Afirma oficial da PM

'Nós estamos nas ruas para prender'

01:00 · 13.06.2018

"A Polícia não pode fazer parte da brutalidade das ruas", afirmou um oficial da Corporação, que preferiu não se identificar, e se disse triste com a morte da universitária Giselle Távora. O militar afirma que as Forças de Segurança devem considerar o estado de alerta da população de Fortaleza, diante dos altos índices de violência, antes de interceptar veículos com tiros.

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"As pessoas passam a ter cada vez mais medo quando sentem que a Polícia também pode matá-las. Não sei nem quantas vezes eu escutei, hoje, que poderia acontecer com qualquer um de nós. A sociedade não pode viver assim, com medo de todo mundo. As pessoas precisam enxergar na Polícia uma Instituição de proteção, de controle civil. Para isso, é preciso que cada policial do Ceará use sua arma, sua farda, seu distintivo, sua viatura de forma consciente", declarou.

Um outro oficial, que já fez parte da cúpula da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), disse que, a princípio, a morte de Giselle parece ter sido motivada por um "erro primário", mas afirma também que considera a maior parte da PM bem preparada. "A Polícia não está na rua para matar ninguém, está para prender. A arma do policial é de defesa, não de ataque. Quando acontece um caso como esses considero que deva ser levado em conta o grau de stress pessoal do soldado que atirou, uma possível inexperiência. Provavelmente, houve precipitação, mas não por erro de formação. A academia formou milhares de policiais e uma porcentagem muito pequena deles matou alguém".

Conforme o oficial, o curso de formação de um soldado, atualmente, dura seis meses. Depois de aulas teóricas de noções de Direito, Sociologia, Psicologia e de aulas práticas de tiro, direção, defesa pessoal, os militares vão para um estágio nas ruas que dura 90 dias. "Eles não são distribuídos logo nos Batalhões. Geralmente, são esses soldados que ficam nos cruzamentos".

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