e do próprio Camilo, caso reeleito, em 2022.

Útil ao agradável

A reaproximação com o grupo governista seria a garantia a Eunício de um caminho pavimentado para a reeleição ao Senado. Os dados de recentes pesquisas que circulam entre políticos cearenses apontam cenário difícil para o presidente do Congresso, caso postule retorno ao Senado na oposição. Por outro lado, o governo tenta trazer mais grupos para o seu guarda-chuva eleitoral.

Troca-troca

Sai crise, entra crise e a dinâmica política brasileira - e cearense - segue o mesmo fisiologismo que destrói o prestígio dos partidos enquanto entidades de debate de ideias e ideologias e os transforma apenas em meros cartórios, dispostos a tudo pelo poder. A desmoralização é tamanha que muitos parlamentares nem pretendem esperar a janela de março para a troca indiscriminada de legendas.

Tão distante...

Mais de 4 mil quilômetros separam Fortaleza e Porto Alegre, a Capital do Rio Grande do Sul, onde ocorre, no próximo dia 24, o julgamento do ex-presidente Lula pelo TRF-4, no caso do tríplex do Guarujá. Goste ou não dele, o petista tem ocupado o posto de maior líder nacional. O resultado judicial deve ter reflexos políticos diretos, inclusive na política cearense.

... E tão perto

A possível candidatura de Lula significa muito para o PT do governador Camilo Santana, que quer, até o limite, foco total na questão nacional. E cujas decisões locais serão reflexo disso. A oposição, meio sem rumo, também quer saber se o petista pode ou não ser candidato para decidir a melhor estratégia para disputar o Palácio Abolição. Lula é o centro do debate.

Sem medo...

No bate-papo ao vivo que fez, ontem, com a população, por meio do Facebook, o governador foi questionado sobre os problemas da segurança pública. Ele enumerou os investimentos que tem feito na área, inclusive com a convocação de 730 novos policiais civis para curso de formação. Além do batalhão de divisas e as novas equipes do grupamento Raio.

...Das perguntas

Na Saúde, um cidadão quis saber quando teria material para as cirurgias no HGF, ao que Camilo respondeu: "tivemos, em 2017, 12% a mais de cirurgias do que no ano anterior na rede estadual. Só no HGF foram mais de 11 mil cirurgias". Ao fim das perguntas, Camilo pediu para que a população siga cobrando e debatendo por meio daquele espaço.

"O Brasil não precisa de um showman. Precisa de quem resolva o problema"

Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, conclamando partidos a lutarem contra "aventureiros" e "extremistas" para evitar "que ocorra o que houve na Venezuela".

Tem mais...

Sobre índios e Índios

Campanha eleitoral de 2010 à Presidência da República. O então presidente Lula surfava em popularidade superior a 80% de aprovação. Destaque para o Nordeste, sempre a região com maior potencial. O PSDB iniciava a campanha com José Serra, candidato, visitando menores municípios para tentar reverter vantagem de Dilma, que viria a se confirmar nas urnas. Chegando ao município de Senador Sá, na Zona Norte do Ceará, Serra desfilou em carro aberto e participou de um comício com a presença de líderes tucanos no Estado. Ele discursava, mas um eleitor insistia em interrompê-lo para fazer uma colocação. Até que o candidato resolveu ouvi-lo: "o seu vice é um índio, né?", questionou o rapaz, arrancando risos no palanque e na plateia. "Não", respondeu o tucano. "O nome dele é Índio, mas ele não é um índio". A figura em questão era Índio da Costa.

Inácio Aguiar, redator interino.

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