dois meses depois

Morte de universitária permanece sem solução

O pai de Shyslane Sousa, Roberto Sousa, disse que recebeu alguns laudos ontem, mas aguarda o teste de balística, que deve ser decisivo ( Foto: Helene Santos )
00:00 · 19.05.2017

Já se passaram dois meses desde a morte da universitária Shyslane Nunes de Sousa, 24, e o caso permanece sem solução. Desde a noite da execução, o pai da vítima, Francisco Roberto de Sousa, carrega consigo uma dúvida: os disparos que atingiram a filha, na tentativa de roubo, no Conjunto Industrial em Maracanaú, partiram dos policiais militares ou dos assaltantes?

Ontem, Francisco Roberto recebeu o laudo com as fotos dos projéteis que lesionaram a vítima e o Raio X do corpo dela. Falta o exame de balística, que segue sem prazo para sair. Só este deve assegurar qual o calibre das balas que perfuraram os pés e a coxa da jovem.

Conforme o perito geral da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), Ricardo Macêdo, a hipótese de a bala ter partido de um policial, durante um confronto, faz com que o caso requeira aprofundamento. "Quando se trata de um crime com repercussão temos o máximo de cuidado. É um caso que envolve um policial e que repercutiu na sociedade, então é uma determinação do nosso secretário que nós tenhamos um zelo maior. Por isso não saiu ainda nenhum resultado e não temos uma data", disse Macêdo.

CGD

O pai de Shyslane conta que foi informado que o caso está sendo investigado pela Controladoria Geral de Disciplina (CGD). "O projétil retirado dela está na Pefoce aguardando o pedido do exame de balística para fazer a comparação com o calibre da arma de fogo usada pelos policiais", afirmou Roberto Sousa.

A suposição de que os policiais tenham atirado contra a universitária partiram das testemunhas do fato. Era por volta das 23h do dia 14 de março de 2016, quando Shyslane voltava da faculdade e foi abordada por um casal que praticava assaltos, no Conjunto Industrial.

De acordo com o pai da vítima, já próximo à sua casa, uma viatura das Rondas Ostensivas com Cães (Roca) teria flagrado o assalto e interveio. Testemunhas contaram que a Polícia agiu como se houvessem ali três assaltantes e iniciaram uma troca de tiros com os suspeitos.

Macêdo lembra que a equipe permanece trabalhando com várias hipóteses. "Só quando uma evidência se tornar prova é que o laudo será emitido", afirmou.

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