Operação 'Conexus'

Postos investigados no Cariri tinham lucro que destoava da média do setor no Estado e no País

O Ministério Público do Ceará (MPCE) e a Polícia Civil divulgaram que R$ 698.335 em espécie foram apreendidos nas residências dos proprietários de alguns dos estabelecimentos

17:43 · 09.08.2018 / atualizado às 18:18

A média dos lucros obtidos pelos 40 postos de combustível investigados na Operação 'Conexus', que apura a formação de cartel na Região do Cariri, destoava da média no Estado e no País, segundo o promotor Nivaldo Martins, do Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon) em Barbalha. Ele, no entanto, não detalhou quais eram esses valores. Durante a coletiva de imprensa organizada na tarde desta quinta-feira (9), no Cariri, o Ministério Público do Ceará (MPCE) e a Polícia Civil divulgaram que R$ 698.335 em espécie foram apreendidos nas residências dos proprietários de alguns dos estabelecimentos. 

“Para que não haja guerra de preços, eles realizam combinação, se unem para adotar práticas de combinar o preço. Os preços estavam quase iguais, com diferença de 3 centavos”, explica Nivaldo Martins. 

O dinheiro encontrado nos postos não foi apreendido, conforme orientação da promotora Juliana Mota, de Juazeiro do Norte. Segundo ela, o valor recolhido nas residências chamou atenção, considerando a movimentação volátil característica da maioria dos postos. "Num local só havia R$ 300 mil. Em outro, R$ 100 mil, R$ 170 mil. Havia até máquina de contar dinheiro", revela.

Os materiais apreendidos durante a operação ‘Conexus’ incluem 82 celulares, 12 armas de fogo e 336 munições. De acordo com o delegado Juliano Marcula, dez prisões foram efetuadas por porte ou posse ilegal de armas de fogo, e recolhidas à cadeia pública em Crato e Juazeiro. Destas, oito pessoas foram liberadas por fiança.

Cartelização

A operação tinha como objeto a possível cartelização na região que engobla Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, de acordo com o promotor Thiago Marques. "A investigação começou depois que saiu um relatório do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que já indicava isso há um ano e meio, a partir de uma percepção popular que ficou alinhada ao MPCE", explica. Segundo ele, o objetivo não é reduzir os preços nos postos, porém, a operação deve impedir a abusividade.

"A gente recebeu um farto material para fazer análise. Vamos contar com o apoio da Polícia Civil e com núcleos de perícias. Esses aparelhos precisam ser a analisados formalmente", afirma Juliana Mota.

Com informações de Antônio Rodrigues, do Blog Cariri

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