crianças baleadas

Praça estava lotada na hora dos tiros

00:00 · 12.06.2018
garoto
A Praça do Jardim União, no bairro Passaré, estava lotada, no momento em que um homem chegou em uma moto e atirou várias vezes ( FOTO: NATINHO RODRIGUES )

O tiroteio que feriu duas crianças e um adolescente poderia ter feito mais vítimas, até fatais. De acordo com moradores da região, a Praça do Jardim União, no bairro Passaré, na Capital, estava lotada, no momento em que um homem chegou em uma motocicleta e atirou várias vezes contra a população. Ninguém foi preso pelo ataque criminoso, até a noite de ontem.

"Não sei informar (a motivação). Só sei falar que o cara parou a moto na praça e efetuou os disparos contra as pessoas que estavam na pracinha. Tinham adultos, crianças, mas ninguém sabe em quem ele estava atirando, nem quem atirou", contou o vendedor Emerson Barreto.

O filho de Emerson, um menino de 9 anos de idade, sofreu dois tiros: um no joelho e outro no pé. O garoto brincava na quadra da Praça. O sangue marcou o caminho que ele fez do local até a sua residência. Ele foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do José Walter e depois transferido ao Instituto Doutor José Frota (IJF), onde segue em atendimento, com quadro estável, sem necessidade de cirurgia e sem risco de morte.

"Eu não estava em casa. Recebi a ligação da minha esposa, dizendo que tinha tido um tiroteio na pracinha e que ele tinha sido baleado. A sensação é horrível. Está com quase dois anos que eu moro aqui e nunca tinha acontecido algo parecido. Todo final de tarde, eles brincam aqui. Ele, o irmão dele, outras crianças, principalmente no fim de semana, que a praça está mais lotada", lamentou Emerson.

Uma menina de 8 anos também está no IJF, com quadro estável, mas terá que passar por uma cirurgia na clavícula, onde foi baleada. Outro tiro atingiu a sua mão, segundo o padrasto da criança, o vendedor Oceano Barbosa de Sousa.

"Só Deus sabe mesmo. Muito triste. Na hora, você nem pensa", relatou emocionado, Oceano Sousa. Segundo ele, até ontem de tarde, a menina estava esperando uma vaga no IJF para ser operada. Mais aliviado com o quadro da enteada, Oceano revelou que ele e a esposa não querem mais que a criança vá brincar na rua. "Jamais. A mãe dela já não soltava ela. Agora é que não vai mesmo. Às vezes, até me achava chato, por eu não querer que ela ficasse na rua. Porque ninguém espera por nada, o perigo está grande. Quem é que não se preocupa?!", questionou.

O rapaz de 14 anos sofreu um tiro na perna, já passou por cirurgia e também se encontra no IJF, no Centro da Capital. A projeção da família é que ele tenha alta médica nos próximos dias.

Investigação

Uma equipe do 16º DP, comandada pelo delegado Edmo Leite, realizou diligências pela comunidade do Jardim União, durante a manhã de ontem, com o objetivo de elucidar as causas do ataque criminoso e descobrir o autor dos disparos. O titular da Distrital afirmou que já tinha recebido informações de testemunhas.

Próximo da Praça do Jardim União, vários muros têm pichações que fazem alusão à facção criminosa Guardiões do Estado (GDE). A reportagem apurou que criminosos da área travam um conflito com membros do Comando Vermelho (CV).

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