Afastamento do governo

Após cobranças, Cid diz estar internado no Brasil

A viagem do governador, sem explicações, levou a oposição a pedir satisfação do paradeiro

00:00 · 17.04.2014
cid
Na tarde de ontem, o governador afirmou que está internado no País e quer privacidade. Depois, explicou que estava se referindo a "politiqueiros de plantão"

O afastamento do governador Cid Gomes do Estado, por um prazo de dez dias, para fazer uma suposta viagem de férias, surpreendeu até os deputados mais próximos ao chefe do Executivo estadual. Na sessão da Assembleia Legislativa da última quarta-feira, opositores cobraram satisfação sobre o paradeiro de Cid. Em resposta às críticas, o governador declarou, ontem à tarde, em seu perfil no Facebook, que está internado numa clínica no Brasil por recomendações médicas e pediu privacidade a "politiqueiros de plantão".

Na terça-feira à noite, o portal do Tribunal de Justiça do Estado divulgou que o presidente da Corte, desembargador Gerardo Brígido, estava assumindo interinamente o Governo do Estado, após recusa do vice-governador Domingos Filho e do presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Albuquerque, ambos do PROS. Os dois primeiros da linha de sucessão negaram assumir a vaga para não ficarem inelegíveis no pleito deste ano.

Na Assembleia, antes de o governador se posicionar sobre o afastamento, a discussão da viagem dele foi levada à tribuna pelo deputado Roberto Mesquita (PV), que citou um boato de que Cid alugou um jatinho, foi a Brasília, Rio Grande do Sul e estaria hospedado na casa do empresário Alexandre Grendene, em Punta Del Leste, no Uruguai. "Quando a informação vazou, o governador veio apresentar sua saída do Estado por um período de dez dias", arriscou.

O deputado João Jaime (DEM) concordou sobre a gravidade do fato. "Desde a semana passada que o governador vinha anunciando que iria tirar dez dias de férias para viajar ao Interior. Depois divulgou que não iria mais e que iria tirar as férias em seu sítio. Isso foi divulgado em todas as colunas sociais para que todo mundo achasse que ele estava na Serra da Meruoca", apontou, sugerindo que Cid está no Uruguai.

Comunicado

Segundo o democrata, não haveria problemas se o gestor avisasse sobre sua saída do Estado, através de um comunicado, aos presidentes da Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça do Ceará e ao vice-governador. "Houve um vácuo de poder no Estado do Ceará e isso é muito sério", criticou, acrescentando que vai solicitar, através de requerimento, informações sobre a viagem de Cid. Para Jaime, caso o governador tenha se ausentado do País desde a terça-feira passada, Domingos Filho estaria inelegível, pois teria de ter assumido o cargo.

Roberto Mesquita chegou a afirmar que o chefe do poder Executivo cearense não foi correto se tiver saído do Estado sem avisar. Ele citou ainda algumas viagens feitas por Cid Gomes que renderam polêmicas, como o episódio em que foi acompanhado pela sogra em viagem oficial e outra recente quando desviou visita à Coreia do Sul para alguns dias de lazer na Europa.

"Toda a ditadura militar produziu 424 mortos e desaparecidos. O Estado do Ceará, em três meses, tem mais de mil crimes violentos. Por isso, não dá para o governante estar de férias em um local, escondido ao povo do Ceará", alfinetou Mesquita.

Já Eliane Novais (PSB) informou que o presidente da Assembleia Legislativa, José Albuquerque, também estaria inelegível, visto que Albuquerque estava no Estado quando da ausência de Cid Gomes e também deveria ter assumido a vaga deixada pelo governador.

Ao líder do Governo, José Sarto (PROS), não escapou a surpresa sobre a saída do gestor. Em defesa do governador, ele chamou de "boatos" e "mentira" a informação de que Cid Gomes estaria no Uruguai, ressaltando que o governador registrou no Diário Oficial do Estado (DOE) sua saída na terça-feira passada.

Já Roberto Mesquita comentou que, caso não seja verdade a informação de viagem internacional de Cid, o assunto estaria "encerrado". No entanto, ainda suspeitou das informações passadas pelo líder do Governo, deputado José Sarto.

Licença particular

A deputada Fernanda Pessoa (PR) afirmou que faltou satisfação dada pelo governador ao povo cearense. O vice-presidente do Legislativo estadual, Tin Gomes (PHS), defendeu que Cid Gomes não deve a nenhum cearense satisfação sobre a sua licença particular, assim como os parlamentares que se ausentam da Casa por quatro meses.

"Se ele tiver nos dez dias particular, ele pode andar no avião que quiser. Agora, o vice-governador se sentiu impedido de ser oficializado governador, assim como o presidente José Albuquerque", justificou.

Tin Gomes ressaltou que está indignado com as críticas feitas pela oposição, afirmando que a função dos presidentes do Legislativo e do Poder Judiciário, assim como do vice-governador, era cobrir o vácuo deixado por Cid Gomes.

João Jaime, em contrapartida, esclareceu que o que se contestou foi a questão física de sua saída e não a oficialidade feita no Diário Oficial do Ceará. "O governador pode fazer o que quiser, mas precisamos saber quando ele se ausentou do Estado".

Na tarde de ontem, inicialmente, Cid publicou, na sua página pessoal do Facebook, que está internado numa clínica por questões de saúde e espera "ter direito a um mínimo de privacidade possível". Em seguida, retificou o post, apagando o trecho relacionado à privacidade, e explicou, numa segunda publicação, que estava se referindo ao que ele chamou de "politiqueiros de plantão".

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