Parque da Paz

"Teria um futuro espetacular pela frente", lamenta amiga durante o velório de Cecília Moura

Amigos e familiares foram à cerimônia de branco, em forma de protesto, pedindo paz

16:14 · 13.04.2018 / atualizado às 17:54
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Movimentação no cemitério Parque da Paz, durante o velório de Cecília Rachel Gonçalves Moura ( Itallo Henrique )

Está sendo realizado, na tarde desta sexta-feira (13), o velório da universitária Cecília Rachel Gonçalves Moura, 23. Amigos e familiares foram se despedir da estudante, que será sepultada no Cemitério Parque da Paz.

Paula Bevilaqua, amiga de Cecília e também colega no curso de Direito, lamentou a morte da jovem. "Era uma menina muito doce e esforçada. Ela era uma moça estudiosa, muito militante na área (no curso de Direito) e teria um futuro espetacular pela frente", disse.

Bevilaqua ainda destacou a mobilização dos colegas de graduação, por conta da tragédia. "A gente percebe a movimentação de todos. A maioria aqui está de branco, pedindo paz, pedindo que as autoridades olhem mais para a nossa cidade".

A tia da universitária, Catarina Freitas, 25 anos, também lamentou a morte da jovem e falou sobre a reação dos pais de Cecília. "O esclarecimento espírita que a gente tem. Eu acho que as pessoas espíritas vão entender. Chegou o momento dela, sim. Porém fica aquele sentimento de Justiça porque foi de uma maneira muito brutal. A gente está passando por esse momento, uma prova que o nosso País não tem segurança. Foi traumatizante, obviamente para os pais ver a filha naquele estado. Eles estão sendo forte, porque são os alicerces da família. Têm outros dois filhos que estão super mal. Não tem como descrever a dor de perder um filho". 

Namorado se emociona ao falar de Cecília 

O namorado, a sogra e alguns amigos de Cecília se emocionaram durante um ato em homenagem a jovem, nesta sexta-feira (13), que começou no campus da Universidade de Fortaleza (Unifor) e seguiu para a Avenida Washington Soares.

"A gente tinha marcado de ir para a academia cedo. E ela acordou 7h30 e me disse 'filho, eu não tenho condição de ir para a academia porque eu estou muito cansada'. Eu disse 'tudo bem, filha. Descansa, porque você está precisando descansar'. Foi a útima coisa que eu disse a ela", revelou enquanto chorava, Isaac Barbosa, namorado de Cecília.

"Em menos de cinco meses, já perdemos duas pessoas que eram do nosso grupo por conta da violência que assola Fortaleza. Este ato foi um ato de luto à morte da Cecília, mas foi também um ato de repúdio a tudo que acontece em nossa cidade que já levou dois de nossos amigos em menos de cinco meses", comentou um amigo de Cecília.

Cristiana Barbosa, mãe de Isaac, esteve presente no ato e se emocionou ao questionar situações que ela considera que poderiam ter evitado o crime. "Você fica se perguntando 'se você tivesse saído mais tarde? Se ela tivesse ficado lá em casa?' São tantas perguntas. A gente não consegue se conformar. É muito difícil", comentou Cristiana.

Isaac também comentou sobre o crime, e o fato dos assaltantes não terem levado nada da vítima. "O que houve foi um ato cruel, bruto, de quem não tem qualquer respeito à vida humana. Não tentaram levar nada. Quando viram a situação, uma moça caída, depois de uma bala na cabeça, com sangue, no carro, eles perceberam. Uma vida já é muito. Absolutamente nada justifica uma atitude dessa!", enfatizou o estudante.

Os estudantes que fizeram o ato dentro da Universidade seguiram para a Av. Washington Soares. Eles bloquearam o trânsito formando um grande círculo, todos de mãos dadas, enquanto um dos alunos gritava "Cecília!" e os outros respondiam "Presente!", como uma forma de simbolizar que Cecília sempre será lembrada.

Isaac Barbosa declarou quais atitudes os amigos e familiares pretendem tomar após a morte de Cecília. "A dor é imensa, mas para agora, apesar de toda a raiva, todo o ódio, o que a gente vai nutrir, por agora, é o amor por ela. Só por ela. É o que, nesse momento, ela merece. O que ela sempre mereceu".

Dois presos pelo crime

Os dois homens que foram presos pela morte da estudante confessaram o latrocínio à polícia. Em depoimento, os envolvidos na ação criminosa, identificados como Leonardo Lima do Nascimento (22) e Antônio Honorato Pinheiro Macedo Lima (19), disseram que escolheram abordar o carro da jovem porque o veículo estava com vidros baixos e "só tinha uma mulher". Segundo o delegado Leonardo Barreto, diretor da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Leonardo tinha passagem por tráfico de drogas e, Honorato, por crime de trânsito.

"Tudo leva a crer que foi latrocínio, mas nós temos 10 dias para concluir a investigação. Não podemos descartar outras hipóteses", disse Leonardo Barreto.

Entenda o crime 

Cecília foi baleada na manhã dessa quinta-feira (12) quando dirigia seu veículo pela Rua Vereador Pedro Paulo, no bairro Parque Manibura. Ela foi abordada por dois criminosos em um veículo. Segundo apurou a Polícia Civil, a universitária tentou fugir do assalto, mas acabou lesionada a bala. A estudante perdeu o controle do automóvel, que chocou-se contra um muro.

A jovem foi levada em estado gravíssimo ao Instituto Doutor José Frota (IJF), que confirmou a morte da vítima na noite de quinta. A estudante estagiava no Ministério Público Federal (MPF) e no Ministério Público Estadual (MPCE), que divulgaram notas de pesar pelo assassinato. O Ministério Federal informou que Cecília havia iniciado estágio na Procuradoria da República no Ceará no último dia 17 de janeiro. Desde então, atuava no Núcleo Criminal da instituição.

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