Entrevista com General Guilherme Theophilo

Candidato do PSDB quer enxugar máquina pública em gestão limpa

01:00 · 22.08.2018 por William Santos - Editor assistente

Esta é a primeira eleição que o senhor disputa como político, filiou-se ao PSDB neste ano. O que o senhor pretende ou tem feito para tentar convencer o eleitor a entregar o voto ao senhor?

É mostrar a realidade da nossa proposta de governo, o nosso projeto de governo, fazer um governo voltado à gestão de pessoas, dos recursos humanos, fazer um governo que não exige nada em troca. (É) O único objetivo pelo qual entrei na política, e toda essa chapa que o senador Tasso (Jereissati) escolheu para trabalhar comigo são fichas limpas, são pessoas que não têm comprometimento nenhum com Lava-Jato, com outros problemas de corrupção, então é uma chapa que está proposta a entregar ao Ceará um governo limpo, dedicado, focado em resultados, uma gestão eficiente, e trabalhar com os recursos públicos de forma muito produtiva.

O próximo governador deve governar com um Orçamento estadual estimado em aproximadamente R$ 28 bilhões. Desse total, mais de R$ 12 bilhões estão comprometidos com pessoal, fora os gastos constitucionais já previstos para Saúde e Educação, por exemplo. Num eventual governo do senhor, quais serão as prioridades na administração desse Orçamento?

Olha, e você esqueceu de uma coisa muito importante: R$ 1,5 bilhão já estão comprometidos com a dívida pública, juros da dívida pública, que esse governo está fazendo quando, nos investimentos que faz, está usando não da sua poupança, mas está tirando à frente, gastando mais do que pode, então temos também que acrescentar, além dos R$ 12 bilhões em pessoal que você colocou, R$ 1,5 bilhão só de juros da dívida. Realmente, é um gasto muito grande e que preocupa, porque você não vai ficar com dinheiro para investir, só para custeio da máquina pública. Então, qual é a principal coisa que tem que se fazer hoje? Enxugar a máquina pública.

Nós temos um governo com mais de 30 secretarias. Isso é inadmissível. Qualquer governo normal tem em torno de 20. Temos 119 órgãos de administração direta ou indireta pendurados nas tetas do governo. (...) Se nós formos eleitos, são dois partidos focados em resultados, ninguém tem comprometimento político com ninguém, foi a única exigência que eu fiz ao senador Tasso, que me deixasse fazer um governo voltado à meritocracia, com a gestão de resultados.

Na última quinta-feira, foi divulgada a primeira pesquisa Ibope de intenções de voto para a eleição deste ano. O senhor aparece com 4% das intenções de voto, atrás do atual governador, Camilo Santana, com 64%. Como o senhor recebeu esse resultado e como pretende trabalhar em relação a esses números?

Com muita tranquilidade. Eu acho que é normal que o governador Camilo, após quatro anos de mandato e com mais alguns de secretário do governo que o apoia, de toda uma família, de toda uma oligarquia que sempre veio o apoiando, seja um homem muito mais conhecido do que eu. Então, esse foi um primeiro resultado muito normal. Encarei com muita disposição, e lembro do cavalo paraguaio, aquele que tem uma arrancada muito boa, mas que aos poucos vai cansando e ficando pelo meio do caminho, e a nossa chapa está com disposição. (...) Tenho tido uma receptividade muito grande por parte do público cearense, que não tem emprego, que está numa pobreza miserável, que não tem água para beber. Agora, estou recebendo ligações diretas, porque o Exército faz a Operação Pipa, de pessoas que já estão passando fome. Eu digo: 'olha, não é o Exército que distribui isso, é o Ministério da Integração'. E cadê esse governo, o que está fazendo, pelo amor de Deus? Acho que o povo deve acordar durante a campanha, principalmente quando começarmos a (propaganda na) televisão.

De quais estratégias o senhor tem se valido para chegar ao eleitor nessas andanças, nessas incursões pelo Interior? Como tem sido esse contato direto?

O corpo a corpo, né? E eu gosto sempre de citar a influência que o senador Tasso tem em me apoiar. É um homem carismático, adorado pela população. (...) Acho que, (se) o senador Tasso fosse candidato, ele era o governador do Estado com a maior tranquilidade, mas ele já é senador, tem outros interesses, e colocou o general para representá-lo. Isso tem me dado uma força muito grande, sem contar também com o apoio do Capitão Wagner, do PROS, que é um líder que tem muito conhecimento e, em toda essa parte de Segurança, tem me ajudado muito. Nós temos procurado ouvir muitas pessoas nesse sentido de servir ao povo do Ceará.

A chapa PSDB-PROS apresentou à Justiça Eleitoral um plano de governo com dez metas, intitulado "Ceará Compartilhado". Que princípio de compartilhamento é esse para a gestão pública?

Na era do compartilhamento, você compartilha tudo, hoje, nas mídias sociais, e nós temos trabalhado muito com o professor Marcos Holanda, antigo presidente do Banco do Nordeste, que desde o início tem me ajudado a elaborar esse projeto. O compartilhamento significa ouvir, dividir com a sociedade, essas pessoas que estão sofrendo, os pais de família, que têm a insegurança de ver o seu filho numa festa e não saber se vai voltar vivo; aquele mototaxista que todo dia recebe um aumento da gasolina, aumento de impostos, então esses segmentos da sociedade estão compartilhando com o governador do Estado um projeto de governo que o principal objetivo seja servir à sociedade. Isso que significa o Ceará Compartilhado, um Ceará em que todos vão governar junto com esse governador. Tenho certeza que isso nunca foi feito, porque é um modelo novo, é um modelo que vai dar certo, tenho certeza, porque nós vamos ouvir a todos os segmentos não só em campanha, (mas também) durante o processo de governo.

O senhor, no programa de governo, fala que um governo menor significa menos impostos, menos corrupção, menos privilégios e muito mais eficiência, sob o argumento de que, para financiar um governo grande, é preciso arrecadar mais. O que o senhor pensa sobre a política tributária em eventual governo?

Nós temos visto, naturalmente, que o Governo do Ceará é um governo muito grande, muito gigante na hora de cobrar, e muito pequeno, um anão, na hora de devolver à sociedade essa cobrança, esses tributos altíssimos, em termos de Saúde, Educação, Segurança. Você viu que o grande problema, que pensei que era Segurança, já foi publicado que 73% acham que é Saúde, que a Saúde do Estado está ruim. Alguns (pontos percentuais) depois vem Segurança, depois Educação, aí me admira Educação, (porque) das 100 maiores escolas, parece que 77 são do Ceará, e a sociedade não sente isso.

O que estou achando do atual governo é que gasta muito, e gastar é diferente de investir. Quando você investe muito, tem resultados. Então dizer: 'fui o governo que mais gastei em Segurança Pública'. Realmente, você gastou em Segurança Pública, não investiu, porque se tivesse investido nós teríamos um retorno com uma diminuição dos homicídios, com a segurança da população. O que nós estamos vendo: uma população acuada, o crime mandando, e compra-se viaturas que não são adequadas para a Polícia Militar - Hilux, Renegade -, aumenta o efetivo da Polícia Militar, e cadê o treinamento?

Ainda sobre o tamanho da máquina pública, (o senhor defende que) um governo melhor seria um governo com menos impostos. Que impostos seriam esses que poderiam ser reduzidos e para quem seriam reduzidos?

Para você ter uma ideia, (em) uma conta de luz que você paga, de R$ 100, R$ 40 é de impostos. O ICMS nosso é um dos maiores do Nordeste, você vê o preço da gasolina, dos combustíveis, então o que for imposto estadual, depois de um processo de estudo com a minha equipe econômica, nós vamos, tenho certeza, reduzir os impostos. Depois de tornar esse governo mais eficaz, mais eficiente, ver quem realmente trabalha, quais as terceirizações que são necessárias, estudar esse IGHS (refere-se ao ISGH), que é uma cooperativa que administra os nossos hospitais, que não presta contas a ninguém, ver o problema da Cagece, abrir o capital da Cagece. Por que não abrir o capital da Cagece para que seja mais eficiente? Nós temos que trabalhar isso para que essa redução de impostos seja feita depois de um estudo.

No seu plano de governo, o senhor fala de acabar com as filas dos hospitais em 18 meses. Como seria (feito) isso?

São mais de 330 pacientes espalhados pelos corredores dos hospitais de atenção secundária e terciária. Como diminuir a fila da cirurgia eletiva, das consultas? Nós vamos utilizar o que já foi feito em outros estados com muito sucesso: os caminhões, as carretas de atendimento móvel. (...) Temos que trabalhar com gestores de dedicação exclusiva. Diretor de hospital tem que trabalhar 24 horas no seu hospital, tem que ter status de secretário, tem que ser remunerado como tal, para que a gente possa, sim, retirar as filas, fazer os três turnos de atendimento, colocar esses pacientes que já estão hoje nos corredores em convênios com as instituições filantrópicas, para que elas possam absorver grande parte desses corredores, a gente possa diminuir isso e voltar a ter uma gestão da saúde pública condizente com o que o povo do Ceará precisa.

O seu programa de governo traz metas com prazos. Na Segurança, por exemplo, uma delas é reduzir 50% dos homicídios até o final do mandato. Como seria feito?

Existe um grande problema que é a droga, meus senhores. A droga é o oxigênio do crime, da violência. Não é educação, não é pobreza, é a droga. E essa droga tem que ser retida. (...) Se eu retirar ou pelo menos diminuir a entrada da droga no nosso Estado, eu vou tirar o oxigênio e vou matar a violência por inanição, por não ter como respirar. Isso aí eu aprendi na Colômbia, onde passei dois anos fazendo curso, aprendi no Haiti, aprendi na Europa e aprendi no Rio de Janeiro, participando de todas as operações de garantia da Lei e da ordem que o Exército brasileiro montou. Agora, parece que ninguém aprende ou ninguém sabe disso, e hoje o Ceará não tem fiscalização. Hoje, nós somos um "narcoestado". O que é um "narcoestado"? Um estado onde a droga passou a fazer parte da cadeia produtiva. Hoje, é um negócio que rende, assim como você que é um agricultor, você que é um empresário. A droga é um dos grandes negócios do Estado do Ceará.

Candidato, o seu plano de governo foca a Educação, sobretudo, no Ensino Médio. Queria perguntá-lo sobre as universidades estaduais, que são três. Como o senhor avalia a situação delas e quais são as suas propostas para essas universidades?

As nossas universidades estaduais estão passando também por um problema de gestão. Nós temos, (em) universidades estaduais, algumas faculdades que funcionam muito bem, outras não. Temos muita ideologia dentro das universidades, e têm que ser um espaço livre para o amplo debate, independente de qualquer ideologia. Nós não podemos ideologizar as universidades estaduais; e (queremos) abrir mais campus de universidades estaduais no Interior do Estado, de acordo com a vocação daquele local onde eu vou abrir, então vou abrir uma faculdade de agronomia onde a região seja agrícola, voltada para a agropecuária, o agronegócio. (...) E uma administração mais correta, (com) reitores escolhidos pela própria universidade, apresentação de lista tríplice para que o governador escolha alguém baseado no mérito, e não seja indicação política. Vamos acabar com essas indicações políticas, vamos valorizar o mérito.

Trazendo um pouco para o que o senhor tem vivenciado na campanha, os seus dois apoiadores no Estado, o senador Tasso Jeireissati, do PSDB, e o deputado estadual Capitão Wagner, do PROS, têm no cenário nacional posições diferentes em relação aos palanques presidenciais. Como o senhor, como candidato ao Governo, unindo essas duas lideranças, administra esses interesses que, nesse ponto, no palanque, são divergentes?

Com muita tranquilidade. O Capitão Wagner foi muito claro: ele só ia apoiar os cargos majoritários, ou seja, governador e senador, e é o que está acontecendo. Nós estamos apresentando um chapa de um senador do PSDB, a Dra. Mayra, e Eduardo Girão, do PROS. E para governador, ele me apoia. Para presidente, nós, do PSDB, apoiamos Geraldo Alckmin, com muita tranquilidade, e ele apoia Jair Bolsonaro. Não vejo problema. Continuo dizendo: o meu candidato chama-se Geraldo Alckmin.

E quais são os próximos passos da campanha até as eleições de outubro?

Dizer que podem acreditar nessa equipe, nessa chapa limpa. É uma luta de Davi contra Golias, como nós costumamos dizer, mas a nossa 'baladeirazinha' que vai matar o gigante, a pedra que está dentro dela é a pedra da verdade, é a pedra da ética, da justiça, da transparência, da gestão, dos resultados, é isso que nós temos. Todos nós somos profissionais realizados, todos nós não somos políticos velhos, somos políticos novos. Nós estamos políticos com uma proposta de servir ao povo do Ceará, aos mais pobres, aos mais afastados da Capital, com saneamento básico, com educação, com segurança, com autoridade. Retomar a autoridade do governo, retomar o orgulho de ser cearense.

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