Atuação de secretários

Base aliada critica 'desequilíbrio' na pré-campanha

Gestores municipais e estaduais estão em uma lista de nomes já tidos como eleitos que circula entre parlamentares

Na Assembleia Legislativa, reeleição tem sido assunto constantemente discutido por deputados. Alguns nomes já são considerados eleitos por eles ( Foto: José Leomar )
01:00 · 12.03.2018

Deputados governistas da Assembleia Legislativa estão preocupados com o que denominam como "desequilíbrio" na pré-campanha eleitoral deste ano. Segundo informaram, alguns pretensos candidatos já estão inseridos em uma lista de postulantes considerados já eleitos no pleito de outubro próximo, principalmente por eventual apoio da máquina pública.

Desde o ano passado, governistas vêm reclamando de uma "invasão" de suas bases eleitorais por pré-candidatos com apoio de lideranças políticas locais, bem como do uso de secretarias do Governo do Estado por parte de alguns gestores, o que estaria beneficiando algumas possíveis postulações.

Na lista em que eles apontam postulantes "já eleitos" constam os nomes do presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Salmito Filho (PDT), do secretário chefe de gabinete da Prefeitura de Fortaleza, Queiroz Filho; do secretário estadual do Trabalho e Desenvolvimento Social, Josbertini Clementino, e da irmã do ex-governador Cid Gomes (PDT), Lia Gomes. Outros secretários do Governo do Estado e da Prefeitura de Fortaleza são pré-candidatos ao pleito.

Segundo parlamentares, há pré-candidatos que nunca se candidataram a qualquer cargo eletivo e já despontam como favoritos na campanha, que só terá início em agosto. Eles também denunciam a "compra" de eleitores por parte de alguns postulantes, inclusive, utilizando nomes de lideranças locais.

Ainda no ano passado, em reunião da base governista, o deputado Osmar Baquit (sem partido) reclamou da situação e propôs que os gestores do Governo Camilo Santana fossem exonerados, a exemplo do que fazia Cid Gomes. No entanto, segundo o chefe do Executivo disse ao Diário do Nordeste, em janeiro passado, os secretários com interesse na disputa só deixarão os cargos na data limite, conforme determina o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"Eu acho anormal e entendo que a população passa a ser cúmplice quando se vincula a candidato que não conhece o trabalho e nem entende quem ele é, e apenas pela força da máquina é capaz de cooptá-lo", disse Silvana Oliveira (PMDB). "Eu fico triste, porque a gente trabalha sem condição de partir para esse tipo de disputa, concorrendo com quem tem a máquina na mão", acrescentou.

Outro deputado chegou a dizer que iria "para cima do Governo", caso tivesse seu eleitorado "cooptado" por postulante com a força da máquina pública.

Carlos Felipe (PCdoB), questionado sobre a estrutura que também é cedida aos parlamentares, disse que "muitos têm as duas coisas", visto que, conforme avalia, têm representantes nas secretarias. "O certo seria que a gente tivesse mudança de comportamento".

Conscientização

O deputado Julinho (PDT), por sua vez, afirmou que os deputados com mandato atualmente outrora também não tinham função política e tiveram que disputar com políticos em exercício. "Ninguém é dono de Município algum, e qualquer cidadão pode ser votado em qualquer lugar".

O pedetista defendeu ainda que haja conscientização dos que estão reclamando. "Eu defendo uma disputa leal, que nenhum tenha mais privilégios que outros. Pretendemos disputar mais um mandato, mas de forma igualitária". Segundo disse, "se um parlamentar perde sua base é porque outro apresentou melhor desempenho, mas se teve vantagem ou estrutura nada republicana, eu acho injusto".

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