crianças e adolescentes

Suposto pastor é preso sob a suspeita de seis estupros

01:00 · 21.03.2018 / atualizado às 01:19
Image-0-Artigo-2377356-1
Felipe Costa Silva, 52, já foi denunciado à Polícia por seis vítimas, que têm entre seis e 12 anos
Image-1-Artigo-2377356-1
O delegado titular da Dececa, Levy Louzada, disse que o caso é apurado há dois anos ( FOTO: KLÉBER A. GONÇALVES )

Um homem que se dizia pastor de uma igreja evangélica foi preso, na noite da última sexta-feira (16), no bairro Sapiranga, suspeito de abusar sexualmente de, pelo menos, seis crianças e adolescentes. De acordo com a Polícia Civil, alegando o posto de líder religioso, ele realizava visita à casa dos fiéis, onde ocorriam os abusos contra as vítimas.

Após uma denúncia realizada pelo pai de uma das crianças violentadas, ainda no ano de 2016, a equipe da Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca), investigou durante dois anos a conduta de Felipe Costa Silva, 52. No cumprimento de um mandado de busca e apreensão, no ano passado, a Perícia Forense do Ceará (Pefoce) identificou no aparelho celular do suspeito conteúdos que expunham crianças e adolescentes - de seis a 12 anos de idade - em situações sexuais.

De acordo o delegado titular da Dceca, Levy Louzada, os crimes começaram a acontecer em 2012, mas ninguém desconfiava do suposto pastor, nem mesmo a família. "Ele era uma pessoa benquista entre a sociedade. Havia boatos sobre o caso, mas, como se dizia missionário, ele se encontrava em uma situação acima de qualquer suspeita", pontuou.

O titular da Especializada afirmou também que o suspeito tinha livre acesso à casa dos fiéis e se aproveitava disso. Sobre as investigações, o delegado revela ter encontrado dificuldades na obtenção de informações. "É um tipo de crime que ocorre de forma restrita, sem a presença de testemunhas, e que, praticamente, não deixa vestígios materiais para investigação pericial".

Levy Louzada diz que as vítimas afirmaram que o suspeito realizava sexo oral nelas e as obrigava a fazer o mesmo nele. "Ele mostrava fotos e vídeos para as vítimas no intuito de 'naturalizar' o caso, uma vez que tinha o hábito de filmá-las e fotografá-las em situações íntimas".

O delegado comentou, ainda, o caso de uma avó, que fazia parte da mesma congregação religiosa, e disse ter flagrado Felipe Silva mostrando fotos pornográficas para sua neta. A mulher, posteriormente, proibiu o suposto pastor de visitar sua casa.

Contudo, sabendo da rotina da avó da criança, ele retornou à residência, no intuito de encontrar a vítima, que não permitiu que o suspeito entrasse, alegando que a avó havia proibido de receber visitas. Não contente com a resposta, o suposto pastor invadiu a casa e, ao entrar, se deparou com a idosa. Segundo ela, Silva alegou se tratar de uma foto tirada por um de seus filhos, e que não havia nenhuma conotação sexual.

Ameaça

O delegado titular da Especializada diz ainda não saber se o suspeito mantinha as vítimas sob ameaça, entretanto, segundo depoimentos já colhidos, foi descoberto que ele oferecia dinheiro e chocolates no intuito de não ser denunciado.

Louzada não descarta a hipótese de haver outras vítimas do criminoso, salientando a importância da denúncia dos casos de abuso sexual de crianças e adolescentes. Ele acredita que há outras vítimas, que ainda não denunciaram o suposto pastor por constrangimento.

Felipe Costa Silva não apresentava antecedentes criminais. Ele está cumprindo prisão temporária e, pode ser condenado a até 90 anos de prisão, se somados todos os casos de abuso. A Dceca continuará investigando o caso.

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.