em Itaitinga

Detento é encontrado morto dentro da CPPL II

Segundo a mãe do custodiado, o filho foi "enviado para a morte", porque ele não pertencia a nenhuma facção e a GDE domina a CPPL II

José Hildo de Sá Neto tinha sido preso por ser suspeito de roubar uma motocicleta ( Foto: José Leomar )
16:13 · 12.09.2018 / atualizado às 17:35

Um custodiado da Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL) II, em Itaitinga, foi encontrado morto dentro da unidade prisional no último domingo (9). A família da vítima acusa o Estado de negligência, alegando que transferiram o rapaz para o presídio em que a facção Guardiões do Estado (GDE) domina, sem ele pertencer a nenhuma organização criminosa.

Segundo o advogado Janos Roven, representante da família do detento, a mãe de José Hildo Siqueira Sá Neto soube da morte do filho somente após ir até o Complexo Penitenciário Aquiraz, nesta segunda-feira (10), para se informar sobre o horário de visita. Até o momento, ela acreditava que o filho estava no Centro de Triagem e Observação Criminológica (CTOC), já que não foi informada sobre nenhuma transferência.

Ainda conforme o advogado, José Hildo foi detido sob suspeita de roubar uma motocicletaO advogado disse que vai tomar as devidas medidas cabíveis perante a Justiça. O laudo pericial sobre a causa da morte do interno sairá em 30 dias.

Transferência

A mãe de José Hildo falou, em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, que, em nenhum momento, a Sejus informou a transferência ou a morte do filho. "Eu só soube que ele estava morto porque eu fui lá. Ninguém me disse nada. E se eu não tivesse ido, até hoje eu ia estar sem saber que o meu filho morreu?", indaga.  Ela ainda afirma que um funcionário do CPPL II não esclareceu o que teria motivado a morte do filho: "ele só disse que meu filho estava no IML", complementa.

Ainda conforme ela, o filho não era de facção e foi "enviado para a morte", porque ele pediu para não ir para o CPPL II. "Foi negligência da Justiça, eles sabem quem manda nos presídios são os presos", ressalta.

Sejus

Em resposta sobre o caso, a Secretaria da Justiça informou que a "organização dos internos nos estabelecimentos prisionais é feita com o objetivo primordial de preservar a integridade física dos mesmos. Para tanto, são considerados o perfil criminológico e o grau de periculosidade, entre outros fatores, além de ser realizada uma oitiva dos internos". 

"A transferência de José Hilo Siqueira Neto para a Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL II) cumpriu todo esse fluxo. Na madrugada de domingo (09), agentes da CPPL II entraram na unidade para socorrer o interno. José Hilo foi atendido pela equipe de saúde da unidade, mas já estava sem vida. Não havia sinais de lesão corporal. A Perícia de Forense e a Polícia Civil foram chamadas os procedimentos cabíveis".

A Sejus acrescentou, também, que não informa aos familiares sobre as transferências dos internos, por conta do grande fluxo de movimentação. "Não é informada, em nenhum caso, sobre as transferências dos detentos. As famílias devem procurar a informação no Centro de Triagem.

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