transferência e pedido de liberdade

Justiça expede decisões sobre membros do PCC

As duas determinações partiram da Comarca de Aquiraz, onde ocorreu a emboscada que vitimou dois líderes da facção

01:00 · 15.06.2018
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Felipe Ramos Morais teria pilotado o helicóptero que levou os executores do crime até o local da emboscada / André Luís da Costa Lopes, 'Andrezinho da Baixada', chegou a ser dado como morto pela Polícia
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Rogério Jeremias de Simone , o 'Gegê do Mangue', era o principal líder do PCC, em liberdade / Fabiano Alves de Souza, o 'Paca' também integrava a cúpula da facção e era 'sócio' de 'Gegê', no tráfico

Dois importantes aliados da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) receberam, recentemente, decisões da Justiça cearense sobre pedidos que haviam sido impetrados por seus advogados junto ao Poder Judiciário. As determinações versam sobre a transferência para o Ceará do piloto Felipe Ramos Morais, preso em Goiás; e o pedido de revogação do mandado de prisão para André Luís da Costa Lopes, 'Andrezinho da Baixada', que chegou a ser dado como morto pela Polícia de São Paulo.

Tido como piloto da organização criminosa, Felipe Morais, está próximo de ser recambiado para o Ceará, onde participou do assassinato de dois líderes da facção. As autoridades cearenses já estão providenciando a transferência do piloto de 31 anos, que está preso em Goiás pelo crime de uso de documentos falsos.

A transferência não tem data exata para acontecer, mas sua iminência foi anunciada pela juíza Mônica Lima Chaves Coutinho, da Comarca de Aquiraz. O documento foi enviado à juíza Vaneska da Silva Baruki da Comarca de Caldas Novas (GO), no último dia 11 de junho. "Informo que o recambiamento do acautelado em questão está sendo providenciado junto à Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado do Ceará (Sejus)".

No mesmo documento, a magistrada do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) comunica que decretou a renovação da prisão temporária de Felipe Morais por mais 30 dias, a partir do último dia 11, a pedido da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) do Ceará, com parecer favorável do Ministério Público do Ceará (MPCE). A tríade de juízes de Aquiraz, responsável pela decisão, justificou que "ainda estão presentes os fundamentos que originaram a ordem do decreto de prisão temporária de Felipe Ramos Morais" e que a manutenção da sua reclusão "é imprescindível, neste momento, para a conclusão das investigações".

Os juízes consideraram que as investigações policiais apontam estreita ligação do acusado com as mortes de Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue'; e Fabiano Alves de Souza, o 'Paca', em Aquiraz, no dia 15 de fevereiro, sendo Felipe o suposto responsável por transportar as vítimas e os executores para o local do crime, em um helicóptero. A participação foi admitida pelo piloto, em depoimento aos delegados Harley Filho e Alceu Viana, da Draco, no presídio onde se encontra, em Goiânia.

As autoridades cearenses têm até o dia 15 de julho para definirem um presídio e trazerem Felipe Morais para o Ceará. A reportagem procurou a defesa do piloto, que informou estar aguardando a Draco concluir o relatório para se pronunciar sobre o caso.

Negada

A Comarca de Aquiraz também decidiu pela recusa do pedido de revogação da prisão temporária de André Luís da Costa Lopes, o 'Andrezinho da Baixada', 39, apontado como um dos executores de 'Gegê' e 'Paca'. O criminoso chegou a ser dado como morto, mas agora teria assumido o comando do PCC no tráfico de drogas da 'Baixada Santista', no Estado de São Paulo.

Os magistrados consideraram que o piloto Felipe Morais reconheceu 'Andrezinho' como um dos assassinos dos líderes do PCC, no depoimento prestado à Draco, em Goiás. A defesa do indiciado não foi localizada.

A reportagem apurou que 'Andrezinho' chegou ao Ceará, no dia 13 de fevereiro deste ano, e se hospedou em hotel, junto de mais três acusados. No dia 15, ele e Érick Machado Santos, o 'Nego Rick da Baixada', deixaram o empreendimento sem pagar a última diária - que, posteriormente, foi quitada por uma mulher. A execução dos líderes do PCC ocorreu pouco depois.

A Polícia Civil de São Paulo investigava a possibilidade de 'Andrezinho da Baixada' e 'Neguinho Rick' estarem mortos. Entretanto, o chefe do plano do duplo homicídio, considerado o gerente financeiro da facção, Gilberto Aparecido dos Santos, o 'Fuminho', teria convencido o líder máximo da facção, Marcos Willians Herbas Camacho, o 'Marcola', de perdoar os supostos homicidas e reintegrá-los às atividades da facção.

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