depoimentos

Supostos ‘laranjas’ revelam relação com ‘Gegê’ e ‘Paca’

Após terem a prisão temporária convertida em domiciliar, as mulheres resolveram se apresentar à Draco

Ao ser indagada sobre como o seu marido Francisco Cavalcante comprou um imóvel no valor de R$ 1,15 milhão, no Condomínio Lagoa do Uruaú, em Beberibe, Samara Pinheiro não soube explicar, depois disse que era uma dívida de licitações
01:00 · 19.05.2018 por Messias Borges e Cadu Freitas - Repórteres

Apontadas pela Polícia Civil como “laranjas” da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Magda Enoé de Freitas e Samara Pinheiro de Carvalho Cavalcante prestaram depoimento à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e revelaram a proximidade delas e dos seus dois cônjuges com os líderes da organização mortos no Ceará, Rogério Jeremias de Simone, o ‘Gegê do Mangue’, e Fabiano Alves de Souza, o ‘Paca’.

Samara é casada com Francisco Cavalcante Cidrão Filho, enquanto Magda namora com José Cavalcante Cidrão (os irmãos Cidrão). Os quatro foram indiciados pelo duplo homicídio ocorrido em Aquiraz. Após terem a prisão temporária convertida em domiciliar, com medidas cautelares, as mulheres resolveram se apresentar à Draco, no último dia 26 de abril. Desde então, elas cumprem a determinação judicial, sendo monitoradas por tornozeleiras eletrônicas, em suas residências. Enquanto os companheiros seguem foragidos.

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O interrogatório revelou a proximidade dos dois casais de supostos “laranjas” com ‘Gegê do Mangue, ‘Paca’ e as suas esposas. Tanto Samara como Magda confirmaram que as oito pessoas passaram os últimos festejos do Réveillon e do Carnaval juntas.

Samara revelou que conhecia ‘Fernando’ (nome falso de ‘Paca’) e sua mulher bem antes de setembro de 2017, quando foi apresentada a João Paulo (nome falso de ‘Gegê’) e sua cônjuge; que frequentava as residências das vítimas no Alphaville Fortaleza, no Porto das Dunas, e no Condomínio Symbol, no Cocó; e que seus filhos de 2 e 8 anos de idade eram próximos das crianças dos chefes do PCC.

Paca
Fabiano Alves de Souza, o ‘Paca’, estava no Ceará com o comparsa vivendo como empresário

Gegê do Mangue
Rogério Jeremias de Simone, o ‘Gegê do Mangue’, era a principal liderança do PCC em liberdade quando foi morto

Ao ser indagada sobre como o seu marido Francisco Cavalcante comprou um imóvel no valor de R$ 1,15 milhão, no Condomínio Lagoa do Uruaú, em Beberibe, ela primeiro não soube explicar e depois disse acreditar que o dinheiro tenha se originado de uma dívida de uma empresa de licitações, e garantiu que a propriedade pertence ao casal. A Polícia Civil acredita que a casa tenha sido um dos bens comprados pelos narcotraficantes e colocados no nome dos “laranjas”.

Ainda no depoimento, Samara Cavalcante afirmou que acreditava que ‘Gegê do Mangue’ era ex-jogador de futebol e agenciava atletas e ‘Paca’ era empresário e tinha uma frota de ônibus no Rio de Janeiro. Ela acrescentou que se surpreendeu ao saber as reais identidades daqueles homens, que ela visitava as suas casas, na TV, no dia 18 de fevereiro deste ano – quando o assassinato dos dois traficantes, três dias antes, veio à tona.

Dois dias antes do crime, Samara revelou ter encontrado ‘Paca’, a esposa dele e filhos tanto do casal como de ‘Gegê’, na Igreja Nossa Senhora de Fátima, localizada no bairro de Fátima, na missa de 18h. Os familiares dos chefes do PCC estavam em dois veículos luxuosos, uma Range Rover e um BMW X6.

Já Magda Enoé alegou que tinha cadastro de acesso ao Alphaville Fortaleza porque foi deixar seu namorado, José Cidrão, no local, em uma oportunidade. Apesar do crescimento do padrão de vida do companheiro, ela disse que nunca perguntou sobre as suas atividades financeiras nem sobre as pessoas com quem ele tinha contato.

A mulher também não soube explicar porque o seguro de um dos veículos dos criminosos estava em seu nome, nem porque R$ 600 mil foram depositados em sua conta corrente.

Teia criminosa

O nome de Carlenilto Pereira Maltas foi um dos últimos a serem revelados como suspeito de participar da teia criminosa do PCC no Ceará que findou com as mortes de Rogério Jeremias e Fabiano de Sousa; a informação foi dada com exclusividade pelo Diário do Nordeste. O cearense morava em um condomínio luxuoso no bairro Edson Queiroz, em Fortaleza.

Carlenilto era conhecido tanto por Samara como por Magda. A última afirmou que já frequentou o residencial onde ele morava, que o conhecia por Carlos, um empresário de banda de forró, conhecia a sua esposa, e seu namorado Cidrão prestava “serviços de natureza contábil” para ele, segundo o depoimento. Samara justificou que o marido Francisco Cidrão e Carlenilto atuavam juntos em licitações, mas desconhece envolvimento em crimes de ambos. A reportagem apurou que Carlenilto teria apresentado Gegê e Paca aos supostos “laranjas”.

Denúncias anônimas recebidas pela Draco indicam que Carlenilto teria adquirido uma fazenda com heliponto defronte ao Batalhão da PM de Mombaça, no Ceará, além de cerca de 100 casas no mesmo Município. O suspeito disporia ainda de bens na cidade de Canindé de São Francisco, em Sergipe. Denúncias apontam que Carlenilto fugiu para a Bolívia após os assassinatos de ‘Gegê’ e ‘Paca’. 

A defesa de Magda Enoé de Freitas, Samara Pinheiro Cavalcante, Francisco Cavalcante Cidrão Filho e José Cavalcante Cidrão, representada pelo advogado Kaio Castro afirmou que só irá comentar o caso após o relatório final do inquérito policial.

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