chacina do benfica

Vítima e suspeito foram processados juntos

Conforme os autos, José Gilmar e Stefferson Mateus respondiam juntos por um roubo, cometido em 2010

A ordem para a Chacina ocorrida em três pontos diferentes do bairro Benfica teria sido dada de dentro da CPPL II. O mandante seria um detento, que já havia sido amigo e vizinho do grupo, que atualmente era seu rival ( Foto: Kléber A. Gonçalves )
01:00 · 16.03.2018
Protestos e pedidos de paz ocorreram na Praça da Gentilândia, onde Gilmar Júnior foi morto ( Foto: Reinaldo Jogre )

Morto na Chacina do Benfica, José Gilmar Furtado de Oliveira Júnior, 33, já teve uma relação de proximidade com um dos seus algozes. Conhecido como 'Júnior Biba', a vítima tinha passagens pela Polícia por roubo e posse de drogas. Conforme o Tribunal da Justiça do Ceará (TJCE), o assalto cometido pela vítima no ano de 2010 aconteceu em parceria de Stefferson Mateus Rodrigues Fernandes e Ana Thaise Ferreira Maciel.

Stefferson é apontado pela Polícia Civil como um dos três homens responsáveis pela sequência de ataques ocorrida há exatamente uma semana, em três pontos do bairro Benfica. Os autos reiteram o que um policial civil havia informado, com exclusividade ao Diário do Nordeste. "A chacina não tem relação com briga de torcidas. A ordem veio de um presidiário e o motivo foi uma briga interna".

Conforme o investigador, que não quis se identificar, vítima e alguns dos suspeitos eram amigos e vizinhos, no Alto da Paz. O desentendimento entre a turma teria se dado há pouco tempo, mas já teria desencadeado outras mortes. "O grupo se dividiu. Um líder mandou matar duas pessoas da família de um presidiário, identificado como 'Marquim', que está na CPPL II. Agora, o 'Marquim' se vingou nos parentes do outro líder", explicou o policial confirmando que a ordem para a chacina veio de dentro de uma penitenciária.

Em coletiva de imprensa realizada um dia após as sete mortes, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que os autores do crime atiraram contra 'Júnior Biba', na Praça da Gentilândia, e depois retornaram para efetuar mais disparos contra ele. No corpo, foram encontradas, pelo menos, 10 perfurações a bala. Na pochete de José Gilmar havia uma quantidade de crack, maconha e dinheiro trocado.

O titular da Pasta, André Costa, lembrou que a maneira como foram cometidos os três ataques no bairro Benfica foram distintos. "Os disparos contra ele não foram de forma aleatória", disse o secretário, na última entrevista acerca do caso.

Além de Stefferson Mateus, foram identificados como autores dos homicídios Douglas Matias da Silva e Francisco Elisson Chaves de Souza, ambos também com antecedentes criminais. O trio integraria a facção criminosa Guardiões do Estado (GDE). Até a noite de ontem, apenas Douglas Matias havia sido capturado.

Histórico

Conforme denúncia do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), no dia 4 de abril de 2010, por volta das 5h30, na Avenida Duque de Caxias, José Gilmar, Stefferson Mateus Rodrigues e Ana Thaise "incindiram na conduta delitiva de roubo qualificado, na forma tentada" contra duas vítimas.

Os autos dão conta que, quando abordadas, as vítimas estavam em uma parada de ônibus. Uma patrulha da Polícia Militar diligenciava pelas imediações e avistou o conflito. Os três suspeitos de assalto foram detidos em flagrante e encaminhados ao 34º DP (Centro). No último dia 12, a 16ª Vara Criminal protocolou um documento em que conta que 'Júnior Biba' e Stefferson Mateus estavam em liberdade provisória, desde julho de 2011.

Sobre a motivação para a morte de Gilmar, que seria cabeleireiro, a mãe da vítima chegou a conceder entrevistas afirmando acreditar que a execução do filho teria sido motivada por homofobia, já que "o assassino mostrou muito ódio".

Durante o enterro de José Gilmar Júnior, realizado no último domingo (10), no Eusébio, Gilma Angélica Furtado, irmã da vítima, evitou se expressar sobre a tragédia ocorrida no Benfica e declarou apenas: "não há muito o que falar. Sabemos que Justiça, só a divina".

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