SEGURANÇA PÚBLICA

Morte de Giselle: 3 casos causaram comoção após mortes em abordagem policial

Um dos casos mais emblemáticos aconteceu em 26 de setembro de 2010, quando o carro em que estavam o empresário italiano Innocenzo Brancati, sua esposa, e dois amigos espanhóis, foi metralhado por policiais militares, na Av. Raul Barbosa

12:41 · 12.06.2018 / atualizado às 13:21

Morreu na manhã desta terça-feira (12) Giselle Távora Araújo, de 42 anos, baleada na noite de segunda (11) por um policial militar durante uma perseguição na Avenida Oliveira Paiva, quando trafegava com sua filha. Os policiais faziam motopatrulhamento na região e confundiram o carro da mulher com o de criminosos.

Outros três casos - com vítimas fatais em abordagens policiais na Capital, causaram comoção e revolta nos últimos anos. 

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Um deles aconteceu em 26 de setembro de 2010, quando o carro em que estavam o empresário italiano Innocenzo Brancati, sua esposa, Denise Brancati, e dois amigos espanhóis, Marcelino Ruiz Campelo e Maria Del Mar Santiago, foi metralhado com mais de 20 balas por policiais militares, na Avenida Raul Barbosa. 

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Eles vinham do Aeroporto Pinto Martins, onde tinham buscado o casal espanhol, quando o veículo que estavam, uma Hilux de placa HXO-8116, foi confundido com um carro usado por bandidos que haviam roubado um caixa eletrônico. 

Marcelino era piloto da aviação civil e ficou paraplégico. Em setembro de 2008, Innocenzo Brancati relembrou o caso em entrevista ao Diário do Nordeste. "Para a gente é como nascer de novo, dia 26 de setembro. Porque conseguir se salvar, depois de mais de 20 balas que atingiram o carro...", desabafou.

Em setembro de 2013, o Estado do Ceará foi condenado a pagar uma indenização no valor aproximado de R$ 632 mil ao casal de turistas.

Caso Bruce: julho de 2010

Em 25 de julho de 2010, Bruce Cristian de Oliveira Sousa, de apenas 14 anos, foi morto com um tiro na nuca durante outra ação policial, na Avenida Desembargador Moreira esquina com a rua Beni de Carvalho, no bairro Dionísio Torres. 

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Ele estava na garupa da moto do pai, Francisco das Chagas de Oliveira Sousa, quando os dois foram abordados por policiais. O até então soldado Yuri da Silveira Alves Batista, do Ronda do Quarteirão, teria confundido Bruce com um assaltante que estava sendo procurado naquela área. 

Em fevereiro de 2012, o juiz Hortênsio Augusto Pires Nogueira determinou que o Estado do Ceará pagasse pensão mensal aos pais do adolescente. Foi determinado que o casal recebesse, por mês, 2/3 do valor do salário mínino, até o dia que Bruce completaria 25 anos de idade. A partir desse período, o valor passará a ser 1/3 do salário mínimo, até a data em que ele completaria 65 anos.

Surdo é morto após não responder parada policial

Em 27 de abril deste ano, Cícero Leonardo dos Santos Silva foi morto, na Avenida Presidente Castelo Branco, após não responder ao pedido de parada de policiais militares.

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Conforme familiares da vítima, ele não teria escutado a ordem da Polícia por ser surdo.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Cícero Leonardo trafegava em uma motocicleta e foi atingido pela composição após ter disparado contra os militares. A Pasta afirmou que com Silva foi apreendido um revólver calibre 38.

Familiares da vítima afirmaram que ele foi baleado minutos após ter saído de casa, no bairro Granja Portugal, quando ia em direção ao trabalho. Por volta das 9h, ele teria sido atingido por dois disparos nas costas. A família negou que Cícero Leonardo estivesse armado e ressaltaram que ele nunca teve envolvimento com nenhum tipo de crime.

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