PSOL

Ailton Lopes defende uma 'mudança de prioridades'

00:00 · 21.08.2018 / atualizado às 00:10
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"Nós vamos fazer política do jeito que deve se fazer, sem comprar consciência, sem comprar voto, conversando com as pessoas”, diz Ailton Lopes

"Uma mudança de prioridades absolutamente concretas", frisa Ailton Lopes, candidato do PSOL ao Governo do Estado, ao sintetizar o projeto que representa na campanha deste ano. Frisa porque a sentença entre aspas, embora seja única, é replicada em vários momentos, em outras palavras, da entrevista concedida ao Diário do Nordeste. Aos 40 anos, o bancário e professor, que disputa o Palácio da Abolição pela segunda vez, diz que "aperfeiçoou" caminhos para debater "prioridades" com a população e, ainda que reconheça que é "difícil mudar quando tudo joga para que as coisas continuem como estão", garante que fará campanha "falando a verdade", para contrapor-se à atual gestão que, segundo aponta, governa "para os ricos contra os pobres".

Ailton Lopes e a candidata a vice-governadora Raquel Lima (PCB) são os nomes da Frente de Esquerda Socialista, coligação composta por PSOL e PCB, ao Executivo. Ele não é novato em eleições: após obter 102.394 votos para o Governo do Estado em 2014, foi o quinto candidato mais votado para a Câmara Municipal de Fortaleza em 2016. Embora tenha somado 12.483 sufrágios, porém, não foi eleito vereador, porque a coligação não alcançou o quociente eleitoral, número mínimo de votos que garante vaga no Legislativo.

Ao fazer oposição de esquerda, Ailton Lopes defende, dentre outras bandeiras, que incentivos a empresas, colocados em prática na atual gestão, assim como gastos com obras inacabadas como a do Acquario Ceará - alvo de críticas desde o governo anterior, de Cid Gomes - ,sejam substituídos por investimentos em áreas como saneamento básico, turismo comunitário, cultura e ciência e tecnologia.

Ele também propõe que a isenção fiscal aos agrotóxicos vigente seja derrubada em eventual gestão, para que, ao arrecadar impostos, o Governo priorize políticas voltadas, por exemplo, à agricultura familiar. Primeiro candidato assumidamente gay ao Governo, Ailton Lopes sustenta, ainda, que continuará pautando reivindicações de direitos da população LGBT na campanha.

Confira a entrevista de Ailton Lopes na íntegra:

Segurança

Na área da Segurança Pública, que reconhece ser um dos temas centrais do pleito, o candidato do PSOL sustenta que falta "condição técnica, operacional e inteligência", e propõe, ainda, a revisão de "privilégios" de uma parcela do funcionalismo público, políticas de valorização de outras categorias, como professores, e a revogação - ou não aprovação - de propostas do Governo Camilo (PT) para a Previdência Estadual. A chapa PSOL-PCB apresentou à Justiça Eleitoral um plano de governo com 378 propostas, sob a perspectiva de uma "inversão de prioridades".

"A gente precisa melhorar a qualidade do gasto no Estado. Infelizmente, a gente tem percebido que o dinheiro, o Orçamento, os cofres públicos têm sido assaltados para atender interesses de uma pequena elite econômica no nosso Estado. É inaceitável e o povo do Ceará precisa saber", propaga.

Ele critica, por exemplo, a destinação de "R$ 1,4 bilhão do BNDES" e o "desconto de 58,8% no ICMS" concedido pelo Governo do Estado à Usina Termelétrica do Pecém (UTE Pecém), em São Gonçalo do Amarante, além de outros incentivos estatais, enquanto o Estado enfrenta problemas ocasionados pela crise hídrica. "Bilhões só para uma única Termelétrica que consome água que dá para 300 mil habitantes e gera só 300 empregos", menciona. "Nós precisamos dizer que o dinheiro do povo, suado, porque esse dinheiro vem dos nossos impostos, do nosso suor todo dia, não pode ser utilizado para sustentar os grandes empresários amigos do rei", completa.

Diante de candidaturas com maior musculatura partidária e, portanto, mais recursos do fundo eleitoral de financiamento de campanha e mais tempo de propaganda em rádio e televisão, o candidato do PSOL aposta na "indignação do povo" para crescer na disputa eleitoral. Ele diz que, em eventual governo, não jogará dinheiro "no lixo nem na água" - referindo-se aos "mais de R$ 130 milhões para um Acquario num Estado que é o quarto Estado no Nordeste em esgoto a céu aberto" - e, para isso, defende uma discussão participativa do Orçamento estadual.

Ao tratar do funcionalismo público, Ailton Lopes argumenta que propostas do atual governo serviram para "esmagar os direitos dos servidores públicos", a exemplo do aumento escalonado da contribuição previdenciária, de 11% para 14%, e de uma emenda aprovada pela "base monstrenga" do atual governador que, de acordo com ele, "permite que determinados servidores recebam mais do que o teto constitucional federal".

Debate

"Ao invés de eu ficar mentindo para o povo, dizendo 'olha, eu vou dar mais hospital, vou construir mais isso', e depois de quatro anos chegar e dizer 'olha, o Orçamento não deu', eu prefiro debater com a população, como a gente fez na outra eleição, continua e aperfeiçoou ainda mais nessa, debater prioridades".

Ele diz, ainda, que vê "muita semelhança" entre o cenário eleitoral deste ano e o de 2014, porque "o sistema político brasileiro funciona para manter as mesmas elites", e critica o que classifica como "ajuntamento partidário para que todos se salvem, para que os ratos se salvem". A estratégia, então, é fazer campanha "sem comprar consciência e sem comprar votos, conversando com as pessoas e mostrando que está havendo um roubo do dinheiro público para atender aos mais ricos, passando por cima dos pobres. É um governo dos ricos contra os pobres".

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