Esquema criminoso

Três empresários são presos por falsificarem documentos do Ministério Público do Ceará

Os documentos falsos eram utilizados em um esquema criminoso de fraude de licitações públicas em prefeituras do Interior do Estado

O grupo é acusado de ter fraudado documentos do Ministério Público, usando inclusive o timbre da Instituição ( Foto: Divulgação/ MPCE )
12:00 · 28.03.2018 / atualizado às 14:40

Três empresários foram presos em operação do Ministério Público do Ceará (MPCE), nesta quarta-feira (28), por falsificarem documentos do órgão para serem utilizados em um esquema criminoso de fraude de licitações públicas em prefeituras do Interior do Estado. A Operação Malabares, comandada pelo promotor Jairo Pequeno Neto, é um desdobramento da Operação Cascalho do Mar.

O MPCE cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão, em Fortaleza e no Município de Apuiarés, expedidos pelo juiz da Comarca de Apuiarés, Caio Lima Barroso. "Os indícios de crime que motivaram essa nova operação foram encontrados em documentos apreendidos durante a segunda fase da Operação Cascalho do Mar, deflagrada na última sexta-feira (23)", afirmou o órgão investigador.

José Darlan Pereira Barreto, procurador da empresa Patrol Engenharia e Serviços Ltda., teve a prisão preventiva decretada e foi detido em sua residência, na Capital. Os outros dois mandados de prisão tiveram como alvos os filhos dele, que são sócios da mesma empresa. Bruna Gonçalves Barreto vai ficar em prisão domiciliar, por ser mãe de filhos menores de idade. Já Marcos Vinícios Gonçalves Barreto teve a segunda prisão preventiva decretada em menos de uma semana - ele está preso desde a última sexta (23).

Com os familiares, foram apreendidos um veículo de luxo, celulares e computadores, que serão utilizados na investigação. O grupo é acusado de ter fraudado documentos do Ministério Público, usando inclusive o timbre da instituição, para recomendar a aprovação de aditivos em contratos de coleta e limpeza urbana com a Prefeitura de Apuiarés.

"O Ministério Público afirma que jamais emitiu as referidas orientações ao município. O promotor de Justiça destaca a audácia do grupo criminoso em forjar os documentos públicos com o único intuito de enriquecer ilicitamente. As contas da Patrol Engenharia já haviam sido bloqueadas em razão de uma Ação Civil Pública, proposta pelo promotor da Comarca em 2017, e os proprietários já respondiam processo por ato de improbidade administrativa", informou, em nota.

Operação prendeu 10 suspeitos em duas fases

A Operação Cascalho do Mar já teve duas fases e somou um total de 10 presos. Na segunda fase, deflagrada na última sexta-feira (23), três empresários já haviam sido presos: Luiz Maycon Pereira Barreto, Marcos Vinicios Gonçalves Barreto e Francisco Sávio Venâncio Bonfim.

Já José Darlan Pereira Barreto, pai de Marcos Vinicios e irmão de Luiz Maycon, foi detido por posse ilegal de arma de fogo. Ele pagou a fiança e foi liberado. Mas não escapou da Operação Malabares.

Na primeira fase da Operação Cascalho do Mar, o alvo foi a Prefeitura de Paracuru, onde teria havido fraude em licitações públicas. Foram presos, por mandados judiciais, a chefe de Gabinete e filha do prefeito, Joana D’Arc Batista Carvalho; o outro filho do mandatário, Ranieri de Azevedo Batista; a secretária de Governo, Érica da Silva Brasil; e os empresários Alonso de Melo Feitosa, Gabriel Ilário da Silva e Ricardo Henrique Lemas.

O prefeito do Município, José Ribamar Barroso Batista, conhecido como Ribeiro (PSDB), de 85 anos, foi detido pela posse de uma arma de fogo sem registro. Entretanto, ele foi liberado dias depois, devido a sua idade elevada.

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