Entrevista

Ciro prega experiência e busca 'grande projeto' para o País

Pré-candidato do PDT, ele diz que, se eleito, 'pintará o Ceará de ouro'

01:00 · 14.04.2018 por Miguel Martins - Repórter
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Ciro Gomes disse ontem, em visita ao Sistema Verdes Mares, que quer recrutar um empresário do Sul ou do Sudeste para ser seu candidato a vice ( Foto: José Leomar )

Próximo a enfrentar a terceira candidatura à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT) tem pela frente algumas barreiras a serem superadas, como o desconhecimento que parte da população tem de sua figura política e o temperamento, que no passado foi um de seus principais opositores. Mais compenetrado, como ele mesmo diz, o pedetista afirmou ao Diário do Nordeste que está com mais experiência e, caso seja eleito presidente, vai "pintar o Ceará de ouro". Na entrevista a seguir, ele também fala sobre a aproximação entre o governador Camilo Santana (PT) e o senador Eunício Oliveira (MDB) no Estado, e também sobre o candidato a vice que busca para sua chapa.

Qual é a avaliação que o senhor faz da sua campanha, hoje, em relação às duas últimas em que disputou a Presidência?

É natural que este momento seja de especulação. O Brasil ainda verá muitas questões centrais se consumarem para termos mais clareza. Hoje, vejo como se estivéssemos nos treinos livres da Fórmula 1. Nesses treinos livres têm cinco carros que estão ali mais favoráveis, que são o Lula, eu, a Marina, o Bolsonaro e o Alckmin. Correndo por fora, agora, chegou o Joaquim Barbosa que representa, pelo menos no adjetivo, uma mudança política. Mas ainda há muitas questões a serem respondidas.

Haverá candidatura do Lula? Essa é a grande imponderabilidade. Pela Lei, hoje, ele não fica. Claro que isso me dói o coração. O Lula, para mim, não é figura que conheço pela televisão ou jornal. É um velho camarada que discordo e concordo há mais de 30 anos. E nos últimos 16 anos ajudei o Lula sem faltar um dia.

Qual a expectativa do senhor quanto às alianças partidárias que poderão ser feitas para fortalecer a sua campanha? Já existe uma preocupação com o nome para vice na chapa?

Essa preocupação existe, e é bom que se preocupe com o vice, porque é impressionante a quantidade de vices que chegaram lá. Temos o Michel Temer mais recentemente, mas já tivemos o (José) Sarney e o Itamar (Franco) lá atrás, que foi o presidente que fez o Real. O Fernando Henrique fraudou a história, mas foi o Itamar o responsável pelo Real. Estou observando, mas quero ver se recruto um empresário do Sul, do Sudeste, alguém de Minas Gerais ou de São Paulo para completar um pouco a chapa. Tem que colocar um cara mais conservador, porque as pessoas acham que sou um pouco agressivo. Mas só sou agressivo para cima. É porque o pessoal não sabe, mas R$ 57,70 de R$ 100 que arrecadamos vão para os banqueiros, para 10 mil barões do sistema financeiro. É isso o que conto, e as pessoas querem satanizar o carteiro para não receber a carta.

O senhor espera herdar alguma parcela do quinhão petista, no caso de Lula não ser candidato?

Se ele não é candidato, a minha responsabilidade cresce muito. E isso começa a ser percebido. Eu tenho que entender que vou ser muito provado, muito insultado. Tentarão criar obstáculos a quem pretende unir o Brasil em torno de um novo projeto de desenvolvimento. Com isso que está acontecendo ao Lula, minha responsabilidade está crescendo.

O que de novo o senhor pretende oferecer aos brasileiros, para sensibilizá-los a sufragar o seu nome?

Eu sou a mesma pessoa, só que mais estudado e mais velho. Fui prefeito com 29 anos, fui o governador mais jovem, com 32 anos, e o mais jovem ministro da Fazenda, com 36 anos. É natural, como pessoa superexposta, que eu seja conhecido por vários ângulos. Você fala a vida inteira e sempre tem uma fala fora do lugar, um gesto mais duro. E as pessoas cobram de mim que tenho que segurar a língua, e estou muito compenetrado. Mas agora é mais fácil, porque completei 60 anos, sou avô, estudei muito nesse período todo, me afastei da política porque quis. Se eu conseguir chegar à Presidência do Brasil, vou pintar este Estado todo de ouro, isso no sentido metafórico. Porque é a ele que tudo devo. Só tenho a agradecer ao povo cearense.

Que choques o novo presidente deve dar para começar a mudar o que há de errado no País?

Estou trabalhando em um grande projeto nacional de desenvolvimento, uma proposta sofisticada. Existem mais de 500 pessoas trabalhando nisso, e temos que desenvolver a condição para que o País cresça para resolvermos três grandes gargalos. O primeiro é o explosivo endividamento das famílias e das empresas. São 60 milhões com endividamento no SPC e as empresas têm dívidas de R$ 2 trilhões, dos quais R$ 600 bilhões já estão nas contas dos bancos como crédito de recuperação duvidoso. Se não resolver isso, não teremos investimento privado para tocar o crescimento. A outra grande tarefa é sanear as contas públicas. O Brasil está completamente falido. Falta dinheiro para tudo. [...] E terceiro: o Brasil está proibido de crescer porque (com) qualquer possibilidade de crescimento, como não se preparou a produção brasileira, nós geramos importação grande que pressiona a taxa de câmbio, e o Brasil quebra. É preciso resolver isso.

No Ceará, qual é a participação do senhor na formação da chapa governista?

Tenho mantido certa distância, até porque o (governador) Camilo é quem tem que conduzir esse processo. Eu voto nele e, quando for procurado, com a experiência que tenho, vou recomendar que sigamos coerentes com nossos valores e evitemos determinados tipos de conchavos que são mal-entendidos pela população como conversa de gabinete para tirar o povo da jogada.

E se o Camilo estiver ao lado de Eunício Oliveira na disputa eleitoral deste ano, como o senhor irá se comportar?

Ele (Camilo) é quem manda. Mas eu, muito improvavelmente, serei fotografado ao lado dessa chapa.

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