45 dias depois

Matadores de líderes do PCC seguem foragidos

Gilberto Aparecido dos Santos, o 'Fuminho', que seria o mandante e seus comparsas seguem fora do radar da Polícia

Os líderes do PCC estão por trás das compras de mansões na Lagoa do Uruaú, no Alphaville Porto das Dunas e no Alphaville Eusébio
01:00 · 30.03.2018 por Messias Borges - Repórter
Segundo o processo, em um dos imóveis, situado na Lagoa do Uruaú, em Beberibe, suspeitos teriam recolhido objetos da mansão após o crime

Considerado o mandante do crime que repercutiu em todo o País - a morte de dois líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em Aquiraz - Gilberto Aparecido dos Santos, o 'Fuminho', segue foragido e a sua localização é desconhecida por investigadores do Ceará e de São Paulo, um mês e meio após o duplo homicídio.

A Polícia Civil do Ceará, através da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), indiciou 12 suspeitos por envolvimento nos assassinatos de Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue', e Fabiano Alves de Souza, o 'Paca'. 'Fuminho' não está entre eles, de acordo com o processo que transita na Justiça estadual. Entretanto, o traficante foi identificado como autor intelectual das mortes da dupla.

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As provas mais robustas contra Gilberto Aparecido foram divulgadas por investigadores de São Paulo que acompanham a atuação criminosa do PCC. Dois bilhetes trocados entre presos e apreendidos na Penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, a P2, de Presidente Venceslau, incriminam 'Fuminho'.

Gegê do Mangue Paca Fuminho

Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue', era o principal líder do PCC em liberdade e foi morto com um tiro (esquerda)

Fabiano Alves de Souza, o 'Paca', braço direito de 'Gegê', também caiu na emboscada e acabou executado (meio)

Gilberto Aparecido dos Santos, o 'Fuminho', o autor intelectual das mortes seria ligado a 'Marcola' (direita)

Na semana seguinte ao crime, um escrito comunicava que o traficante 'Cabelo Duro' havia afirmado que 'Fuminho' mandou matar as duas lideranças da facção nas ruas, que ostentavam uma vida de luxo no Ceará.

Neste mês de março, outro bilhete dizia que o líder máximo do PCC, Marcos Willians Herbas Camacho, o 'Marcola' - que está detido na P2 - não havia autorizado os assassinatos de 'Gegê' e 'Paca' e estava se sentindo traído por 'Fuminho', que pode estar fugindo da Polícia e da própria organização criminosa a que pertence. Segundo o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), 'Marcola' se sentiu traído pelo homem que era o seu 'braço direito' na contabilidade financeira do PCC.

Mas onde, finalmente, está 'Fuminho'? Informações da Polícia indicavam que o traficante vivia no Paraguai, gerenciando os negócios e a expansão do Primeiro Comando da Capital para além das fronteiras brasileiras. Então, ele veio ao Ceará para participar do duplo homicídio? Segundo a investigação da Draco, oito homens estiveram na cena do crime, uma reserva indígena em Aquiraz, aonde chegaram em um helicóptero. Pelo menos seis deles foram identificados e indiciados pela Polícia Civil. O criminoso apontando como mandante dos assassinatos não é nenhum deles.

Questionado sobre o paradeiro de Gilberto Aparecido, o promotor Gakiya reconheceu que os investigadores de São Paulo não têm conhecimento. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) também foi indagada sobre o assunto, mas não emitiu posicionamento até o fechamento desta matéria.

'Fuminho' está foragido há 20 anos, desde que escapou da antiga Casa de Detenção de São Paulo, conhecida como Carandiru. Ele é um dos criminosos mais procurados do País.

Esquema

A investigação indiciou 12 suspeitos por envolvimento nas mortes dos líderes do PCC, até o momento, conforme o processo que se encontra na 1ª Vara da Comarca de Aquiraz. Eles se dividem em dois grupos, mas a Polícia vê indícios de ligação entre as partes. Nenhum deles foi preso até hoje.

Wagner Ferreira da Silva, o 'Cabelo Duro'; Erick Machado Santos, o 'Neguinho Rick da Baixada'; Ronaldo Pereira Costa; André Luiz da Costa Lopes, o 'Andrezinho da Baixada'; Thiago Lourenço de Sá de Lima, o 'Tiririca'; e o piloto Felipe Ramos Morais seriam ligados à facção e teriam participado diretamente dos assassinatos. Eles foram vistos em um hotel em Fortaleza, através de câmeras de monitoramento, na véspera da emboscada. Já Francisco Cavalcante Cidrão Filho, José Cavalcante Cidrão, Samara Pinheiro de Carvalho Cavalcante, Magda Enoé de Freitas e Luís Fernando Santos começaram a ser investigados por serem 'laranjas' da vida luxuosa que 'Gegê' e 'Paca' mantinham no Ceará. O grupo de 'laranjas' emprestava o nome para a compra de várias residências e veículos que custavam milhões de reais, mas também começou a ser apurada a participação deles nos homicídios.

O Diário do Nordeste publicou, com exclusividade, no dia 21 de fevereiro último, que a dupla morta investiu ao menos R$ 8,5 milhões em bens, no Estado. Os líderes do PCC estão por trás das compras de mansões na Lagoa do Uruaú, no Alphaville Porto das Dunas e no Alphaville Eusébio; de um apartamento de luxo no bairro Dionísio Torres; de dois automóveis Range Rover e mais dois BMW.

Um dos suspeitos já se encontra morto. 'Cabelo Duro', considerado o líder do PCC na Baixada Santista, foi fuzilado em frente a um hotel de São Paulo, no dia 22 de fevereiro, uma semana após os homicídios da cúpula da facção registrados no Ceará.

A reportagem entrou em contato com o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de São Paulo, que investiga o assassinato de 'Cabelo Duro'. Um escrivão confirmou que nenhum suspeito foi preso, mas não deu detalhes sobre a investigação sigilosa do DHPP.

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