Contra Michel Temer e Aécio Neves

Câmara repercute denúncias

Diante do "pior momento pós-democracia" no País, Iraguassú Filho (PDT) disse que eleições diretas podem garantir "tranquilidade política" ( Foto: José Leomar )
00:00 · 19.05.2017

Vereadores foram à tribuna da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), na manhã de ontem, para comentar as denúncias contra o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador Aécio Neves (PSDB), feitas em delação premiada dos donos da JBS. Para parlamentares, tratou-se de um episódio triste. Eles pediram a renúncia do presidente.

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Segundo Dr. Eron (PP), a baixa qualidade que ele atribui à parte da classe política brasileira seria um contraponto criado por Deus à ausência de desastres naturais no Brasil. "Só espero que Deus ilumine este País para que a gente volte para os trilhos da probidade e da responsabilidade", declarou.

Apesar de lamentar pela classe política, Eron comemorou a ação do Judiciário. "Nunca se viu, neste País, você prender governador, senador da República e quem sabe até presidente. Graças a Deus as instituições estão fortalecidas", apontou.

Dr. Elói (PEN) também comentou o assunto. Ele disse que sempre defendeu que todos os partidos estavam envolvidos em corrupção. "Será que era só o PT e o Lula que faziam Caixa 2?", questionou. Para o vereador, o importante agora é garantir que o presidente Michel Temer saia o mais rápido possível do posto "para evitar que haja mais sofrimento para o povo mais pobre".

O líder da bancada do PDT, Iraguassú Filho, por sua vez, destacou o efeito das denúncias sobre as propostas de reforma trabalhista e previdenciária, atualmente em tramitação no Congresso Nacional. "Talvez (a paralisação das reformas) seja a única coisa de positivo nesse escândalo, porque a gente tem a oportunidade de não perder direitos". Ele afirmou que "não tem mais clima e nem perspectivas de votação das reformas".

De acordo com Iraguassú, o País está vivendo "o pior momento pós-democracia que já está na régua da história". Para ele, eleições diretas podem proporcionar "tranquilidade política". "A Constituição não permite, mas, para a tranquilidade política, pode ser aprovada uma PEC".

O impacto nas reformas foi comemorado por Márcio Cruz (PSD). "Com certeza, essas pautas das reformas da previdência e trabalhista vão por água abaixo". Ele pediu que o Congresso Nacional faça o impeachment da administração Temer, que ele classifica como "ilegítima".

Lava-Jato

O vice-líder do prefeito na Casa, Dr. Porto (PRTB), declarou ser "incrível" que os crimes tenham continuado a ocorrer após tanto tempo de Operação Lava-Jato. "Como é que, em março, ainda estão acontecendo as mesmas práticas que a Lava-Jato condena?". Para Porto, o problema não será solucionado enquanto a cultura política não se alterar. "Os políticos não serão diferentes se os eleitores não forem diferentes", declarou. "Temos que sair do Facebook e do WhatsApp e ir para as ruas reclamar".

Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, o presidente Michel Temer teria dado aval para que o empresário Joesley Siqueira, dono da holding J&F, seguisse pagando propina ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) para que ele não fizesse delação. Já o senador Aécio Neves teria pedido RS$2 milhões a Joesley para pagar custos com advogados.

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