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Cid é o avalista dos acordos para a eleição de Ciro Gomes

O ex-governador do CE, ao ser negociador das alianças de Ciro, insere-se no contexto da política nacional

01:00 · 02.06.2018 por Edison Silva - Editor de Política
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Cid Gomes, ex-governador do Ceará, está ampliando, consideravelmente, sua participação no contesto da política nacional ( FOTO: THIAGO GADELHA )

Os acordos políticos para a consolidação da candidatura de Ciro Gomes (PDT) à Presidência da República, neste ano, são firmados pelo presidente nacional do seu partido, Carlos Lupi. Cid Gomes, o irmão do candidato, porém, é o avalista. E quanto mais cresce a perspectiva de Ciro estar entre os dois concorrentes do segundo turno, o cenário da formação de alianças reclama a participação de Cid, sem embargo da sua participação na definição da sucessão estadual cearense. Cid, assim, está inserindo-se, com efetividade, no centro das discussões da política nacional.

A curta temporada como ministro da Educação, no início do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT), não foi muito bom para a sua inclusão no centro das questões políticas nacionais, também pelo fato de respeitar o posicionamento do irmão, duas vezes candidato a presidente da República, depois de consolidar uma liderança no Ceará, como prefeito de Fortaleza, governador do Estado, ministro de Estado em mais de uma oportunidade, além de uma passagem não brilhante pela Câmara dos Deputados.

Confrontar

Esse histórico da vida pública de Ciro foi a porta aberta para Cid conquistar mandatos de deputado, prefeito de Sobral, governador do Ceará, e liderar o grupo político, atualmente mais expressivo no Estado, razão, à época, de ter sido convidado a ser ministro da Educação, quando tornou-se o centro de uma crise política, por confrontar o à época presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, quando convocado a dar explicações sobre suas declarações consideradas ofensivas a uma parcela dos deputados federais. Agora, na coordenação da campanha presidencial do PDT, ele projeta ascender ao pequeno grupo das decisões políticas nacionais.

No contexto, para a consolidação do desiderato, o mandato de senador da República é fundamental. A Câmara dos Deputados, com toda a sua importância, não consolida as lideranças políticas brasileiras, talvez até pela grande quantidade de parlamentares (513). No Senado são apenas 81, a maioria de verdadeiros líderes estaduais ou regionais, responsáveis por questões mais caras aos estados e municípios brasileiros.

Muito mais que os deputados, os senadores exercem grande influência na política nacional e nos seus respectivos estados. Os exemplos de Tasso Jereissati (PSDB) e Eunício Oliveira (MDB) no Ceará, confirmam a tese.

Cid pode ser o único candidato da coligação encabeçada pelo governador Camilo Santana como o candidato a senador, para permitir que Eunício Oliveira seja candidato à reeleição isoladamente, satisfazendo o discurso de Ciro Gomes de não se aliar ao senador Eunício Oliveira.

Avaliação

O senador José Pimentel está na parte minoritária do Senado, aquela que pouco influi nas questões eminentemente político-partidária. Cid só cuidará de sua candidatura à Câmara Alta, após concluídos os entendimentos sobre as alianças para consolidação da pretensão do irmão, entre o fim de julho e meados de agosto, embora no curso da própria campanha, pela situação favorável que tem no Ceará, e se não exigir a postulação de Camilo à reeleição, ele também reserve tempo para participar de alguns eventos, em outros estados, ao lado de Ciro.

Hoje, a avaliação do grupo governista é de que Camilo tem estrutura para vencer a disputa, ainda no primeiro turno.

Motivação

Ainda é realmente muito cedo para qualquer prognóstico sobre a candidatura de oposição do general Guilherme Theophilo ao Governo do Estado do Ceará, mas seus correligionários dão sinais de otimismo, a partir dos primeiros contatos dele com políticos e eleitores comuns. "O general não é carrancudo", como pensávamos. Nos seus primeiros contatos, na Região do Cariri, e nos últimos dois dias na Zona Norte, ele se houve muito bem, diz um dos tucanos que o acompanha ao lado do senador Tasso Jereissati, nos primeiros contatos com aliados e eleitores.

O discurso do general contra a administração estadual é forte, não por ter acrescentado algo além dos pronunciados nas diversas outras manifestações dos adversários do Governo. Ele, por ser ainda desconhecido do eleitorado, no criticar, chama bem mais atenção do que o político tradicional, além do fato de ser apresentado como general, mesmo na reserva do Exército, patente que passa a ideia de autoridade superior capaz de oferecer a segurança, não só aquela relacionada à violência, mas a segurança de fazer o melhor. Enfim, credibilidade que a maioria dos políticos perdeu nos últimos anos.

Guilherme Theophilo está bem assessorado. Ele tem hoje, e parece que já se preparava para ser candidato bem antes de ir para a reserva, um completo diagnóstico da administração pública estadual. Fala, não só com dados estatísticos sobre cada um dos principais pontos da gestão de Camilo Santana, apresentando solução, embora questionáveis por conta da realidade orçamentária e das obrigações legais, mais inspira confiança. Insistir na falta de autoridade do governador para enfrentar os problemas na Segurança e na Saúde, talvez possa ser o ponto mais forte de sua campanha, embora Camilo tenha elementos para contestá-lo.

Camilo Santana, como não poderia ser diferente, não emite opinião sobre a candidatura do general, como seu principal opositor. Porém, sabe-se, que o adversário, surgido inesperadamente e fora do ambiente político, motivou uma remodelação da estrutura de sua campanha. Uma coisa seria enfrentar o Capitão Wagner ou mesmo o próprio senador Tasso Jereissati, dois tracionais políticos do Estado. Outra, é ter como concorrente um nome novo na política com a envergadura de um general.

Pode até não ser, mas a perspectiva é que a eleição deste ano poderá ensejar uma disputa diferente da realidade das três últimas disputas estaduais, com todo o esquema de apoio registrado pelo governador e a fragilidade apresentada pela oposição, com poucos partidos aliados e um nome totalmente alheio às lides políticas para disputar o mais importante cargo da política estadual.

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