Direção estadual

Após saídas, PR faz mudanças internas para evitar perdas

Roberto Pessoa deve assumir a sigla com o desafio de administrar conflitos com filiados que votam em Camilo

Ex-deputado Roberto Pessoa já é nome influente nas decisões do PR, mas, agora, deve assumir oficialmente a presidência do partido no Ceará ( Foto: José Leomar )
01:00 · 20.01.2018

Com a saída do deputado estadual Capitão Wagner e do deputado federal Cabo Sabino dos quadros do Partido da República (PR), a agremiação tende a perder cada vez mais espaço no Ceará, mas, para evitar esvaziamento maior, fará readequações. A primeira mudança com vistas ao pleito eleitoral deste ano ocorrerá na presidência estadual da legenda, com a saída do ex-governador Lúcio Alcântara do comando da agremiação e a entrada de Roberto Pessoa em seu lugar.

Além de comandar a busca por mais filiados para a disputa de outubro próximo, Roberto Pessoa, que deve assumir a presidência do partido em fevereiro, terá que enfrentar conflitos internos, como a aproximação entre a deputada federal Gorete Pereira e o governador Camilo Santana (PT). A parlamentar, vice-presidente do PR no Ceará, é eleitora do chefe do Poder Executivo e vai apoiar sua reeleição ao Governo do Estado.

Como é deputada federal, Gorete Pereira teria prioridade na executiva nacional para comandar o partido no Ceará, mas ela informou ao Diário do Nordeste que, devido às atividades parlamentares e à relação de amizade com Roberto Pessoa, prefere ficar na vice-presidência. "Sempre fui parceira e não tenho porque mudar agora. A gente está se entendendo. Com a saída do Lúcio, o Roberto Pessoa fica na presidência, até porque preciso de tempo mais livre para a eleição", confessou a parlamentar.

Apoio definido

Sobre o impasse quanto à proximidade com Camilo Santana, a deputada informou que não haverá qualquer mudança em seu diálogo com o governador. Ela disse, inclusive, que vai apoiar a reeleição do petista ao Governo do Estado.

Gorete Pereira frisou que só não votaria em Camilo caso Roberto Pessoa ou o senador Eunício Oliveira (PMDB) assumissem a candidatura da bancada de oposição, o que está fora de cogitação. Enquanto Pessoa é pré-candidato a deputado estadual, o líder emedebista aposta no retorno ao Senado.

"O governador está fazendo o máximo pelo Ceará, e suas ações têm sido corretas. Acredito que não teremos problemas quanto a isso. Maracanaú (colégio eleitoral de Roberto Pessoa) vai receber investimentos para requalificar toda a parte sanitária, que consegui. Foram 14 anos e nunca foi feito nada. Eu consegui acabar com a briga entre a Marquise de Maracanaú e a Cagece", justificou a parlamentar.

Administrar

Roberto Pessoa confirma que a deputada federal deve mesmo apoiar Camilo Santana, mas ressaltou que este conflito terá que ser administrado por ele, a partir do momento em que for escolhido como novo presidente do partido. "Todo mundo diz que a Gorete está com o Camilo, até ela já me disse. Mas ela vai ter que se reeleger por uma coligação, e nossa coligação será de oposição a Camilo", enfatizou.

O ex-deputado, que tentará retornar à Assembleia Legislativa em outubro próximo, vai a Brasília em fevereiro para dialogar com a direção nacional do partido e apresentar a posição do atual presidente estadual, Lúcio Alcântara. No entanto, Roberto Pessoa afirmou que o ex-deputado Valdemar da Costa Neto, que comanda o PR nacionalmente, já está ciente da situação. "Não terá problemas, até porque não vamos tomar atitudes unilaterais", minimizou.

Roberto Pessoa salientou ainda que o momento é de tentar organizar o partido, após a saída de uma das principais lideranças que a legenda teve no Estado, o deputado Capitão Wagner. Apesar da desfiliação do parlamentar, que está marcada para acontecer oficialmente somente em março, o dirigente ressaltou que ele continuará na oposição e fará parceria com o PR.

O ex-deputado, inclusive, disse que participará do anúncio de filiação de Wagner ao PROS, que deve ocorrer na próxima quinta-feira (25), na Assembleia Legislativa. Quanto a Cabo Sabino, o dirigente afirmou que não sabe qual será o comportamento do parlamentar durante as eleições, visto que, assim como Gorete Pereira, o deputado federal tem se aproximado do governador, apesar de ter dito que trabalhará de forma independente no PHS, partido ao qual se filiará também em março.

Lúcio Alcântara, depois de mais de uma década na presidência da legenda, passa a ser presidente de honra do PR no Ceará. "O Roberto está mais atuante, porque ele está disputando eleição, então achamos bom que ele fosse o presidente do partido. Eu vou continuar ajudando, desempenhando meu papel, mas sem a obrigação do cargo", afirmou.

Fique por dentro

Sigla registrou crescimento em eleições recentes

Em 2014, o PR elegeu quatro parlamentares no Ceará: os deputados federais Cabo Sabino e Gorete Pereira e os estaduais Fernanda Pessoa e Capitão Wagner. Este último foi o candidato eleito com maior número de votos na história da Assembleia Legislativa. Os quatro, juntos, obtiveram ao todo 524.286 votos.

Nas eleições de 2016, o partido foi a quinta legenda que mais elegeu prefeitos no Ceará, nos municípios de Maracanaú, Tauá, Araripe, Aratuba, Aurora, Boa Viagem, Guaiuba, Ibiapina, Jaguaretama, Miraíma, Potengi e São Luis do Curu. Em Fortaleza, o partido ainda foi para o segundo turno do pleito daquele ano, obtendo 588.451 votos. No entanto, foi derrotado pelo prefeito Roberto Cláudio (PDT), reeleito com 678.847 votos.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.