advertência aos eleitores

Alguns aliados ainda reclamam das coligações

Além das insatisfações com as coligações, os deputados guardam preocupação com os estímulos aos eleitores

Campanha da Federação das Indústrias do Ceará, nas redes sociais, advertindo os eleitores sobre a importância de escolher bem os seus candidatos nas eleições deste ano. Alguns deputados esperam que outros movimentos idênticos ainda surjam
01:00 · 08.08.2018

O processo de formação das chapas majoritárias e proporcionais deixou aliados do governador Camilo Santana (PT) insatisfeitos. Os poucos deputados que compareceram à sessão ordinária de ontem, na Assembleia Legislativa, demonstraram a tensão pós-convenções partidárias, refazendo cálculos para saber quem, realmente, teria capacidade de retornar ao Legislativo depois do pleito de outubro.

Os atuais deputados apostavam nas coligações que imaginavam ser as melhores para suas reeleições, tendo em vista a dificuldade de abordagem do eleitor por conta da imagem negativa que tem hoje o político brasileiro. Além disso, eles também têm preocupação com campanhas que podem surgir, chamando a atenção do eleitor para escolher melhor os seus representantes no legislativos.

A Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), por exemplo, já está utilizando espaços nas mídias sociais, advertindo os eleitores sobre a importância de escolher candidatos Ficha Limpa e que não coloquem em primeiro lugar os seus interesses pessoais. Outras manifestações de advertência ao eleitorado ainda poderão surgir, dificultando mais ainda a procura do voto.

Ontem foi o primeiro dia de sessão na Assembleia após a realização das convenções partidárias. Os pronunciamentos no plenário da Casa ficaram em segundo plano, visto que a discussão prioritária girava em torno da campanha. Teve até deputado pedindo ajuda a outro colega em determinados colégios eleitorais, visto a dificuldade que teria para se reeleger.

Beneficiariam

Uma das reclamações de alguns governistas dizia respeito à chapa que se alinhou com o candidato ao Senado, Eunício Oliveira (MDB). Estão coligados com ele, além de MDB, PSD, PSC, PHS, PRB, Podemos, Avante e Solidariedade (SD). Alguns queriam estar na coligação oficial do governador Camilo Santana.

A divisão das chapas, como era de se esperar, deixou muitos aliados irritados. Com um arco de aliança com 24 agremiações, seriam inevitáveis algumas reclamações. Os parlamentares também não viram com bons olhos algumas composições constituídas, visto que determinados partidos apresentaram apenas um ou dois candidatos que se beneficiariam da coligação.

PSD, SD e PSB, por exemplo, lançaram somente dois candidatos para a disputa a deputado federal. O PRB só apresentou o nome do presidente do partido, Ronaldo Martins. Já o DEM, para a Assembleia Legislativa, só indicou o deputado João Jaime, que tenta reeleição.

Ideológico

"Tínhamos uma lógica mais ou menos em comum a todos, a não ser àqueles que seriam prejudicados por essa lógica", disse. Segundo o deputado José Sarto (PDT), a partir de agora, sabendo o nível de dificuldade de cada coligação, mas ainda dentro do cenário de especulação, dá para se ter uma ideia de como será o resultado do pleito de outubro.

O deputado Elmano de Freitas (PT) afirmou que o seu partido ficou em uma situação "que não é a melhor, mas que permite que estejamos na disputa". "Sempre acho ruim que os candidatos estejam em desvantagem. Não está todo mundo eleito, mas também não estão derrotados", ponderou. Segundo ele, o intuito da legenda era estar coligada com agremiações do mesmo campo ideológico.

O pedetista Sérgio Aguiar disse que nem sempre as alianças feitas na política são boas para todo mundo. "Nunca vai se conseguir, com um conglomerado de 24 partidos, deixar todo mundo satisfeito. Temos que procurar minorar os traumas, em busca de sucesso eleitoral para todos", enfatizou.

Membros do Progressistas também disseram estar insatisfeitos com a situação. "Ruim com eles, pior sem eles", disse um membro da legenda, que preferiu não se identificar, sobre a aliança com PDT, PR, DEM e PRP. Para os integrantes do partido, o ideal seria estar em coligação com o PT, mas a sigla petista não quis. "A gente vai à luta. Não é o ideal, mas acredito que ficou razoável", opinou.

Deputados disseram ainda que, a partir de agora, estão analisando quantas vagas cada coligação pode conquistar. Por isso, cada um faz simulações tanto para a disputa a deputado estadual quanto federal. "Se minha coligação faz três vagas, eu vou saber quem está concorrendo para estar nessas três vagas", disse o deputado Julinho, do PPS.

O Tribunal Regional Eleitoral ainda não oficializou o tempo de cada coligação, sobretudo as majoritárias, para a propaganda eleitoral no rádio e na televisão, mas os políticos já estão trabalhando com dados que eles mesmos colheram com base na legislação atual. Os governistas vão ter o maior espaço.

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