Violência contra a mulher

Caravana da AL visita escolas a partir de junho

Augusta Brito (PCdoB), Procuradora Especial da Mulher, diz que apresentações teatrais sobre o tema devem ter mais apelo entre os jovens ( Foto: Fabiane de Paula )
00:00 · 19.05.2017 / atualizado às 00:46

Está marcada para o próximo dia 6 de junho, na Escola Estadual Adauto Bezerra, em Fortaleza, a primeira visita da Caravana de Combate à Violência Contra a Mulher, que vai debater, dentre outros temas, a igualdade de gênero, o respeito à diversidade e a Lei Maria da Penha. A escola é uma das 20 unidades escolares de 16 municípios cearenses que receberão o projeto, lançado na quarta-feira (17) na Assembleia Legislativa, pela Procuradoria Especial da Mulher, em parceria com o Governo do Estado.

De acordo com a Procuradora Especial da Mulher na Assembleia, deputada Augusta Brito (PCdoB), o objetivo da primeira edição da Caravana é abrir espaço para cerca de 15 mil estudantes discutirem a problemática da violência contra a mulher, por meio de palestras, grupos de trabalho, material informativo e apresentações teatrais.

"A questão da peça veio para que a gente chame a atenção do jovem, para que eles se interessem por aquele assunto de uma maneira que, se fosse simplesmente uma palestra, com um professor, talvez não se interessassem tanto. Mas que fosse de maneira lúdica, transparecendo a realidade. Os artistas passaram por um treinamento específico para poder interagir melhor com a juventude", detalha.

Segundo a parlamentar, ao final da Caravana, será apresentado um relatório ao Governo do Estado, com sugestões de novas políticas públicas voltadas, especialmente, à juventude e com ideias de novas leis e projetos a serem propostos na Assembleia. "Muitos jovens veem a questão da agressão (à mulher) dentro da própria casa, acham que isso é natural e continuam repassando o que veem desde quando nasceram", relatou Augusta.

O projeto vai ser realizado em escolas de Fortaleza, Sobral, região da Ibiapaba, Cariri e Centro Sul do Estado, que foram escolhidas por critério de vulnerabilidade, algumas por estarem localizadas em áreas do programa Ceará Pacífico e também pelos altos índices de feminicídio.

Políticas públicas

A fundadora do Instituto Maria da Penha, Maria da Penha Maia Fernandes, que esteve no lançamento da Caravana, espera que essa ação incentive o Estado a pôr em prática políticas públicas de combate à violência contra a mulher. "Infelizmente, desde o ano passado, houve a promessa de ser inaugurada a Casa da Mulher brasileira (em Fortaleza) e até hoje não foi aberta. A gente, que dissemina a Lei, fala que tem políticas públicas, a gente depois percebe que as políticas ainda não estão presentes", lamenta.

A representante da Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres no Ceará, Darciane Barreto, por sua vez, afirma que a Casa da Mulher Brasileira está pronta há seis meses e só não funciona ainda devido à falta de autorização do governo federal. A gestão estadual, segundo ela, aguarda a liberação do equipamento pela Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres. A primeira Caravana de Combate à Violência Contra a Mulher começa em 6 de junho e segue até 29 de setembro deste ano.

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