Construção de chapas

Apoio a presidenciáveis desafia nanicos no Ceará

Além de dificuldades na articulação de candidaturas próprias, siglas pequenas devem montar palanques

Dirigentes apostam em presidenciáveis para que partidos nanicos, que não têm representação na Assembleia, possam eleger parlamentares ( Foto: José Leomar )
01:00 · 23.01.2018

Partidos políticos pequenos, com pouca densidade eleitoral, dificuldades estruturais e financeiras. Esta tem sido a realidade da maior parte das agremiações com comissões provisórias no Ceará, que tentam articular candidaturas para o pleito de outubro próximo. Além disso, algumas delas também terão, neste ano, o desafio de montar palanques para pretensos candidatos à Presidência da República.

Uma dessas legendas é o PODEMOS (antigo PTN), que recentemente passou por uma mudança em sua direção para, em seguida, voltar a ser conduzida por antigos dirigentes. A sigla chegou a ser dirigida por assessores do deputado federal Cabo Sabino (ainda no PR), que migraria para o partido e pretendia montar palanque para o presidenciável Jair Bolsonaro (PSC), visto que o parlamentar é um de seus cabos eleitorais no Estado.

No entanto, após o partido, em âmbito nacional, ter confirmado a pré-candidatura do senador Álvaro Dias (PODEMOS-PR) à Presidência, Sabino declinou da mudança e seus correligionários deixaram a legenda. No próximo dia 2 de fevereiro, Toinho do Chapéu, que foi reconduzido à presidência do PODEMOS, vai se encontrar com Álvaro Dias para tratar de assuntos referentes a questões financeiras e de fortalecimento do grêmio, visando a atuação durante a campanha eleitoral em prol da candidatura do presidenciável.

Na reunião, também será marcada uma data para visita de Álvaro Dias ao Ceará. No entanto, o partido ainda não tem um nome para apresentar eventual candidatura ao Governo do Estado. Segundo Toinho, há um empresário local com interesse em participar da formatação de uma "chapa forte" para a disputa, mas isso só deve ser confirmado após o julgamento do ex-presidente Lula no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), marcado para amanhã.

"Ele (empresário) me pediu um pouco mais de tempo, para esperar o julgamento do ex-presidente passar, para saber como ficará o cenário local e nacional. Depois do dia 25, iremos conversar e talvez ele viaje comigo para Brasília para falar com o senador Álvaro Dias", disse.

Situação financeira

Em âmbito nacional, o PODEMOS é a 11ª maior bancada da Câmara dos Deputados, com 16 deputados federais. No Ceará, o partido quer formar chapa completa, mas Toinho do Chapéu acredita que terá muita dificuldade para isso. "Se vamos conseguir, só o tempo dirá. Temos que trabalhar com esse foco e, não dando certo, buscar outras alternativas. Mas a orientação é buscar o fortalecimento".

O presidente do PODEMOS afirmou ainda que não tem sido fácil a situação da legenda, principalmente no que diz respeito a doações de filiados, visto que o partido não tem representação na Assembleia Legislativa ou na bancada federal cearense. "Nós continuamos sem receber repasses da executiva nacional. Nossa sobrevivência é feita pelos nossos membros. Vamos conversar com o senador Álvaro Dias sobre repasses financeiros para fazermos os nossos encontros regionais", explicou.

Na semana passada, o anúncio da pré-candidatura do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Melo (PTC-AL) surpreendeu até dirigentes do partido no Ceará. De acordo com o presidente da legenda, Aldenor Figueiredo, "foi um baque muito grande" quando ele soube que Collor pretende ser candidato a presidente. "Recebi essa ingrata notícia pelas redes sociais, então pedi que fosse marcada uma reunião para discutirmos o destino que devemos seguir", disse.

O partido se reuniu, na noite de ontem, para definir como se comportará na disputa ao Governo do Estado, bem como se, no Ceará, os filiados vão apoiar Collor, caso ele seja confirmado como candidato da agremiação. O ex-vereador Ciro Albuquerque é o pré-candidato da sigla ao Governo do Estado, enquanto Robert Burns, também ex-vereador, deve postular vaga ao Senado. O anúncio oficial do lançamento das pré-candidaturas está marcado para 2 de fevereiro, na Assembleia Legislativa.

Repasses

Apesar das pretensões do partido, Figueiredo destacou que a legenda passa por crise financeira para se manter e defende financiamento público de campanha. Assim como o PODEMOS, o PTC vive do apoio dado por seus membros, uma vez que não há repasses da executiva nacional.

Outro partido que passa por dificuldades financeiras e estruturais é o PSL, que recentemente anunciou filiação do presidenciável Jair Bolsonaro à legenda. Na manhã de ontem, o ex-presidente do partido no Ceará, Rodrigo Marinho, anunciou sua saída da agremiação, uma vez que sua entrada no grêmio tinha como objetivo a renovação da sigla, através do movimento Livres. Ele e seus correligionários devem se filiar ao NOVO. De acordo com Marinho, um nome ligado a Bolsonaro deve conduzir o partido daqui para a frente.

Outros partidos pequenos e nas mesmas condições financeira e estruturais que os citados também pretendem ter candidaturas à Presidência da República, como o PSOL e o PSC. O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, tem sido cotado como pretenso candidato pelo primeiro, e o segundo deve ir para a disputa com Paulo Rabello de Castro, presidente do BNDES. Levy Fidélix, do PRTB, também já anunciou candidatura.

Pré-candidatos

Podemos

Senador Álvaro Dias

PTC

Senador Fernando Collor de Melo

PSL

Deputado federal Jair Bolsonaro

PRTB

Levy Fidélix

Além destes, PSOL e PSC sinalizam candidaturas próprias, mas ainda não lançaram nomes oficialmente;

No caso do primeiro, o líder do MTST, Guilherme Boulos, tem sido cotado para disputar a Presidência;

No outro, Paulo Rabello de Castro, presidente do BNDES, é apontado como possível pré-candidato.

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