Disputa proporcional

Bancada do PT afasta chances de chapa com PDT

Deputados dizem que ainda não há consenso na sigla, mas afirmam que a possível aliança não beneficia o partido

01:00 · 22.06.2018
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Na AL, petistas Rachel Marques e Elmano de Freitas estão alinhados ao PDT de Tin Gomes e Evandro Leitão, mas uma possível coligação é incerta ( Foto: José Leomar )

A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Assembleia Legislativa não tem interesse em formar coligação proporcional com o Partido Democrático Trabalhista (PDT), e aposta em chapa própria ou em aliança com legendas com menor potencial de votos. Os petistas querem se reunir, mais uma vez, com o governador Camilo Santana, para dialogar sobre as pretensões da legenda e, após isso, definir rumos no Encontro de Tática Eleitoral do partido, marcado para acontecer no fim de julho, antes da convenção de agosto.

Em Fortaleza, o PT deixará de ser comandado pelo vereador Acrísio Sena e passará a ser presidido pelo ex-vereador Deodato Ramalho, que toma posse hoje. Prestes a entregar o cargo, Acrísio Sena defendeu unidade em torno da candidatura de Camilo Santana. Já o deputado estadual Elmano de Freitas sustentou que, "acima da candidatura do governador, tem a candidatura do presidente Lula. Em segundo, o governador e, em terceiro, a candidatura proporcional".

"O essencial, nos próximos dias, é que o Partido dos Trabalhadores mantenha o clima de união em torno do nome de Camilo Santana para o Governo do Ceará. Meu desejo é que a frente ampla, com PT e PDT, leve adiante o projeto de reeleição do governador e de derrotar quem apoia o atual Governo ilegítimo de Temer", declarou, em nota, o vereador Acrísio Sena.

Elmano de Freitas, por sua vez, disse que uma aliança com o PDT não beneficiaria o PT. "O PT tem votação menor e não tem porque repetir aliança para eleger deputados do PDT e o PT ficar como suplente", afirmou o deputado. "Queremos uma aliança que tenha chance de disputa e, com o PDT, a coligação dificulta as eleições de deputados petistas. Se não interessa ao PT, não nos interessa".

Segundo ele, a sigla dialoga com outros partidos para avaliar o melhor cenário para a disputa. Conversas estariam em curso com PP, PSB e PCdoB. De acordo com Elmano, o partido pretende se reunir com o governador Camilo Santana para discutir pendências antes do Encontro de Tática Eleitoral, visto que, segundo ele, não há acordo sobre a ausência de candidatura petista ao Senado e coligação proporcional, pontos tratados com o chefe do Executivo há algumas semanas.

"O PT já corre o risco de não ser reconhecido na chapa majoritária, já que a coligação tende a lançar apenas um senador ou fazer aliança com o senador Eunício. Já vamos perder uma vaga no Senado. Vamos perder também as de deputado? Não tem sentido", explicou.

Rachel Marques, apesar de não ter opinião formada sobre o assunto, ressaltou que é preciso avaliar os interesses da base para tentar agregar com os do partido. "O PT tem voto de legenda muito forte e, por isso, é melhor que esteja sozinho, sem coligação. Mas vamos ouvir as posições e pensar no fortalecimento da base do governador Camilo".

Sem consenso

Manoel Santana e Moisés Braz, este presidente em exercício do PT estadual, disseram acompanhar a postura de Elmano de Freitas. "Ficar (em coligação proporcional) com o PDT é difícil, até porque não sabemos quantos candidatos o PT tem e que estão dispostos a retirar seus nomes para fortalecer em outra condição de disputa. Uma chapa própria é muito defendida pelo conjunto, mas ainda não é consenso", disse Santana. Dedé Teixeira, por sua vez, opinou que, "com o PDT, qualquer partido sai prejudicado na eleição".

O parlamentar afirmou que há discussões sobre a formação de três chapas na base: uma com MDB, PSD e SD; outra liderada pelo PT e uma terceira encabeçada pelo PDT. "Todo mundo está fazendo, de forma natural, seus cálculos", justificou.

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