Pesquisas eleitorais

Ausência de Bolsonaro aumenta expectativa

Próxima pesquisa deve gerar mais interesse de candidatos e eleitores, em cenário que motiva novas estratégias

01:00 · 08.09.2018 por Edison Silva - Editor de Política
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Na noite de ontem, Ciro Gomes participou de carreata em Sobral. Na foto, aparece com a candidata a vice-presidente, Kátia Abreu, o governador Camilo Santana e a vice, Izolda Cela, além de Ivo Gomes, prefeito do Município Foto: Marcelino Júnior Ontem, Ciro Gomes participou de carreata em Sobral. Na foto, ele aparece com Camilo, Kátia Abreu, Izolda e Ivo ( Foto: Marcelino Júnior )

A próxima pesquisa sobre a sucessão presidencial, cujas informações estão sendo coletadas pelo pessoal do Instituto Datafolha, a ser publicada na segunda-feira vindoura, sofrerá impacto não do desempenho dos candidatos nesta fase da propaganda eleitoral, mas do incidente de que foi vítima o candidato Jair Bolsonaro (PSL), hoje preso a um leito hospitalar, não se sabe por quantos dias, após cirurgia para reparar danos físicos causados pelo golpe à faca que sofreu na última quinta-feira.

O Ibope, na última quarta-feira, liberou uma pesquisa contratada pela TV Globo e o jornal O Estado de S. Paulo, apontando Bolsonaro na liderança de intenções de votos e de rejeição. Esta subiu de 37% para 44%, segundo análises, em consequência de sua maior aparição na mídia, sobretudo em entrevistas e debates televisivos, deixando muito a desejar nas respostas e questionamentos sobre temas caros à realidade nacional, além de explicitar posições, tidas como radicais, para alguns setores.

A hospitalização de Bolsonaro, tomando por base as avaliações sobre o crescimento expressivo de sua rejeição, ao contrário de prejudicá-lo, poderá, sim, beneficiá-lo. Ele vai estar diariamente no noticiário, sem os riscos de cometer deslizes, pois os informativos cuidarão mais do seu estado de saúde, mantendo viva sua imagem junto aos seus eleitores, com a possibilidade de ainda sensibilizar indecisos que possam vê-lo como vítima da política, e dos políticos tradicionais, e não do insano que o feriu.

Todos os eleitores abordados pelos entrevistadores do Datafolha, até a véspera da publicação da pesquisa, estão bem mais informados sobre a agressão a Bolsonaro, na última quinta-feira, do que sobre os quatro programas da propaganda eleitoral dos candidatos à Presidência da República acontecidos até hoje.

De qualquer forma, a campanha no rádio e na televisão ainda está muito incipiente. Historicamente, a influência dela para o eleitor escolher o seu candidato acontece do meio para o fim da disputa. Entendendo assim, só a partir do dia 20 ela poderá motivar mudanças na preferência do eleitorado.

Mas a campanha continua. E até mesmo para Bolsonaro, que, como os demais, adotará uma nova estratégia até poder voltar às ruas. Ciro Gomes (PDT), um dos que estão no páreo, apesar do exíguo espaço na propaganda eleitoral, já na última semana decidiu ampliar o seu roteiro de viagens a vários pontos do País, para atingir o maior número de municípios, onde fará caminhadas e carreatas e ficará disponível para entrevistas nos diversos meios de comunicação, após ter conseguido bons resultados, com tal estratégia nos grandes centros.

Regional

Nesta semana, no Nordeste, ele deu sequência a essa nova empreitada. Ontem esteve em Sobral, mas preferiu fazer um comício regional no vizinho Município de Massapê, talvez até para evitar especulações de envolvimento da Prefeitura sobralense comandada por seu irmão Ivo.

Hoje, pela manhã, ele faz uma carreata de Juazeiro do Norte ao Crato, mobilizando lideranças políticas da Região do Cariri, encerrando sua programação no Ceará, onde tem expressiva liderança, embora o governador seja do PT, mas integrante do seu projeto, como tem afirmado, apesar de os petistas apostarem que ele votará para presidente em um candidato do PT.

Ciro aplica sua nova estratégia começando pela Região nordestina exatamente por apostar nas chances de conquistar eleitores mais próximos do ex-presidente Lula, agora fora da disputa por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em razão de sua condenação criminal, em segunda instância, ficando na condição de inelegível por força da Lei da Ficha Limpa. Os apoiadores de Ciro acreditam que, por conta dessa realidade, ele tem possibilidades maiores de receber votos que iriam para Lula do que o nome por este indicado.

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