troca de partido

A preocupação agora será com a formação das coligações

As novas filiações só confirmam a falta de compromisso de mudar o modo de fazer política no nosso País

Mais de uma dezena de deputados estaduais trocaram de partido na presente legislatura, e um total aproximado de federais fizeram o mesmo, pelos mais variados interesses, mas sempre se aproximando dos governos ( Foto: José Leomar )
01:00 · 07.04.2018 por Edison Silva - Editor de Política

Está encerrada, hoje, 7 de abril, exatos seis meses antes do dia da votação para a eleição do presidente da República, dois terços do Senado (54 senadores), 513 deputados federais, e todos os deputados estaduais de 26 estados (no Ceará são 46), e os 24 parlamentares da Câmara Legislativa do Distrito Federal, a primeira e mais importante etapa do processo eleitoral para os pretensos candidatos e seus respectivos partidos, consubstanciada na filiação partidária.

Até o dia 20 de julho, quando o Calendário Eleitoral registra a parte das convenções para homologação das candidaturas e coligações, no ambiente interno das agremiações, muito ainda há de concreto a acontecer e de especularem.

Nesse interregno entre as filiações e as convenções, efetivam-se, de fato, os acertos para definições das relações de candidatos de cada partido, assim como as negociações para a formação das alianças oficiais (as coligações) que satisfaçam aos dirigentes dos respectivos grêmios partidários, em muitos casos, ou na quase totalidade, diga-se, por oportuno, nos seus interesses meramente eleitoreiros, semelhantes às definições de todos quantos resolveram mudar de partido até ontem, aproveitando-se do casuísmo denominado de "Janela Partidária".

Oneroso

Não há como se perceber, na quase totalidade das mudanças de partido registradas, o mínimo de sentimento ético, de compromisso pragmático ou ideológico, de respeito ao eleitor, senhor dos votos garantidores dos mandatos ou das suplências conquistados pelos trânsfugas. O motivo primeiro, menos gravoso, moralmente, da troca de legendas, é a perspectiva de garantia da renovação do mandato, ou, manutenção do status junto aos governos que lhes retribuem o apoio.

Mas existe um outro, a título de financiamento de campanha, deveras oneroso e imoral, antecedendo o Caixa Dois das campanhas, ao tempo que deixa claro a desqualificação da representação exercida por tais envolvidos, no caso de eleitos. Lamentavelmente, toda a movimentação registrada, sobretudo as dos bastidores deste mês da tal "Janela Partidária" hoje findo, só reforça a defesa de uma urgente mudança total na legislação partidária nacional, também capaz de exigir, dos dirigentes, filiados e eleitores em geral, comportamentos diferentes, republicanos, compatíveis com um ambiente democrático efetivo, onde os partidos e a política são respeitados e respeitam o cidadão. Alguns deputados, de 7 de março a 6 de abril últimos, chegaram a negociar a troca de filiação com dois ou mais partidos e optando por um outro fora do rol das tratativas.

No curso desta legislatura, mais de 20 deputados, federais e estaduais, trocaram de partidos, sob a alegação das mais variadas razões, dentro e fora do prazo permissivo, demonstrando, também, a inépcia da Lei da Fidelidade Partidária, pois nenhum dos que a violaram foram atingidos, quer pela argumentação pueril dos infratores, quer pelo desinteresse dos próprios partidos e dos suplentes, assim como do Ministério Público.

Negociação

Esta Lei é tão inofensiva que agora mesmo vereadores estão trocando de partido, quando a abertura é apenas para os deputados, sem a mínima preocupação com a perda do mandato.

Concluído o quadro atual, começam um segundo tipo de negociação para as eleições deste ano, a da formação das coligações majoritárias e proporcionais. Em ambas, o objetivo é ganhar a eleição, natural, se elas fossem efetivadas com critérios diferentes do personalista, origem das divergências constantes registradas entre presidente, governadores e prefeitos com seus respectivos vices, bem como entre senadores e suplentes, e até mesmo nas bancadas parlamentares, eleitas com os somatórios dos votos de todos os partidos da coligação.

O vice sempre é escolhido tendo como premissa maior a eleição do seu companheiro. Os dois, quase sempre, antes da aliança, nunca trocaram ideias sobre questões relacionadas a ideologias, gestão pública, problemas sociais e tantos outros que, pelas proximidades de ideias, deveriam ser o elo entre um e outro. Do mesmo modo se dão as escolhas dos suplentes de senador. O primeiro suplente é sempre aquele detentor de poder econômico para contribuir com os gastos da campanha, ou ainda familiar ou preposto de um influente líder político, para evitar a possibilidade de traição. Senador e suplentes, há casos, se conheceram nas convenções partidárias.

A mixórdia que são as coligações - nos reportamos às locais, mas no plano nacional elas têm o mesmo defeito -, reúnem partidos e políticos das mais diferentes espécies e comportamentos, em certos casos, agressivos ao eleitorado, não apenas pelas posições díspares dos integrantes dos seus agrupamentos, como pelos efeitos deletérios que geraram quando seus principais integrantes se apartaram, o caso do rompimento da longa aliança entre o grupo dos irmãos Cid e Ciro Gomes com o do senador Eunício Oliveira, registrado às vésperas do pleito estadual passado.

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