crianças estavam em casa

Três irmãos morrem queimados em incêndio

As vítimas dormiam, quando o quarto pegou fogo. A Pefoce e a Polícia Civil investigam o que provocou as chamas

01:00 · 05.06.2018 por Messias Borges - Repórter
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Comovidos, os vizinhos estiveram no local da tragédia. Conselheiros tutelares, policias e peritos comparecem para fazer levantamentos sobre o caso
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O CBM acredita que pode ter havido um curto-circuito ou algum superaquecimento ( Fotos: Saulo Roberto )

Três irmãos com idades entre 2 e 6 anos, morreram juntos, em um incêndio dentro do quarto onde dormiam, na Rua Sete, bairro Barrocão, em Itaitinga, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), ontem. A Polícia Civil, com auxílio da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), investiga o episódio trágico.

Um vizinho das crianças, que não quis se identificar, contou que percebeu que o imóvel estava em chamas por volta de 2h. Ele e outras pessoas se mobilizaram, arrombaram a porta, arremessaram água na tentativa de debelar o fogo, mas não conseguiram. "Não tinha mais o que fazer", lamentou.

Maria Eloá Gonçalves, 2; Anthony Ruan Gonçalves, 5; e Maria Estela Gonçalves, 6, já estavam mortos, com os corpos carbonizados quando foram encontrados. As chamas se alastraram rápido e destruíram totalmente o quarto onde eles dormiam. Cama, ventilador e guarda-roupa também foram queimados. O teto desmoronou. Os outros cômodos não foram tão atingidos.

O Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMCE) foi acionado pela Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) às 2h50, e deslocou para a local três viaturas, com especialidades diferentes, sendo uma de combate a incêndio, outra de salvamento e uma ambulância, segundo a relações públicas da Instituição, capitã Julianny Freire. "Quando chegamos, já não tinha mais o que fazer. O Corpo de Bombeiros apagou o incêndio e fez a busca dos corpos das crianças. O cenário do quarto era de total destruição. O teto cedeu, ficou tudo muito misturado, só tinha escombros. Foi difícil identificar o que era corpo e não era", relatou a militar.

A capitã Julianny afirmou que, nesses casos, geralmente, a morte se dá por asfixia, devido a inalação da fumaça tóxica, antes da carbonização dos corpos. Dormindo, as crianças não conseguiram reagir. Entretanto, a motivação só será comprovada com o laudo pericial. O documento da Pefoce também é aguardado para indicar a causa do acidente.

"Há suspeitas: o superaquecimento de equipamento elétrico, no caso o ventilador que ficava ligado direto; ou pode ter tido um curto-circuito. Mas só o laudo pericial vai dar certeza do que realmente aconteceu, concluiu a relações públicas do Corpo de Bombeiros Militar.

Informações preliminares levantadas pelo CBM davam conta que os pais de Maria Eloá, Anthony Ruan e Maria Estela estavam dentro da residência incendiada, em outro quarto. Porém, outra versão surgiu durante uma visita do Conselho Tutelar de Itaitinga ao local, na manhã de ontem.

Pais

Conforme o conselheiro tutelar Miguel Bessa, os próprios pais das crianças revelaram que não estavam no imóvel na hora do incêndio, mas em uma casa próxima. Um tio das crianças estaria no local, mas não teria acordado a tempo de salvar os sobrinhos.

O quadro se configura como negligência, segundo Bessa. "As informações estão desencontradas, cada pessoa fala uma versão diferente. Colhemos depoimentos da vizinhança, conversamos com a família. Vamos nos certificar de como aconteceu essa história e, depois disso, acionaremos a Polícia Civil para investigar o caso. A princípio, já percebemos uma negligência, já que os pais não estavam em casa. Vamos fazer um relatório e encaminhar também à Promotoria, para tomar as medidas cabíveis", revelou.

A tragédia abalou os pais das vítimas, familiares e toda a comunidade do Barrocão, que compareceu à residência, na manhã de ontem, para prestar solidariedade aos mais próximos das crianças. Nenhum parente quis gravar entrevista. Em seguida, os pais se dirigiram à Coordenadoria de Medicina Legal (Comel), da Pefoce, para o procedimento de identificação e liberação dos corpos dos três filhos.

Investigações

Outra equipe da Perícia Forense compareceu à residência incendiada para colher elementos que possam elucidar as causas do incêndio. O motor de um ventilador e outros objetos foram recolhidos, enquanto a PM isolava o imóvel e a população acompanhava o início das investigações.

A Polícia Civil, através da Delegacia Metropolitana de Itaitinga, irá instaurar inquérito para investigar o incêndio, após fazer levantamentos no local. "A partir de agora, é apurar as causas do que aconteceu e as responsabilidades. Em todos os meus anos de Polícia, que já são muitos, presenciei poucas vezes cenas como essa. É uma tragédia muito grande, difícil externar qualquer opinião. As investigações estão só no início", afirmou o inspetor geral Eudes Muniz.

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