Caso Giselle

Órgãos são doados pelos familiares

01:00 · 14.06.2018
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Giselle Araújo Távora foi atingida nas costas, por um disparo de uma carabina .40, que perfurou seu pulmão

A família da pedagoga e estudante universitária Giselle Távora Araújo, 42, autorizou a doação dos órgãos da vítima. A informação foi confirmada pela assessoria do Instituto Doutor José Frota (IJF), hospital onde a vítima de um disparo efetuado por um soldado PM, morreu, por volta das 6h dessa terça-feira (12). A assessoria da Instituição informou que não é possível divulgar quais órgãos foram doados.

> 'Episódio nega tudo que foi ensinado e praticado' 

O corpo de Giselle Araújo foi sepultado, na manhã de ontem, no Cemitério Parque da Paz, no bairro Passaré. A universitária foi atingida nas costas, pelo disparo de uma carabina .40, na Avenida Oliveira Paiva, no bairro Cidade dos Funcionários, na noite da última segunda-feira (11). Em depoimento à Polícia Civil, o soldado alegou que recebeu a informação de que um carro com as mesmas características que o da vítima havia sido roubado na região e atirou "em direção ao pneu do veículo".

A bala, no entanto, atingiu Giselle e perfurou o pulmão direito da estudante. Durante o velório, a irmã dela, Rochele Menezes, clamou por Justiça e contestou a versão apresentada pelo militar. "Eles estão dizendo que a minha irmã avançou o sinal vermelho e entrou na contramão. Ela acelerou apenas quando ouviu a sirene, para fugir, pensando que se tratava de um assalto. Dobrou na Avenida Oliveira Paiva, na mão certa, e ele atirou. O carro estava praticamente parado".

Rochele Menezes considerou como um "ato covarde" a maneira de como a abordagem foi feita. "Bastava parar o carro, pedir para a minha irmã descer", ponderou, afirmando que os militares apontaram quatro armas em direção à filha de Giselle Araújo, que também estava no automóvel e viu a mãe ser baleada.

Alexandre Alcântara, amigo da vítima, disse lamentar a situação. "Sabemos que os índices de violência são muito altos, e eles (os PMS) não estão preparados para agir da forma adequada".

Alcântara declarou que a vítima não teve nenhuma defesa. "Ela não entendeu que aquele sinal de parada era para ela. Por que o vidro do carro foi retirado? Por que o policial atirou se, em tese, para a Polícia atacar tem que ser atacada anteriormente? A Perícia Forense do Ceará (Pefoce) que explique a situação".

Posta do chão

Conforme a tia da vítima, Clara Távora, mesmo depois de Giselle Araújo ser ferida, a filha dela ainda recebeu ordens para descer do automóvel e foi ajoelhada no chão pelos militares. "Ela pediu que a mãe saísse do local, porque pensou que estava ocorrendo um roubo no carro de trás. Giselle estava parada no sinal e só então saiu. Eles continuaram atirando. Quando o carro parou, abordaram minha sobrinha e mandaram ela sair do carro e se ajoelhar no chão".

A jovem teria pedido socorro para a mãe que estava sangrando. "Eles mandavam ela calar a boca", conta a familiar. Clara Távora avalia a abordagem como brutal. "Disseram que queriam atirar no pneu. Tem furo em outras partes do carro, menos no pneu. Não tem explicação e justificativa para o caso".

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