Mobilizações na véspera

Camilo defende petista; ato na Capital pede condenação

O Movimento Vem pra Rua realizou ato contra Lula, ontem, na Praça Portugal. Já o PT organiza, hoje, mobilizações em sete municípios do CE ( Foto: Kleber A. Gonçalves )
01:00 · 24.01.2018

Um dia antes do julgamento que pode definir o futuro político do ex-presidente Lula (PT), o governador Camilo Santana usou o Facebook, ontem, para defender o correligionário. Em uma manifestação de apoio discreta, o chefe do Executivo disse crer na inocência do ex-presidente. "Pessoalmente, acredito na inocência de Lula. Conhecemos sua história, sua luta e seus princípios. Que a verdade prevaleça", declarou Camilo.

Ele defendeu, ainda, que o julgamento do recurso apresentado ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) à condenação pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro ocorra, hoje, "à luz dos fatos, verídicos e sem retoques, e não submetido a questões políticas ou partidárias".

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A declaração do governador acontece enquanto o PT realiza uma série de manifestações pelo Brasil em defesa daquele que é seu principal ativo e líder nas pesquisas para a eleição presidencial deste ano. De acordo com o presidente estadual do partido, Francisco de Assis Diniz, os militantes da sigla encontram-se em mobilização permanente para o julgamento. "Não existe plano B", apontou.

Em Fortaleza, no início da noite de ontem, apoiadores do ex-presidente realizaram panfletagem a favor da candidatura do petista no cruzamento das avenidas Rui Barbosa e Antônio Sales, no bairro Aldeota. Atos em apoio a Lula estão programados para hoje na Capital e em outros seis municípios do Interior do Estado. O resultado do julgamento deverá ser discutido amanhã, em uma reunião da Executiva Nacional do PT, em São Paulo.

O Movimento Vem pra Rua, favorável à condenação de Lula, por sua vez, realizou ato na noite de ontem na Praça Portugal. Um grupo de manifestantes levou ao local bonecos infláveis do ex-presidente e do juiz federal Sérgio Moro, pedindo buzinaço em apoio à prisão do líder petista.

Efeitos

O sociólogo Rodrigo Prando, professor da Universidade Mackenzie, analisa, porém, que "essa ideia de que uma condenação do Lula vai convulsionar o País é falsa". Segundo ele, levantamentos em redes sociais mostram mobilização relativamente pequena tanto de apoiadores quanto de adversários do ex-presidente. "É bem provável que o aparato de segurança, felizmente, não vá ser utilizado", afirmou.

Para o sociólogo, no caso de uma condenação de Lula ser confirmada pelos desembargadores, o discurso do "não temos Plano B" pode ser um erro para o PT, que mostra-se dependente de um único nome. "Esse prejuízo enorme do partido é inclusive responsabilidade dele e de Lula, que não permitiram a formação de novas lideranças", avaliou.

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