SVO entrega cadáveres trocados a famílias - Polícia - Diário do Nordeste

TRANSTORNO

SVO entrega cadáveres trocados a famílias

23.07.2008

Um erro do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) fez com que uma família sepultasse um desconhecido

Uma troca de cadáveres realizada pelo Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) Doutor Rocha Furtado, do Governo do Estado, gerou transtornos, indignação e revolta por parte de familiares dos dois mortos. Uma das famílias chegou a realizar o sepultamento que acreditava ser do ente querido. Horas depois, foi informada de que havia enterrado o corpo de outro homem.

A família do mecânico Samuel Viana Soares, 32 anos, recebeu para sepultamento o corpo do portador de transtorno mental Raimundo Aguiar Arruda, 59. Os dois morreram no domingo (20) e tiveram os corpos encaminhados no mesmo dia para o SVO, localizado na BR-116, em Messejana.

O mecânico faleceu de parada cardíaca, em Beberibe, enquanto o idoso teria morrido vítima de engasgo, na Casa de Repouso Nosso Lar, na Avenida José Bastos. O SVO liberou o corpo do mecânico para sepultamento, mas, por engano, entregou à família o corpo de Raimundo Aguiar.

Pressa

O irmão do mecânico, Daniel Viana Soares, conta que o enterro de Samuel teve que ser feito às pressas no Cemitério do Bom Jardim, na segunda-feira (21), à tarde, porque havia grande movimentação policial no local por conta de outro sepultamento ali. Assim, tiveram pouco contato com o corpo. ´Já fazia algum tempo que não víamos nosso irmão. Vimos o corpo rapidamente, mas não percebemos a troca´, conta Daniel. Horas depois, em casa, foi informado por telefone sobre o equívoco do SVO. ´Isso é um absurdo. Um desrespeito´.

Ontem pela manhã, Daniel e a irmã voltaram ao SVO, quando puderam reconhecer o corpo de Samuel e iniciar os preparativos para um novo enterro. Desta vez, do ente querido.

Enquanto a família do mecânico tentava compreender a situação constrangedora provocada pelo SVO, familiares de Raimundo Aguiar eram informados da troca de corpos.

´Eles disseram que foi um engano e que o corpo do Raimundo havia sido enterrado por outra família´, contou, perplexa, a psicóloga Sandra Uchôa, prima do idoso.

Segundo ela, na segunda-feira, o SVO informou que o corpo de Raimundo iria para o IML de Fortaleza. ´Esperamos até às 22 horas pela chegada do corpo, o que não aconteceu´, lembra. Ela e outros familiares de Raimundo estiveram ontem no 6º DP (Messejana), onde registraram um Boletim de Ocorrência (BO) sobre o caso.

APURAÇÃO
Diretora do órgão admitiu o equívoco

´Vamos instaurar um processo administrativo para saber o que, efetivamente, aconteceu, e quem seriam os responsáveis´.

A informação foi prestada ao Diário do Nordeste pela diretora do Serviço de Veficiação de Óbitos (SVO) Doutor Rocha Furtado, Denise Nunes, ao ser indagada sobre a troca de corpos registrada no órgão.

A diretora admitiu o equívoco e o transtorno causado às famílias de Samuel Viana e Raimundo Aguiar. Por outro lado, disse acreditar que em dois dias o ´caso das trocas´ será esclarecido e poderá falar sobre o assunto de forma mais concreta.

Não permitiu

O contato com Denise Nunes só foi possível na tarde de ontem, pelo telefone. Pela manhã, no SVO, em Messejana, a diretora não permitiu a entrada da reportagem do Diário do Nordeste.

Por volta das nove horas, mandou avisar que estava ocupada e que só receberia a reportagem posteriormente. Uma hora depois, mandou informar que permanecia ocupada e não tinha previsão de quando estaria à disposição.

Segundo Daniel Viana, a diretora não prestou qualquer informação sobre o corpo que ele e a família haviam enterrado, nem forneceu qualquer contato da outra família diretamente atingida pelo erro do SVO.

´Ela disse que a gente fizesse o novo enterro e esquecesse o outro corpo, que eles iam providenciar tudo. Ela parecia não querer que as duas famílias se encontrassem e conversassem sobre esse absurdo cometido´, relatou.

Por seu lado, a diretoria informou que, a pedido de uma das famílias envolvidas no caso, não repassou os contatos para a outra família. Contudo, não revelou quem tinha feito a solicitação.

Contatos

A reportagem do Diário do Nordeste repassou os contatos telefônicos às famílias prejudicadas para que viabilizem um encontro. Ambas pensam em levar o caso à Justiça, alegando constrangimento, perdas e danos.

FIQUE POR DENTRO
Como funciona o Serviço de Verificação de Óbitos

O Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) Dr. Rocha Furtado foi inaugurado em maio de 2006, na BR-116, atrás do Hospital de Messejana. O Ceará foi o 13º estado a implantar o sistema, que tem por finalidade esclarecer a causa do óbito em casos de morte natural, não violenta, sem assistência médica ou cuja causa é desconhecida. Feita a análise, é fornecida a Declaração de Óbito, necessária aos procedimentos para sepultamento. O SVO atende a Fortaleza e Região Metropolitana, funcionando de segunda à domingo, inclusive feriados, diuturnamente para recepção dos corpos. A Declaração de Óbito é fornecida somente durante o dia, a partir das 7 até às 19 horas, após o exame de necropsia.

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