'Operação Precipitada'

'Vamos exigir respeito', diz Adepol sobre afastamento de delegado

Segundo a Associação, o estado de saúde de Romério é estável, mas o delegado permanece sedado e com dois projéteis alojados

O presidente da Associação ainda se mostrou indignado com o secretário de Segurança Pública e Defesa Social, André Costa, que nem "sequer foi visitar [Romério] no IJF ( Foto: Emanoela Campelo )
17:24 · 26.04.2018 / atualizado às 19:02
O presidente da Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado (Adepol), Milton Castelo, afirmou, nesta quinta-feira (26), que a Operação Renault 34, deflagrada nesta quarta-feira (25) pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), foi "precipitada". A operação afastou o delegado titular do 34º Distrito Policial (DP), Romério Almeida, por suspeita de corrupção.
 
Na manhã desta quinta, Romério foi encontrado baleado em sua residência. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao Instituto Dr. José Frota (IJF). A Polícia Civil confirmou, por meio de nota, a ocorrência e informou que o delegado foi socorrido consciente e orientado, após sofrer duas lesões por arma de fogo e que "as circunstância da ocorrência serão apuradas".
 
 
A Adepol informou que o estado de saúde de Romério é estável, mas o delegado permanece sedado e com dois projéteis alojados. Ele foi transferido do IJF para um hospital particular nesta tarde.
 
Segundo Milton Castelo, "não tem nada comprovado" contra o delegado Romério Almeida. "Nós temos sido atacados de forma rotineira. Ele é muito conceituado dentro da instituição e foi humilhado. Amanhã terá uma assembleia geral na Adepol para tratar do assunto. Isso não vai ficar assim, vamos exigir respeito", ressaltou. 
 
O presidente da Associação  criticou o secretário de Segurança Pública e Defesa Social, André Costa, que nem "sequer foi visitar [Romério] no IJF". O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado (Sinpol), Lucas Oliveira, também criticou a operação e torce pela recuperação de Romério: "rezamos para que ele saia dessa situação". 
 
O MPCE emitiu nota a respeito do caso; confira na íntegra:
 
"O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) lamenta profundamente o ocorrido com o Delegado Romério Almeida. Afirma, entretanto, que todas as suas ações têm como base os regramentos e diretrizes pautados na Constituição Federal e leis infraconstitucionais, jamais desbordando dessas balizas.
 
Sobre as duas alegações apontadas pela Adepol, todas as ações do Ministério Público ocorreram com anuência da Justiça. Tanto a interceptação das ligações telefônicas no âmbito da “Operação Gênesis”, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), quanto o seu posterior compartilhamento com o Núcleo de Investigação Criminal (NUINC), para execução da “Operação Renault 34”, tiveram autorização da Justiça.
 
O afastamento do delegado Romério Almeida de suas funções e a realização de busca e apreensão na residência e no local de trabalho dele foram determinados pelo juiz da 8ª Vara Criminal de Fortaleza, Henrique Granja."
 
Confira nota na íntegra da SSPDS:
 
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informa que o secretário André Costa, assim que soube da ocorrência envolvendo o delegado Romério Almeida, se dirigiu à Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops), de onde coordenou pessoalmente a transferência do servidor de um hospital particular para o Instituto Doutor José Frota (IJF).  O titular da SSPDS disponibilizou equipes policiais para fechar cruzamentos e facilitar o deslocamento da ambulância, assim como enviou uma equipe do Batalhão de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio) para atuar como batedora para a ambulância. Ele acompanhou também as informações no grupo de despacho do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). 
 
O secretário André Costa tratou por telefone com a delegada Ana Lúcia Almeida, irmã do delegado Romério, e se colocou à inteira disposição para colaborar, junto com o delegado geral e o delegado geral adjunto da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), Everardo Lima e Marcus Rattacaso. Além disso, um helicóptero da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) foi autorizado para realizar a transferência entre os hospitais, mas foi detectado que o trajeto com a ambulância seria mais rápido, uma vez que o veículo havia chegado ao local de onde partiria a transferência. A Secretaria adotou todas as soluções que cabia no intuito de prestar assistência ao delegado e torce pela pronta recuperação do servidor. 
 
 
 
 

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