Morte de ambientalista vira mistério - Polícia - Diário do Nordeste

Crime político?

Morte de ambientalista vira mistério

12.05.2012

No dia 1º de abril, dois homens assassinaram, a tiro, o geólogo Carlos Henrique Guilherme na porta de uma igreja

O assassinato do geógrafo e militante ambientalista Carlos Henrique da Costa Guilherme, 42, o ´Carlinhos´, no começo de abril último, nesta Capital, tem mobilizado diversas entidades políticas e de defesa do meio ambiente para que o caso não caia na impunidade.

O crime está sendo investigado pela Polícia Civil através da sua Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), mas, até agora, os assassinos não foram identificados. Familiares e amigos da vítima cobram uma solução para o misterioso caso.

Assassinato

´Carlinhos´, foi assassinado com um tiro na nuca, na Praça da Santíssima Trindade, localizada na Avenida C do Conjunto Prefeito José Walter, por volta de 12h15 do dia 1º de abril passado. Ele havia sido convidado para o batizado de uma criança e estava na igreja quando seu telefone celular tocou. Estranhamente, ao mesmo tempo, o alarme de seu carro, parado ali próximo, disparou.

No momento em que saiu da igreja, ele se deparou com dois estranhos e desconfiou de que tinha caído em uma cilada. Imediatamente, tentou voltar para o templo, mas recebeu o tiro fatal na nuca. Chegou a ser levado para o hospital por policiais da 1ª Companhia do 6º BPM, porém, não resistiu. No mesmo dia, a DHPP deu início às investigações em torno do crime.

Desde então, os familiares, amigos, colegas militantes políticos e integrantes de organismos de defesa do meio ambiente, além de representantes de entidades de defesa dos Direitos Humanos, cobram da Polícia uma resposta para o mistério que envolve o fato. O inquérito sobre o assassinato está tramitando na DHPP sob a presidência do delegado Leonardo Barreto, que, no entanto, está de férias, afirmam os familiares do geógrafo.

Multas

Conforme os amigos e parentes, ´Carlinhos´ era o chefe da fiscalização da Autarquia Municipal do Meio Ambiente (AMA), do Eusébio (Região Metropolitana), e atuava de forma rigorosa na aplicação de multas aos responsáveis por danos ao ecossistema. "Apesar de não ser sua função, ele fazia questão de comparecer aos locais junto com os fiscais para a aplicação das multas contra as irregularidades", conta Gilberto Américo Fialho, tio da vítima.

Na última quinta-feira, Fialho veio à Redação do Diário do Nordeste, juntamente com Vanessa Guilherme, sobrinha de ´Carlinhos´; e com Ronaldo Rogério, militante político e amigo do geógrafo. Eles afirmam que um abaixo-assinado está circulando na Capital e no Interior. O documento, que exige o esclarecimento do crime e a punição de seus autores (intelectuais e materiais), será entregue à diversas autoridades e organismos, como a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Ministério Público e Poder Judiciário cobrando uma punição aos assassinos.

Ainda segundo os familiares, no dia 1º de junho será realizada uma manifestação sobre o caso por ocasião de um evento intitulado ´Tribuna Popular do Capitalismo´. Uma passeata sairá da Praça do BNB, no Centro, e seguirá até a Praça do Ferreira. Ali, acontecerá um Júri simulado sobre o crime. Já no dia 5 de junho, a Câmara Municipal de Fortaleza outorgará ´in memória´, a Medalha Chico Mendes ao geógrafo assassinado.

Além de funcionário da AMA, no Eusébio, ´Carlinhos´ prestava consultoria para diversas Prefeituras Municipais do Interior do Ceará e até de outros Estados do Nordeste na área de proteção ao meio ambiente. Na década de 80 foi militante do movimento estudantil e um dos fundadores do Grêmio da então Escola Técnica Federal do Ceará. No blog ´carlinhospresente.blogspot.com.br´, consta seu curriculum.

Uma agenda

Os familiares não sabem informar se ele vinha recebendo algum tipo de ameaça de morte e acrescentam que, a princípio, a Polícia descartou a hipótese de latrocínio (assalto seguido de morte).

Nenhum objeto de valor da vítima foi roubado pelos dois criminosos, mas, misteriosamente, a agenda do ambientalista desapareceu de dentro do seu carro e ainda não foi encontrada.

FERNANDO RIBEIRO
EDITOR DE POLÍCIA

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