Perfil do armamento

Maioria das armas apreendidas no Ceará tem cano curto e é brasileira, revela pesquisa

Entre 2013 e 2016, os policiais cearenses apreenderam 6.615 armas de fogo, sendo apenas 3.910 revólveres

Constatação é importante para desmistificar a percepção difundida de que as armas usadas em crimes seriam majoritariamente frutos do tráfico internacional de armas ( Foto: Thiago Gadelha )
15:08 · 11.06.2018 / atualizado às 17:07

A maioria das armas de fogo apreendidas pelas Forças de Segurança no Ceará, entre 2013 e 2016, tem cano curto, calibre comum e origem brasileira, segundo a pesquisa "De onde vêm as armas do crime apreendidas no Nordeste?", realizada pelo Instituto Sou da Paz, a partir de dados obtidos pela Lei de Acesso à Informação junto às Secretarias de Segurança Pública e/ou Defesa Social do Nordeste.

Neste período, os policiais cearenses apreenderam 6.615 armas de fogo, sendo 3.910 revólveres (59,11% do total), 1.553 espingardas (23,48%), 981 pistolas (14,83%), 74 fuzis ou rifles (1,12%) e outras 97 armas - entre carabina, garrucha, escopeta, metralhadora e submetralhadora (pouco mais de 1%).

Essa tendência se repete nos outros estados do Nordeste. "Essa constatação é importante para desmistificar a percepção difundida de que as armas usadas em crimes seriam majoritariamente frutos do tráfico internacional de armas quando, na verdade, o mercado legal, ao sofrer desvios, contribui para abastecer o mercado ilegal", analisa Ivan Marques, diretor-executivo do Instituto Sou da Paz.

Segundo o Instituto, apenas o Ceará e Alagoas apresentaram todos os dados solicitados para a produção do relatório. Os estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão enviaram dados parciais. Já os estados da Bahia, Pernambuco e Sergipe não forneceram nenhum dado sobre o perfil das armas apreendidas pelas suas forças de segurança

Os números preliminares do estudo, que será concluído ainda esta semana, mostram que o Ceará, dentre os estados que responderam à pesquisa, apresentou o maior número de armas apreendidas, nos anos de 2013, 2015 e 2016. Em 2014, Pernambuco ficou em primeiro lugar neste ranking.

"É crucial que os estados e o governo federal cooperem entre si na troca de informações e invistam na análise constante da origem das armas apreendidas para que seus padrões possam ser rapidamente identificados e as fontes de fornecimento de armas para o crime possam ser reprimidas", sugere Ivan Marques.

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