GRANDE MESSEJANA

Sete homicídios em seis dias

02:26 · 17.07.2008
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De sexta-feira (11) até ontem, quatro pessoas foram mortas no São Miguel, uma no Guajiru e duas no Palmeiras

Uma seqüência de crimes de morte têm assustado os moradores da Grande Messejana. Nos últimos dias o Diário do Nordeste vem acompanhando, com exclusividade, a onda de violência e o medo da população na região, principalmente em bairros como o Conjunto São Miguel.

Em seis dias ocorreram sete homicídios naquela área da cidade, quatro delas no São Miguel, a maioria, ligadas aos conflitos entre gangues rivais e pelo controle do tráfico de drogas. A última vítima foi o ex-presidiário Antônio Luís Mesquita Filho, 20. Ele foi morto, na tarde de ontem, com dois tiros na nuca e dois no rosto.

Sua morte estaria ligada a outro homicídio ocorrido na noite de anteontem, quando Claudeci Gomes da Silva, o ‘Deci’, 20, foi perseguido desde o conjunto São Miguel até o Guajiru, bairro vizinho, onde acabou morto a tiros. Segundo apurou a Polícia, Antônio Luís estava sendo apontado como o autor do assassinato de Claudeci, e sua morte teria sido motivada por vingança.

A dona-de-casa Ana Lúcia, mãe do jovem morto ontem, confirmou a informação. A mãe da vítima acompanhou os policiais até a delegacia.

No 6º DP, ela informou à Polícia que sua vida está correndo perigo. Segundo Ana Lúcia, “o irmão de Claudeci, um homem identificado como ‘Guabiru’, detento da Colônia Agrícola de Amanari, teria ligado para ela e dito que seu filho morreria em seus braços por ter matado o irmão dele. ‘Guabiru’, teria dito, ainda, que ela e seu genro também seriam mortos pelos comparsas dele”.

A família de Luís disse que o rapaz não foi o autor dos tiros que matou Claudeci. Ele, que tinha saído do Amanari há três dias, onde cumpriu pena por porte ilegal de arma, tinha passado a noite na companhia de sua namorada e de amigos, no Conjunto São Miguel, segundo informação da sua família.

Execução

Na mesma hora da última morte, a Polícia Militar realizava abordagens no bairro. Mas os bandidos, desafiando a autoridade policial, agiram na espreita. Eles executaram Antônio Luís, bem próximo, onde patrulhas do Comando Tático Motorizado (Cotam) do Batalhão de Polícia de Choque (BP Choque) atuavam.

Em poucos minutos, várias viaturas chegaram ao local, mas os assassinos conseguiram fugir pelas ruas estreitas. O trabalho da Polícia também é dificultado pelo silêncio da população, que, amedrontada, não dá nenhuma informação sobre os crimes e os autores, com medo de represálias.

A Polícia Civil ainda investiga outras três mortes, uma delas ocorrida na noite de sexta-feira (11) e as outras duas no domingo (13). Os crimes serão investigados no 6º DP, pelo delegado titular Paulo César Cavalcante. O efetivo reduzido é um dos principais problemas na investigação das mortes.

GRAVIDADE
Violência foi noticiada em manchete de capa

No último dia 15 de julho a manchete do Diário do Nordeste já dava a real dimensão à gravidade do problema da insegurança na Grande Messejana. O foco da matéria era justamente a ocorrência de três mortes - todas relacionadas com brigas de gangues - em menos de 72 horas.

Somente na noite de domingo, um homem e um adolescente morreram depois de serem atingidos por disparos em meio a um confronto entre gangues rivais. Luciano da Silva Monteiro, de 37 anos, foi uma das vítimas. Os autores dos disparos não foram identificados.

Na ocasião, a equipe de reportagem do jornal tentou conversar com moradores, mas muitos fechavam as portas ao observarem a aproximação do carro de reportagem. ´Vocês são doidos de entrarem no Conjunto´, disse uma senhora da comunidade local.

A ´Lei do silêncio´ imposta pelos bandidos que ameaçam e afrontam, dificulta principalmente o trabalho da Polícia, que não consegue arrolar testemunhas que possam depôr para a identificação dos acusados dos homicídios. Desta forma, crimes acabam impunes.

BAIRRO VIZINHO
Mais duas mortes no Conjunto Palmeiras

Em plena efervescência das brigas de gangues no Conjunto São Miguel, mais uma comunidade da Grande Messejana observa atônita e indefesa o recrudescimento das rixas entre grupos rivais residentes na área e circunvizinhança, com brigas, trocas de tiros e morte de inocentes.

Em menos de uma semana, o Conjunto Palmeiras foi cenário de tiroteios que resultaram em duas mortes. O último crime aconteceu na noite de terça-feira (15), por volta de 18h55, na Rua Água da Prata. o jovem Irineu Cruz dos Santos Neto, 20 anos, foi morto a bala por um homem não identificado. De acordo com informações da Polícia, a vítima havia se mudado do bairro a cerca de um ano, depois de seu irmão foi baleado por membros de uma gangue.

Entretanto, na noite de terça-feira, Irineu Cruz resolveu retornar ao Conjunto Palmeiras. Depois de discutir com algumas pessoas na Rua Águia da Prata, um homem não identificado efetuou diversos tiros contra o jovem. Irineu foi atingido com nove disparos de pistola calibre 380mm.

Vítima inocente

Quatro dias antes, na tarde do último sábado (12), o comerciante Francisco Brito da Silva, 46 anos, foi atingido com um tiro na cabeça quando estava na porta do seu estabelecimento, na Rua Salmão. Francisco Brito teria ficado na ´linha de fogo´ entre bandidos.

NATHÁLIA LOBO, EMERSON RODRIGUES E FERNANDO BRITO
Repórter/Especial para Polícia

ENTREVISTA
Coronel Sérgio Costa
Comandante do CPC

O que a PM tem feito para coibir a violência na área?

“A Grande Messejana tem tido, como toda a Capital, um reforço no policiamento com o Ronda do Quarteirão. Mas outras operações de ocupação também têm sido feitas em um trabalho integrado com a Cavalaria, Raio, BP Choque e a Forças Táticas de Apoio (FTAs) da 2ª e 4ª Cia do 5º BPM”.

Mesmo com todo o trabalho da Polícia, por que os homicídios continuam ocorrendo?

“A Inteligência da PM está mapeando as ações dos bandidos nessas áreas, especificando os horários e os locais em que os crimes são cometidos. Inclusive já identificamos os nomes de líderes do tráfico da área. Ontem (terça) ocupamos o São Bernardo e São Miguel e o homicídio ocorreu no Guajiru. Na tarde de ontem, tínhamos equipes perto de onde ocorreu a morte”.

O efetivo policial na área é suficiente?

“O efetivo é mais do que suficiente, porque além do policiamento normal, temos feito várias incursões com policiamento especializado há bastante tempo nessas áreas. Mas os bandidos usam de espreita para cometer os crimes e se aproveitam do terreno bastante conhecidos por eles para poder fugir. O São Miguel, por exemplo, não tem ruas definidas, o que também dificulta o trabalho da Polícia”.

O que o sr. pode dizer para a população da Grande Messejana?

“A PM vai continuar presente, com policiamento reforçado nos horários repassados pela Inteligência. Mas temos necessidade que outros segmentos da sociedade se façam presentes”.

Confira no Wikicrimes o registro de vários crimes na área de Messejana:

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