janela partidária

Afunilam-se os acordos para mudança de siglas

As primeiras novas filiações já estão certas, mas ainda persistem dúvidas quanto a alguns pontos dos acertos

O deputado Osmar Baquit marcou sua filiação para o próximo dia 27, em Quixadá, com a presença de lideranças do PDT estadual ( Foto: Yago Albuquerque )
01:00 · 21.03.2018

Com a aproximação do encerramento do prazo para políticos mudarem legalmente de partido, 7 de abril, coincidindo com a data limite para as filiações daqueles que pretendem disputar um mandato nas eleições de 7 outubro deste ano, afunilam os entendimentos e começam a ser oficializadas as primeiras mudanças de siglas.

O deputado estadual Capitão Wagner é aguardado hoje pela direção do PROS, como anunciou o presidente nacional da sigla, Eurípedes Júnior, enquanto a deputada estadual Fernanda Pessoa e o vice-prefeito de Maracanaú, seu pai, Roberto Pessoa, concluem entendimentos para ingressarem no Solidariedade (SD), PSD ou PSDB. Todos os três estão saindo do PR, juntamente com o deputado federal Cabo Sabino, acertado para integrar as fileiras do Avante.

O deputado estadual Osmar Baquit, atualmente filiado ao PSD, já marcou a sua data de ingresso no PDT para o próximo dia 27, em solenidade que acontecerá no Município de Quixadá. O deputado Gony Arruda, que também deixa o PSD para entrar no PP, aguarda a definição da data de filiação a ser marcada pelo partido, juntamente com outros políticos.

Desdobramentos

O outro deputado que também deixará o PSD é Roberto Mesquita. Ele vai acompanhar o deputado Capitão Wagner. O PSD ficará apenas com o deputado Odilon Aguiar, que semana passada desfiliou-se do PMB, partido que era presidido pela ex-prefeita de Tauá e agora está na base de apoio ao Governo do Estado. A deputada Bethrose ficou no PMB, mas poderá se filiar ao PDT ou ao PP, em razão da dificuldade de o PMB fazer coligação com partidos menores.

Alguns políticos estão deixando para o último momento a definição sobre mudança, ou pelo fato de aguardarem desdobramentos de entendimentos sobre a sucessão presidencial ou, ainda, por falta de acordos sobre possíveis coligações proporcionais, um dos obstáculos para muitas novas filiações.

Paralelo a essa movimentação sobre mudanças de siglas, os deputados intensificam as incursões às suas bases eleitorais. No Legislativo cearense, mais de 30 dos 46 deputados estaduais deverão disputar a reeleição, em outubro próximo.

Suporte

Acontece que alguns destes, entrevistados pela reportagem do Diário do Nordeste, admitem estar preocupados se retornarão ou não para a Casa, não só em razão do descrédito da população com a classe política no geral, mas também porque alegam não terem apoio suficiente de prefeituras que deem suporte às suas candidaturas ou, ainda, por enfrentarem, hoje, dificuldades partidárias.

A deputada Silvana Oliveira (MDB), que está em busca de um novo partido para dar musculatura a eventual tentativa de reeleição, acha que, se continuar na sigla peemedebista, servirá apenas de "bucha" - quando os votos obtidos por candidatos considerados "nanicos" ajudam a legenda a garantir mais uma vaga na coligação - para eleger figuras de maior cacife eleitoral. Afora Silvana, nenhum outro deputado do MDB pretende deixar a agremiação.

O MDB conta, hoje, com cinco deputados estaduais, sendo a segunda maior bancada da Casa. São eles: Danniel Oliveira, Audic Mota, Agenor Neto e Leonardo Araújo. Silvana negocia sua mudança para o PP. No ano passado, afora Danniel e Leonardo, os demais parlamentares admitiam deixar o MDB.

Os peemedebistas mudaram de ideia após a aproximação do senador Eunício Oliveira (MDB) com o governador Camilo Santana (PT). Eles eram da oposição. Disputaram a eleição de 2014 contra o governador. Silvana Oliveira, Audic Mota e Agenor Neto desobedeceram a orientação do partido na eleição da nova Mesa Diretora da Assembleia, em dezembro de 2016, ficando ao lado do esquema do governador.

"É muito grande (a preocupação com a reeleição), porque, apesar de as pessoas dizerem que o voto seja livre, não é isso que a gente observa no Interior. A gente observa um prefeito escolhendo um deputado e leva rebanhos inteiros (para votar nele), são eleições discutidas", diz Silvana Oliveira.

Segurança

Já o deputado Roberto Mesquita (PSD) acredita que as intensas cobranças da população feitas a ele, por soluções para problemas enfrentados no Estado nas áreas da Segurança e da Saúde, influenciarão muito o voto do eleitor este ano.

"As pessoas reclamam dos índices de Segurança, dos indicadores de Saúde, a falta de política de saneamento, isso faz com que nós, ao enfrentarmos a população, tenhamos que dizer o porquê que nós não elegemos essas ações como prioridade e fica difícil, estando no mandato, ocorrer o problema, você justificar o porquê que o problema persiste, você tendo conhecimento dele. Tenho essa preocupação enorme, mas me anima um pouco a liberdade que tive de contrapor, de discutir, fazendo parte da oposição", enfatiza.

Por outro lado, o deputado Gony Arruda (PSD), ao ser questionado sobre o sentimento em relação à disputa a reeleição, disse estar "tranquilo" e avalia que as visitas às suas bases eleitorais têm sido suficientes para dar uma satisfação do seu trabalho.

"Tenho mostrado o meu trabalho. Agora, é no Brasil, não é só no Ceará, ninguém sabe exatamente qual vai ser o resultado das eleições no Brasil, é uma incógnita, o Brasil vai viver uma eleição diferenciada em todos os estados, a expectativa nossa é por isso, é porque não se sabe como será a reação popular no Brasil inteiro", ponderou.

Mas, para o deputado Osmar Baquit (PSD), todos os políticos com mandato, hoje, têm "medo" de não serem reeleitos. "Todo mundo se preocupa, quem disser que não está preocupado, por mais que tenha uma eleição garantida, como a gente sabe que alguns têm, não deixa de ser preocupante, de ter que estar na luta todo dia. O voto é uma coisa que muda muito rápido", diz.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.