Investigação

Suspeito de atuar na Chacina de Quixeramobim é capturado

As quatro mortes teriam sido motivadas pela guerra entre facções CV e PCC pelo comando do tráfico de drogas

01:00 · 30.06.2018
Uma pichação do Comando Vermelho foi encontrada nos fundos da casa onde ocorreram as mortes. Ontem, um suspeito foi preso com duas armas. A Polícia continua as buscas pelos demais envolvidos na matança

Após dois meses sem ocorrências com mais de três mortos e com redução de homicídios no Estado, uma chacina ocorrida em Quixeramobim (a cerca de 235 km de distância de Fortaleza), na noite da última quinta-feira (28), mostrou que a guerra entre facções criminosas não cessou no Ceará. 

A disputa entre braços do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), por poder e território para o tráfico de drogas no Município, é a motivação do crime, conforme a principal linha de investigação da Polícia, segundo uma fonte da Polícia ouvida pela reportagem. Um suspeito foi preso nessa sexta-feira (29), segundo informações repassadas pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). 

O homem, que não teve a identidade revelada, foi preso por uma força-tarefa formada por policiais civis e militares de Fortaleza e do Interior Sul. Com ele foram encontradas duas armas de fogo e mais de 60 munições, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública. 

Na noite de quinta-feira (28), criminosos supostamente ligados ao Comando Vermelho chegaram em motocicletas e carros ao local, um antigo assentamento do Movimento Sem Terra (MST), dirigiram-se a um barraco e dispararam vários tiros contra cinco pessoas - das quais quatro morreram. Ao saírem, os assassinos picharam a sigla CV, em alusão à facção carioca.

As pessoas alvejadas seriam faccionadas do PCC ou eram próximas dessas e morreram por estarem no local, na hora do ataque criminoso. As vítimas foram identificadas pela SSPDS como Francisco Neto Lopes de Sousa, de 22 anos de idade, com antecedente criminal de homicídio doloso; Antônia Damila Alves Pereira, 25, que respondia pelo crime de tráfico de drogas; Antônia Heyla Ferreira Galdino, 20, sem antecedentes; e a adolescente Débora Mayra do Nascimento de Souza, 16, sem passagens pela Polícia. 

A matança poderia ser ainda maior. Um homem de 52 anos foi baleado e socorrido por populares até uma unidade de saúde de Quixeramobim. 

O titular da SSPDS, André Costa, reconheceu que a matança foi motivada por uma briga entre grupos criminosos e afirmou que as chacinas ocorridas neste ano, no Ceará, são reflexos da violência registrada em 2017. “Isso demonstra a continuidade do cenário que a gente vê desde o ano passado, quando houve um acirramento desses criminosos rivais. Esse cenário continua ainda este ano, mas a gente vem com uma redução forte nos homicídios, em todo o Estado”, ponderou Costa.

Buscas

A Secretaria da Segurança informou, em nota, que a investigação da chacina é realizada por policiais civis da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ao Departamento de Polícia do Interior Sul (DPI Sul) e à Delegacia Municipal de Quixeramobim. O trabalho ostensivo, em busca dos criminosos, é feito por policiais militares do Comando Tático Rural (Cotar) do Batalhão de Choque (BPChoque) e do Batalhão de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio), com auxílio de uma aeronave da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer).

O governador Camilo Santana prometeu que a Polícia irá dar resposta rápida a mais uma matança no Estado e destacou a presença do delegado-geral da Polícia Civil, Everardo Lima da Silva, em Quixeramobim. “A minha determinação foi reforçar (o policiamento), inclusive o delega-geral da Polícia Civil está lá, para auxiliar as investigações em Quixeramobim. A nossa determinação tem sido a mesma de sempre: todo crime acontecido no Ceará, a Polícia tem dado resposta, tem prendido, e nós vamos dar as respostas necessárias a esse caso”.

Apesar de estarem residindo em um antigo acampamento do MST, as vítimas da chacina não integravam o Movimento e não eram trabalhadores rurais, segundo informações apuradas até o momento pela Polícia. 

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra afirmou, em nota, que não ocupa o Acampamento Irmã Tereza há cinco anos. "Mudaram o local do acampamento ano passado a partir de um processo de negociação com o proprietário e o Governo do Estado do Ceará. Atualmente, as famílias que residiam no Acampamento Irmã Tereza residem agora nos conjuntos habitacionais Jardim Norte I e Jardim Norte II, outras moram no Acampamento Nova Canudos, próximo ao Hospital Regional”.

 

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